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Chuvas deixam ao menos 22 mortos em MG; o que se sabe

Chuvas deixam ao menos 22 mortos em MG; o que se sabe

Minas concentra o maior número de mortes. Ao menos 33 pessoas morreram em todo o Estado desde o início do período chuvoso

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 14:09

Imagem BBC Brasil
Soldado do Corpo de Bombeiros faz busca em casas soterradas após fortes chuvas Crédito: CBMMG/Divulgação

As chuvas que atingem a Região Sudeste do país desde a noite de segunda-feira (23/2) provocaram a morte de 22 pessoas na Zona da Mata de Minas Gerais, segundo o Corpo de Bombeiros, além de vítimas e desalojados no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Minas concentra o maior número de mortes.

Juiz de Fora, uma das cidades mais atingidas, registra até o momento 16 óbitos confirmados nas últimas 24 horas e ao menos 45 pessoas desaparecidas.

Na cidade, o volume de chuva em apenas sete horas chegou a cerca de 80% da média esperada para todo o mês. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, que foi reconhecido pelo governo federal.

"Hoje é o dia mais triste dos meus cinco anos e dois meses de governo porque é o dia que temos que registrar, pela primeira vez, perdas de vida decorrentes desses fenômenos climáticos, deslizamentos de encostas", afirmou.

"Até aqui, a gente conseguia chegar antes. Mas ontem, infelizmente, foi tanta água que tivemos essa tristeza inqualificável."

Segundo a prefeitura, houve ao menos 20 soterramentos de imóveis, principalmente na região sudeste da cidade. Há 440 pessoas desabrigadas, acolhidas provisoriamente em três escolas.

O Corpo de Bombeiros recebeu reforço de 150 agentes de outras cidades, com apoio de cães farejadores.

No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e 12 imóveis foram cobertos pela terra. Ao menos quatro mortes foram registradas no local e há 17 desaparecidos.

Já em Ubá, a 111 quilômetros de Juiz de Fora, seis mortes foram confirmadas e duas pessoas estão desaparecidas. No município, choveu cerca de 170 mm em aproximadamente três horas e meia. O rio Ubá atingiu 7,82 metros e transbordou, provocando inundações em diversos bairros.

O prefeito José Damato Neto (PSD) também decretou calamidade pública. "É a maior enchente da história", disse o prefeito, fazendo apelos ao governador Romeu Zema (Novo) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Zema decretou luto oficial de três dias e afirmou que o estado fará "tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento".

Em viagem oficial a países da Ásia, Lula determinou nesta terça-feira (24/2) o envio de equipes federais para auxiliar municípios da Zona da Mata Mineira.

Em seu perfil na rede social X, Lula destacou que o governo federal já reconheceu o estado de calamidade em Juiz de Fora (MG) e que o decreto será publicado no Diário Oficial da União ainda nesta terça-feira.

"Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução."

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume acumulado recente na Zona da Mata chegou a 209,4 mm, somando 589,6 mm em fevereiro.

A previsão indica continuidade das instabilidades, com possibilidade de novos acumulados entre 40 e 60 mm em diferentes regiões do estado nos próximos dias.

Imagem BBC Brasil
null Crédito: Prefeitura de Juiz de Fora

Idosa morre afogada no Rio

No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, após ficar presa em casa durante o temporal desta segunda. Segundo a prefeitura, cerca de 600 pessoas estão desalojadas.

O município decretou situação de emergência. A Rodovia Presidente Dutra chegou a ser interditada por cerca de duas horas devido a alagamentos.

Outras cidades da Baixada Fluminense seguem em alerta para cheias, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Na capital, o Centro de Operações registrou mais de 90 ocorrências entre alagamentos, bolsões d'água e quedas de árvores.

Em São Paulo, a Defesa Civil registra 19 mortes desde o início da Operação Verão, em 1º de dezembro, número já superior ao contabilizado no ano anterior.

O maior risco se concentra no litoral. O órgão renovou o alerta vermelho para acumulado de chuva até sexta-feira (27/2) e mantém ativo o gabinete de crise. A previsão é de até 175 mm em média no período, com volumes ainda maiores em pontos isolados.

Peruíbe, no litoral sul, é o município mais atingido nos últimos dias. De sábado (21) a segunda (23), choveu 282 mm — 46% acima da média histórica de fevereiro. Há 213 desalojados, abrigados em três escolas.

No litoral norte, deslizamentos bloquearam rodovias como a Oswaldo Cruz, a serra antiga da Tamoios e a pista sul da Anchieta. Parte das vias seguia interditada até a noite de segunda.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu alerta de alto risco para movimentos de massa em áreas do litoral paulista.

Na capital e região metropolitana, a previsão indica pancadas de chuva com trovoadas entre a tarde e a noite, com potencial para novos alagamentos.

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