Publicado em 24 de outubro de 2025 às 21:32
Os Estados Unidos estão deslocando o maior navio de guerra do mundo, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, para o Caribe — marcando uma grande escalada militar na região.>
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ordenou que o porta-aviões USS Gerald R Ford, com capacidade para transportar até 90 aeronaves, retire-se do Mediterrâneo nesta sexta-feira (24/10).>
Os EUA têm aumentado sua presença militar no Caribe nas últimas semanas, no que dizem ser uma campanha para atingir traficantes de drogas. >
Já foram enviados anteriormente outros navios de guerra, um submarino nuclear e aeronaves F-35.>
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O país já realizou nas últimas semanas dez ataques aéreos contra barcos que, segundo os EUA, pertencem a traficantes — incluindo um nesta sexta, quando Hegseth afirmou que "seis narcoterroristas do sexo masculino" foram mortos.>
A operação ocorreu no Mar do Caribe contra um navio que, de acordo com o secretário, pertencia à organização criminosa Tren de Aragua.>
Em seu anúncio de sexta-feira, o Pentágono afirmou que o USS Gerald R. Ford seria enviado para a área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA, que inclui a América Central e a América do Sul, bem como o Caribe.>
As forças adicionais "irão aprimorar e aumentar as capacidades existentes para interromper o tráfico de narcóticos e degradar e desmantelar as TCOs [organizações criminosas transnacionais]", disse o porta-voz Sean Parnell.>
De acordo com a Marinha americana, o USS Gerald R. Ford é a "plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo". >
Ele foi comissionado (incorporado oficialmente à força e considerado ativo) em 2017, em cerimônia com a presença de Trump, então em seu primeiro mandato.>
O nome do navio homenageia o 38º presidente dos EUA.>
O navio é movido a energia nuclear e tem mais de 335m de comprimento — como comparação, o HMS Queen Elizabeth, o maior navio de guerra construído pelo Reino Unido, tem 280m. >
USS Gerald R. Ford pode chegar a pesar 100.000 toneladas.>
Ele custou quase US$ 13 bilhões e carrega armas como mísseis de autodefesa ESSM e o sistema de armas de curto alcance CIWS.>
Segundo a agência Reuters, o porta-aviões pode carregar cerca de 5.000 militares.>
Após os ataques do grupo palestino Hamas a Israel em outubro de 2023, os EUA deslocaram o USS Gerald R. Ford para a costa israelense naquele mês.>
Agora, o envio do porta-aviões para o Caribe forneceria os recursos para iniciar ataques em terra. >
Trump levantou várias vezes a possibilidade do que chamou de "ação terrestre" na Venezuela.>
"Certamente estamos considerando a possibilidade de ataques terrestres agora, porque temos o mar muito bem controlado", disse ele no início desta semana.>
A CNN relatou que Trump está considerando atacar instalações e rotas ligadas ao tráfico de cocaína dentro da Venezuela, mas ainda não tomou uma decisão final.>
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os EUA de "fabricarem uma guerra".>
"Eles estão fabricando uma nova guerra eterna", disse Maduro à mídia estatal nesta sexta-feira. >
"Prometeram que nunca mais se envolveriam em uma guerra, e estão fabricando uma.">
O porta-aviões americano transmitiu publicamente sua localização pela última vez há três dias, na costa da Croácia, no Mar Adriático.>
Segundo o jornal New York Times, o porta-aviões poderia levar de sete a dez dias, a depender de condições climáticas e de sua velocidade, para chegar à missão na região do Caribe.>
A grande carga de aeronaves carregada pelo porta-aviões pode incluir jatos e aviões para transporte e reconhecimento. >
Não está claro quais embarcações o acompanharão no caminho para o Caribe, mas uma possibilidade é a presença de contratorpedeiros carregando mísseis e outros equipamentos.>
A maioria dos ataques americanos a barcos ocorreu no Caribe mas, em 21 e 22 de outubro, foram realizados ataques no Pacífico.>
Vários especialistas e parlamentares americanos têm questionado a legalidade dessas ações. Para eles, o governo Trump está conduzindo uma campanha de intimidação que busca desestabilizar o governo da Venezuela.>
Presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro é um antigo inimigo de Trump e já foi acusado pelo americano de ser o líder de uma organização de narcotráfico, o venezuelano nega.>
"Trata-se de uma mudança de regime. Eles provavelmente não vão invadir, a esperança é que seja uma sinalização", disse à BBC Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina no think tank (centro de pesquisas) Chatham House.>
Sabatini argumenta que a ofensiva militar americana visa "causar medo" nos militares venezuelanos e no círculo íntimo de Maduro, para que se voltem contra ele.>
Tanto parlamentares democratas quanto republicanos levantaram preocupações sobre a legalidade dos ataques americanos e a autoridade de Trump para ordená-los.>
Em 10 de setembro, 25 senadores democratas escreveram à Casa Branca alegando que o governo havia atacado um navio dias antes "sem evidências de que os indivíduos a bordo e a carga representassem uma ameaça aos Estados Unidos".>
O senador republicano Rand Paul argumentou que tais ataques exigem aprovação do Congresso.>
Já Trump disse ter autoridade legal para ordenar os ataques.>
"Temos permissão para fazer isso e, se fizermos algo por terra, podemos recorrer ao Congresso", disse Trump a repórteres da Casa Branca na quarta-feira (22).>
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acrescentou que "se as pessoas querem parar de ver navios transportando drogas explodirem, parem de enviar drogas para os Estados Unidos".>
As seis mortes na operação anunciadas por Hegseth na sexta-feira elevam o total de mortos nos ataques dos EUA para pelo menos 43.>
*Com reportagem adicional de Mariana Alvim, da BBC News Brasil em São Paulo>
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