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Americano no corredor da morte que não matou ninguém tem execução suspensa

Charles Burton participou de um assalto a uma loja, durante o qual seu cúmplice atirou e matou um cliente; governadora do Alabama anulou a pena por achar que execução seria 'injusta'.

Publicado em 11 de Março de 2026 às 09:09

BBC News Brasil

Publicado em 

11 mar 2026 às 09:09
Imagem BBC Brasil
Charles "Sonny" Burton em uma foto fornecida por seus advogados Crédito: Defensores Públicos Federais do Distrito Central do Alabama
Um homem que estava prestes a ser executado no Alabama, nos Estados Unidos, por um assassinato que não cometeu foi poupado da pena de morte após uma intervenção da governadora do Estado americano.
Charles "Sonny" Burton, de 75 anos, foi condenado à morte pelo assassinato de um homem durante um assalto a uma loja em 1991, embora não estivesse no estabelecimento no momento do crime.
Burton, juntamente com outros cinco homens, assaltou a loja naquele dia, mas já havia saído do prédio quando um dos assaltantes atirou em um cliente. A lei do Alabama, como a de muitos outros Estados do país, permite a execução de um cúmplice, mesmo que ele próprio não tenha matado ninguém.
A filha da vítima, que tinha apenas nove anos quando o pai foi morto, esteve entre aqueles que apelaram por um indulto para Burton.
"Ninguém do Estado jamais se sentou comigo para explicar por que o Alabama acredita que deve executar um homem que não matou meu pai", escreveu Tori Battle, cujo pai, Doug Battle, foi morto no assalto, em um artigo publicado no jornal local Montgomery Advertiser. "Meu amor por meu pai não exige outra morte, especialmente uma que desafia a razão."
De acordo com depoimentos prestados no tribunal, em 16 de agosto de 1991, Burton, Derrick DeBruce e outros quatro homens decidiram assaltar uma filial da loja de peças automobilísticas AutoZone em Talladega, Alabama.
Doug Battle, um cliente, entrou na loja quando o assalto estava terminando.
Battle teria discutido com DeBruce, que atirou nele pelas costas. Burton já havia saído da loja quando os tiros foram disparados, um fato que os promotores não contestaram.
DeBruce, o atirador, morreu na prisão enquanto cumpria pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Ele foi inicialmente condenado à pena de morte, mas a sentença foi reduzida por ter recebido assistência inadequada por seus advogados de defesa durante o julgamento.
A execução de Burton estava marcada para a noite de quinta-feira (12/03), por gás nitrogênio.
Após a anulação da pena de morte de Burton pela governadora do Alabama, Kay Ivey, ele agora cumprirá prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
"Não posso prosseguir em sã consciência com a execução do Sr. Burton em circunstâncias tão díspares", disse a governadora republicana em um comunicado. "Acredito que seria injusto que um participante deste crime fosse executado enquanto o participante que puxou o gatilho não fosse."
A governadora Ivey, que já presidiu 25 execuções, disse acreditar firmemente na pena de morte, mas afirmou que ela também deve ser aplicada de forma justa e proporcional.
Burton, que usa cadeira de rodas devido a problemas de saúde, disse à CNN esta semana que pediu desculpas à família de Battle.
"Eu não matei ninguém, é verdade, mas cometi um erro ao participar do crime", disse ele.
O procurador-geral do Alabama, Steve Marshall, expressou decepção em um comunicado à NBC News.
"Nunca houve qualquer dúvida de que Sonny Burton tem o sangue de Douglas Battle nas mãos", disse ele.
"Burton não merece tratamento especial por ser idoso — ele poderia ter sido executado há muito tempo, mas, como muitos condenados à morte, optou por prolongar seu caso por meio de intermináveis ​​apelações frívolas."

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