Publicado em 10 de outubro de 2025 às 15:33
Um homem de 29 anos foi preso sob suspeita de ter iniciado o incêndio em Pacific Palisades, em Los Angeles, que matou 12 pessoas e destruiu mais de 6.000 casas em janeiro.>
As evidências coletadas dos dispositivos digitais de Jonathan Rinderknecht incluíam uma imagem que ele gerou no ChatGPT retratando uma cidade em chamas, disseram autoridades do Departamento de Justiça.>
Um dos incêndios mais destrutivos da história de Los Angeles, o fogo começou em 7 de janeiro perto de uma trilha de caminhada com vista para o rico bairro costeiro.>
O incêndio Eaton, que começou no mesmo dia na região de Los Angeles, matou 19 pessoas e destruiu 9.400 estruturas. A causa desse incêndio permanece desconhecida.>
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O incêndio em Palisades queimou mais de 23.000 acres (9.308 hectares) e causou cerca de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em danos.>
Destruindo bairros inteiros, o incêndio durou mais de três semanas, devastando também partes de Topanga e Malibu.>
Entre as milhares de estruturas destruídas pelos incêndios estavam as casas de várias celebridades, incluindo Mel Gibson, Paris Hilton e Jeff Bridges.>
Rinderknecht foi preso na Flórida na terça-feira e foi acusado de destruição de propriedade por meio de incêndio, disse o procurador interino dos EUA, Bill Essayli, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira em Los Angeles.>
"Esperamos que a prisão traga alguma justiça a todos os afetados", disse Essayli.>
Autoridades afirmaram que outras acusações, incluindo homicídio, podem ser apresentadas.>
Rinderknecht compareceu ao tribunal na Flórida na quarta-feira. Ele não apresentou defesa.>
Ele deve retornar ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Orlando na quinta-feira para uma audiência de fiança. Não se espera que ele apresente uma defesa oficial até sua audiência de acusação em Los Angeles nas próximas semanas.>
Rinderknecht vivia e trabalhava na Califórnia e mudou-se para a Flórida pouco depois do incêndio, segundo as autoridades.>
O incêndio inicial que o Rinderknecht supostamente iniciou no dia de Ano Novo foi chamado de incêndio Lachman.>
Embora tenha sido rapidamente controlado pelos bombeiros, continuou a arder debaixo da terra, na estrutura radicular da vegetação densa, segundo os investigadores, antes de voltar a deflagrar acima do solo devido a uma tempestade de vento.>
O suspeito conhecia bem a área porque era um antigo morador de Pacific Palisades, segundo as autoridades. Ele morava a um quarteirão do início da trilha Skull Rock, onde supostamente iniciou o incêndio.>
Ele o acendeu com uma chama aberta depois de concluir uma corrida como motorista da Uber na véspera de Ano Novo, de acordo com a acusação.>
Dois passageiros viajaram com Rinderknecht na véspera de Ano Novo. Um dos passageiros disse aos investigadores que se lembrava do motorista parecer agitado e irritado.>
As autoridades afirmaram ter usado os dados do seu celular para localizá-lo quando o incêndio começou, em 1º de janeiro, mas quando o pressionaram para obter mais detalhes, ele teria mentido aos investigadores.>
A Uber afirmou que Rinderknecht não estava no aplicativo no momento do incêndio, mas que a empresa trabalhou em colaboração com o Departamento Federal de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) para ajudar a determinar seu paradeiro usando dados de GPS e outras informações relevantes.>
A empresa também afirmou que removeu o acesso de Rinderknecht à sua plataforma assim que soube do seu suposto envolvimento no incêndio, mas observou que ele passou na verificação inicial de antecedentes em 2023 e nas verificações anuais subsequentes.>
As autoridades afirmaram também ter encontrado outras ligações entre Rinderknecht e o incêndio no seu celular, incluindo vídeos que Rinderknecht tinha gravado dos bombeiros que tentavam apagar as chamas.>
O telefone também mostrou que ele ligou repetidamente para o 911 logo após a meia-noite do dia de Ano Novo, mas não conseguiu falar devido à recepção irregular do celular. Havia uma gravação da tela dele tentando ligar para os serviços de emergência e, em determinado momento, sendo conectado a um atendente.>
