> >
Candidato socialista vence direita radical e é eleito presidente de Portugal, indicam projeções

Candidato socialista vence direita radical e é eleito presidente de Portugal, indicam projeções

António José Seguro, de centro-esquerda, foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2), segundo as projeções de boca de urna, batendo André Ventura, do Chega

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 18:09

Imagem BBC Brasil
Seguro será o presidente de Portugal Crédito: REUTERS/Rita Franca

Em uma campanha em que apelou ao voto moderado, o socialista António José Seguro foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2), segundo as projeções de boca de urna.

Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, Seguro teria entre 68% a 73% dos votos, segundo a projeção da Universidade Católica feita para a emissora pública RTP.

Às 18h deste domingo (horário de Brasília), com cerca de 80% das urnas apuradas, Seguro reunia 66% dos votos.

Assim, Seguro teria vencido confortavelmente o candidato André Ventura, líder do Chega, da direita radical, que concorreu com um forte discurso anti-imigração.

Ao falar com jornalistas antes de comemorar com seus apoiadores, Seguro declarou que "o povo português é o melhor povo do mundo", com "responsabilidade cívica enorme".

Também logo após o anúncio das projeções, Ventura reconheceu a derrota. "Ele venceu. Desejo-lhe um excelente mandato", disse ao sair de uma missa.

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, também assumiu a vitória da esquerda, mas disse que seu partido é "o grande vencedor da direita". "Provamos que vínhamos para ser diferentes" e contra o sistema "que se uniu contra nós".

Seguro é visto como uma figura centrista e moderada e vai ter que atuar em momento polarizado na política portuguesa.

Portugal tem um regime semipresidencialista de matriz parlamentar. Isso quer dizer que, embora o presidente seja eleito por voto direto, o poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, indicado após eleições legislativas e que depende de apoio mínimo no Parlamento.

Desde 2024, o primeiro-ministro de Portugal é Luís Montenegro, da coligação de centro-direita liderada pelo Partido Social Democrata (PSD).

O papel do presidente, porém, está longe de ser protocolar, já que exerce um poder moderador crucial.

O presidente pode vetar leis, devolvendo-as ao Parlamento, e tem a prerrogativa de dar posse ao primeiro-ministro. Em casos extremos, também pode dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas — medida conhecida como "bomba atômica".

Seguro, então, pode ser decisivo para garantir a estabilidade do governo minoritário de centro-direita liderado pelo PSD — e Seguro é, afinal, o candidato melhor posicionado para ocupar o cargo.

O novo presidente foi eleito com o apoio de várias figuras políticas portuguesas moderadas, entre eles Aníbal Cavaco Silva, presidente entre 2006 e 2016 e primeiro-ministro entre 1985 e 1995.

Também o apoiaram os prefeitos de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Pedro Duarte, ambos do PSD. Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD no primeiro turno, afirmou que votaria em Seguro por seu alinhamento com a "defesa da democracia" e a "moderação política".

A votação deste domingo ocorreu com o país em estado de "calamidade pública", em meio a uma onda de fortes tempestades. Ventura chegou a pedir o adiamento da eleição, mas autoridades eleitorais afastaram essa possibilidade, admitindo apenas adiamentos pontuais em alguns municípios.

Segundo os primeiros resultados, o comparecimento no segundo turno foi semelhante ao do primeiro turno.

O resultado para o Chega

Imagem BBC Brasil
Da direita radical, André Ventura perdeu a eleição Crédito: Anadolu via Getty Images

Mesmo muito atrás na contagem dos votos, a ida do Chega ao 2º turno em Portugal foi considerado como um "trunfo da direita radical".

O fortalecimento da direita radical tem sido um dos fenômenos de maior impacto na política portuguesa nos últimos anos. O avanço do Chega no país foi surpreendentemente rápido, saltando de 1,3% dos votos em 2019 para 22,8% nas legislativas de 2025.

Entre analistas, se Ventura conquistasse entre 30% e 35% dos votos, isso mostraria que ele alcançou o eleitorado da direita e centro-direita. Com isso, a agenda do Chega pode ganhar peso também entre as classes políticas, consolidando a ideia de que o partido é "um movimento em ascensão".

"Se Ventura ultrapassar os 32%, terá base para afirmar que agora é a principal força da direita em Portugal", disse, antes da eleição, António Costa Pinto, da Universidade Lusófona de Lisboa.

Em declaração à imprensa após os primeiros resultados anunciados neste domingo, Ventura lembrou que estas "são eleições presidenciais" (não as legislativas) e considerou que o país o escolheu para "disputar o espaço não socialista".

Fundado em 2019 por Ventura, o Chega é hoje a segunda maior força no Parlamento português, com 60 cadeiras.

O partido cresceu com um discurso focado na rejeição à corrupção das "elites" políticas tradicionais, na defesa de políticas mais rígidas de segurança e no combate ao que classifica como imigração "descontrolada", além de ataques a algumas minorias.

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais