Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 18:09
Falando a apoiadores na manhã desta sexta-feira (9/1), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, chamou os manifestantes que tomaram as ruas do país de um "bando de vândalos" que estariam agindo para "agradar" o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.>
O Irã vive uma onda de protestos em pelo menos metade de suas províncias, que já deixaram mais de 40 mortos.>
"Um bando de vândalos saiu em Teerã e em outros lugares e destruiu prédios pertencentes ao próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA. Isso porque ele [Trump] fez a alegação absurda de que apoia vocês, manifestantes e pessoas que prejudicam o país. Se ele é capaz, deveria governar seu próprio país", declarou Khamenei em discurso transmitido pela televisão estatal. >
Crítico histórico do regime iraniano, Trump ameaçou o governo iraniano ao prometer intervenção dos EUA caso civis sejam mortos durante as manifestações. >
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O líder iraniano, que está no poder desde 1989, acrescentou que as mãos do presidente americano "estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos mortos como mártires durante a guerra de 12 dias [com Israel]".>
"Um grupo de pessoas inexperientes e descuidadas acredita nele e age de acordo com seus desejos. Eles ateiam fogo em lixeiras para agradá-lo," acrescentou.>
"Que todos saibam que a República Islâmica chegou ao poder através do sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso.">
As manifestações começaram em 28 de dezembro, na capital Teerã. Inicialmente, comerciantes foram às ruas para expressar sua indignação com mais uma forte queda no valor da moeda iraniana, o rial, em relação ao dólar americano no mercado paralelo.>
O rial atingiu uma mínima histórica no último ano e a inflação disparou para 40%, à medida que as sanções impostas pelo programa nuclear iraniano pressionam uma economia já fragilizada pela má gestão governamental e pela corrupção.>
Nos últimos 13 dias, protestos eclodiram em pelo menos 17 das 31 províncias do Irã, representando o maior desafio ao regime clerical do país desde 2022, segundo análise conjunta da BBC Verify e da BBC Persa.>
A análise da BBC considera apenas protestos dos quais há imagens em vídeo verificadas, portanto, o número real pode ser maior. Há relatos de protestos em outras 11 províncias.>
Imagens verificadas até terça-feira (6/1) mostravam evidências de atos e concentrações contra o governo em mais de 50 cidades em todo o país, inclusive em regiões antes consideradas altamente leais ao Estado.>
Desde então, mais 16 cidades e vilas foram adicionadas ao monitoramento (veja mapa abaixo), sendo a mais recente Zahedan, no leste, perto da fronteira com o Paquistão.>
Segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activist News Agency), sediada nos EUA, pelo menos 48 manifestantes e 14 membros das forças de segurança foram mortos desde o início dos protestos.>
Separadamente, a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, contabilizou pelo menos 51 manifestantes mortos, incluindo nove crianças.>
A maioria das organizações de notícias internacionais, incluindo a BBC, está proibida de fazer reportagens dentro do Irã, o que significa que as redes sociais são necessárias para verificar as vítimas. No entanto, a internet está praticamente bloqueada desde a noite de quinta-feira.>
A BBC Persa confirmou até o momento as mortes e as identidades de 22 pessoas. As autoridades iranianas confirmaram até agora a morte de seis membros das forças de segurança.>
Os protestos ocorrem em um momento em que a economia iraniana permanece fragilizada, com poucas perspectivas de crescimento para este ano ou para o próximo.>
A crescente agitação no Irã levou Trump a prometer, na quinta-feira (8/1), "atacar o Irã com muita força" se eles "começarem a matar pessoas".>
"Eu os avisei que, se começarem a matar pessoas, o que costumam fazer durante seus protestos — e eles têm muitos protestos —, se fizerem isso, nós os atacaremos com muita força", disse Trump em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt.>
O republicano afirmou que seu governo está monitorando a situação de perto e que advertiu Teerã "com muita veemência, ainda mais veementemente do que estou falando agora, que se fizerem isso [matar civis], pagarão caro por isso".>
Nesta semana, através do bloqueio da internet, o governo iraniano cortou o acesso de milhões de iranianos às suas famílias — tanto dentro como fora do país —, numa tentativa de impedi-los de se organizarem em massa.>
Os bloqueios de internet não são incomuns no Irã. A última onda de protestos desta magnitude ocorreu após a morte de Mahsa Amini, em 2022.>
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