Rinderknecht também perguntou ao ChatGPT: "Você é culpado se um incêndio for causado por seus cigarros?">
Os investigadores afirmaram que o suspeito queria "preservar as provas de que tentou ajudar a extinguir o incêndio".>
"Ele queria criar provas que apontassem para uma explicação mais inocente para a causa do incêndio", dizia a acusação.>
Os investigadores observaram que Rinderknecht parecia nervoso durante a entrevista realizada em 24 de janeiro deste ano, e sua artéria carótida pulsava sempre que lhe perguntavam quem havia iniciado o incêndio.>
Em julho de 2024, cinco meses antes de supostamente ter ateado o fogo, Rinderknecht pediu ao ChatGPT para criar uma imagem de uma "pintura distópica" que incluísse uma floresta em chamas e uma multidão de pessoas fugindo do incêndio, de acordo com os investigadores.>
Sua solicitação à ferramenta de IA incluía o texto: "No meio [da pintura], centenas de milhares de pessoas em situação de pobreza tentam passar por um portão gigantesco com um grande símbolo do dólar.>
Do outro lado do portão e de toda a parede está um grupo de pessoas mais ricas.>
"Elas estão relaxando, vendo o mundo pegar fogo e observando as pessoas sofrerem. Estão rindo, se divertindo e dançando.">
Um mês antes de supostamente atear o fogo, Rinderknecht teria inserido uma mensagem no ChatGPT que incluía o texto: "Eu queimei a Bíblia que tinha. Foi uma sensação incrível. Me senti tão livre.">
Uma análise externa sobre o incêndio, encomendada pelos supervisores do condado de Los Angeles, concluiu que "políticas desatualizadas" para o envio de alertas de emergência atrasaram os avisos de evacuação, entre outras falhas oficiais.>
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, considerou a prisão um passo importante para "dar um desfecho aos milhares de californianos cujas vidas foram viradas de cabeça para baixo".>
Ele acrescentou que o estado estava apoiando a investigação federal sobre o incêndio.>
Horas após a prisão de Rinderknecht, o Corpo de Bombeiros da Cidade de Los Angeles (LAFD) divulgou seu tão aguardado Relatório de Análise Pós-Ação (AARR) sobre o incêndio em Palisades, que detalhou as primeiras 36 horas de resposta do departamento.>
O relatório — destinado a identificar lições aprendidas com a resposta e a melhorar a preparação e a resposta para futuros incêndios florestais — concluiu que os bombeiros não dispunham de recursos suficientes para lidar com as condições meteorológicas de alerta vermelho e os ventos com força de furacão que alimentaram o incêndio.>
O LAFD listou quase 100 desafios que os bombeiros enfrentaram durante o incêndio em Palisades, que durou 25 dias e obrigou muitos bombeiros a trabalhar por 36 a 48 horas seguidas.>
"Os socorristas enfrentaram as consequências inevitáveis de uma tempestade perfeita: vegetação seca, ventos fortes e incomuns, grande quantidade de brasas, uma paisagem repleta de vegetação combustível, grandes estruturas vulneráveis, diminuição do abastecimento de água e perda do apoio aéreo para combate ao incêndio", afirmou o relatório.>
Além disso, os bombeiros não conseguiram determinar a origem do incêndio, enfrentaram problemas para chamar bombeiros fora de serviço para responder ao chamado e culparam os chefes dos bombeiros com pouca experiência por lidarem com um incêndio dessa magnitude.>
Atrasos na comunicação das ordens de evacuação e problemas com a organização de evacuações eficazes e o tráfego também criaram dificuldades.>
O chefe interino do Corpo de Bombeiros de Los Angeles, Ronnie Villanueva, que substituiu a chefe Kristin Crowley, disse que espera que o relatório "fortaleça a confiança do público na prontidão do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para responder a quaisquer incêndios florestais futuros".>
O departamento, disse ele, implementou desde então vários novos processos para proteger a cidade, incluindo a atualização da tecnologia de comunicações.>
O gabinete de Newsom também solicitou uma revisão pelos principais pesquisadores em segurança contra incêndios do país.>
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