Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 14:09
As chuvas que atingem a Região Sudeste do país desde a noite de segunda-feira (23/2) provocaram a morte de 22 pessoas na Zona da Mata de Minas Gerais, segundo o Corpo de Bombeiros, além de vítimas e desalojados no Rio de Janeiro e em São Paulo.>
Minas concentra o maior número de mortes.>
Juiz de Fora, uma das cidades mais atingidas, registra até o momento 16 óbitos confirmados nas últimas 24 horas e ao menos 45 pessoas desaparecidas.>
Na cidade, o volume de chuva em apenas sete horas chegou a cerca de 80% da média esperada para todo o mês. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, que foi reconhecido pelo governo federal. >
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"Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo porque é o dia que temos que registrar, pela primeira vez, perdas de vida decorrentes desses fenômenos climáticos, deslizamentos de encostas", afirmou. >
"Até aqui, a gente conseguia chegar antes. Mas ontem, infelizmente, foi tanta água que tivemos essa tristeza inqualificável.">
Segundo a prefeitura, houve ao menos 20 soterramentos de imóveis, principalmente na região sudeste da cidade. Há 440 pessoas desabrigadas, acolhidas provisoriamente em três escolas. >
O Corpo de Bombeiros recebeu reforço de 150 agentes de outras cidades, com apoio de cães farejadores.>
No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e 12 imóveis foram cobertos pela terra. Ao menos quatro mortes foram registradas no local e há 17 desaparecidos.>
Já em Ubá, a 111 quilômetros de Juiz de Fora, seis mortes foram confirmadas e duas pessoas estão desaparecidas. No município, choveu cerca de 170 mm em aproximadamente três horas e meia. O rio Ubá atingiu 7,82 metros e transbordou, provocando inundações em diversos bairros.>
O prefeito José Damato Neto (PSD) também decretou calamidade pública. "É a maior enchente da história", disse o prefeito, fazendo apelos ao governador Romeu Zema (Novo) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). >
Zema decretou luto oficial de três dias e afirmou que o estado fará "tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento". >
Em viagem oficial a países da Ásia, Lula determinou nesta terça-feira (24/2) o envio de equipes federais para auxiliar municípios da Zona da Mata Mineira.>
Em seu perfil na rede social X, Lula destacou que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora (MG) e que o decreto será publicado no Diário Oficial da União ainda nesta terça-feira.>
"Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução.">
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume acumulado recente na Zona da Mata chegou a 209,4 mm, somando 589,6 mm em fevereiro. >
A previsão indica continuidade das instabilidades, com possibilidade de novos acumulados entre 40 e 60 mm em diferentes regiões do estado nos próximos dias.>
No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, após ficar presa em casa durante o temporal desta segunda. Segundo a prefeitura, cerca de 600 pessoas estão desalojadas.>
O município decretou situação de emergência. A Rodovia Presidente Dutra chegou a ser interditada por cerca de duas horas devido a alagamentos.>
Outras cidades da Baixada Fluminense seguem em alerta para cheias, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Na capital, o Centro de Operações registrou mais de 90 ocorrências entre alagamentos, bolsões d'água e quedas de árvores.>
Em São Paulo, a Defesa Civil registra 19 mortes desde o início da Operação Verão, em 1º de dezembro, número já superior ao contabilizado no ano anterior. >
O maior risco se concentra no litoral. O órgão renovou o alerta vermelho para acumulado de chuva até sexta-feira (27/2) e mantém ativo o gabinete de crise. A previsão é de até 175 mm em média no período, com volumes ainda maiores em pontos isolados.>
Peruíbe, no litoral sul, é o município mais atingido nos últimos dias. De sábado (21) a segunda (23), choveu 282 mm — 46% acima da média histórica de fevereiro. Há 213 desalojados, abrigados em três escolas.>
No litoral norte, deslizamentos bloquearam rodovias como a Oswaldo Cruz, a serra antiga da Tamoios e a pista sul da Anchieta. Parte das vias seguia interditada até a noite de segunda.>
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu alerta de alto risco para movimentos de massa em áreas do litoral paulista.>
Na capital e região metropolitana, a previsão indica pancadas de chuva com trovoadas entre a tarde e a noite, com potencial para novos alagamentos.>
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