Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 00:09
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã tiveram um avanço significativo nas negociações nucleares realizadas em Genebra nesta quinta-feira (26/2), afirmou o chanceler de Omã, Badr Albusaidi. >
Apesar do progresso, ainda não está claro se as conversas resultarão em um acordo capaz de evitar uma guerra.>
Segundo Albusaidi, que atua como mediador das negociações, os dois países devem retomar as conversas em breve, após consultas internas em suas capitais. Reuniões técnicas estão previstas para a próxima semana em Viena.>
Essa foi a terceira rodada de negociações mediada entre os dois países. >
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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que lidera a delegação do país, afirmou que houve um "bom progresso". >
De acordo com ele, já há entendimento sobre alguns pontos, embora divergências persistam em outros.>
Araghchi disse ainda que a próxima rodada de negociações deve acontecer em menos de uma semana.>
A perspectiva de novas rodadas de negociação pode reduzir a chance de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprir suas ameaças de atacar o Irã.>
Trump ordenou a maior mobilização militar americana no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, enquanto Teerã prometeu responder a qualquer ataque com força.>
Há décadas, os EUA e Israel acusam o Irã de tentar desenvolver secretamente uma arma nuclear. >
O governo iraniano nega que tenta construir uma bomba. >
Segundo o Irã, seu programa tem fins exclusivamente pacíficos — embora o país seja o único sem arsenal nuclear a enriquecer urânio próximo ao nível necessário para uso militar.>
De acordo com a mídia estatal iraniana, os negociadores insistiram que o Irã tinha direito à energia nuclear para fins pacíficos e rejeitaram as exigências dos EUA de interromper totalmente o enriquecimento de urânio em território iraniano e de transferir seu estoque de cerca de 400 kg de material enriquecido para fora do país. >
Ainda assim, acredita-se que as autoridades iranianas tenham sinalizado possíveis concessões, embora as propostas não tenham sido divulgadas. >
Uma das opções relatadas era que Irã fosse autorizado a retomar o enriquecimento de urânio em nível mínimo após uma suspensão de três a cinco anos, sob monitoramento internacional.>
Em troca, os negociadores exigiram a retirada das sanções que têm prejudicado a economia iraniana, afirmou Araghchi à TV estatal. >
Críticos do regime afirmam que qualquer alívio nas sanções daria um fôlego político e financeiro aos líderes religiosos que governam o Irã.>
As negociações indiretas aconteceram em duas sessões. Uma pela manhã, que durou três horas, e outra mais curta durante a noite. >
Não houve uma manifestação imediata dos Estados Unidos sobre o resultado.>
Assim como nas rodadas anteriores, a delegação americana foi representada pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Também participou das negociações o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi.>
Ainda não está claro quais condições Trump consideraria aceitáveis para um acordo, e o presidente pouco explicou por que haveria necessidade de uma ação militar agora, oito meses após os EUA bombardearem instalações nucleares iranianas durante a guerra entre Israel e o Irã.>
Teerã já rejeitou discutir limites ao programa de mísseis balísticos do país e o fim do apoio a grupos aliados na região, incluindo o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano, milícias no Iraque e os Houthis no Iêmen.>
Nas últimas semanas, os Estados Unidos enviaram milhares de soldados para a região, incluindo dois porta-aviões, além de outros navios de guerra, caças e aeronaves de reabastecimento.>
Trump ameaçou pela primeira vez bombardear o Irã no mês passado, quando forças de segurança reprimiram com violência protestos contra o governo, deixando milhares de mortos. >
Desde então, porém, o foco do presidente passou a ser o programa nuclear iraniano, que está no centro de uma disputa de longa data entre Teerã e o Ocidente.>
Em seu discurso de Estado da União no Congresso na terça-feira, Trump mencionou brevemente e de forma vaga as tensões com o Irã, sem apresentar claramente justificativas para eventuais ataques.>
Ele afirmou que o Irã estaria trabalhando no desenvolvimento de mísseis que poderiam alcançar os Estados Unidos "em breve", mas não deu detalhes. >
Também acusou o país de tentar "recomeçar do zero" um programa de armas nucleares após os ataques do ano passado, e disse que não iria permitir que o "maior patrocinador do terrorismo do mundo" tivesse uma arma nuclear.>
Horas antes do discurso, porém, o ministro das Relações Exteriores iraniano havia publicado nas redes sociais que o país "em hipótese alguma desenvolveria uma arma nuclear".>
Em junho do ano passado, os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares no Irã.>
Na ocasião, Trump disse que as instalações haviam sido "destruídas". >
Teerã diz que suas atividades de enriquecimento foram interrompidas após os ataques, embora não tenha permitido que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica acessem os locais danificados.>
Reportagens da imprensa americana, citando autoridades do governo sob anonimato, indicam que Trump teria considerado lançar, nos próximos dias, um ataque inicial contra a Guarda Revolucionária Islâmica ou contra instalações nucleares iranianas, com o objetivo de pressionar as lideranças do país.>
Segundo essas reportagens, caso as negociações fracassem, o presidente poderia chegar a ordenar uma campanha militar com o objetivo de derrubar o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.>
O presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA também teria alertado que ataques ao Irã seriam arriscados e poderiam arrastar os EUA para um conflito prolongado, mas Trump tem dito que o general Dan Caine acredita que a guerra seria "facilmente vencida".>
O Irã, por sua vez, ameaçou responder a qualquer ataque atingindo alvos militares americanos no Oriente Médio e também em Israel.>
Países aliados dos EUA na região estão preocupados que um ataque ao Irã possa desencadear um conflito mais amplo, e alertam que o poder aéreo sozinho não seria suficiente para mudar a liderança do país.>
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou contra um acordo que não inclua o programa de mísseis balísticos do Irã e seus aliados.>
Há anos Netanyahu descreve o Irã como uma ameaça central para Israel e uma fonte de instabilidade regional. >
Analistas avaliam que o primeiro-ministro, que visitou a Casa Branca no início do mês, pode estar pressionando por uma campanha com o objetivo de derrubar o regime iraniano.>
Os Estados Unidos possuem o segundo maior arsenal nuclear do mundo. Israel também é amplamente considerado um país com armas nucleares, embora nunca tenha confirmado ou negado isso. >
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