Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 18:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça invocar uma lei do século 19 raramente usada, para enviar as Forças Armadas americanas a Minneapolis, cidade mais populosa do Estado de Minnesota (no centro-oeste dos EUA), onde milhares de pessoas protestam contra a grande presença de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês).>
As manifestações se intensificaram depois que um agente do ICE atirou fatalmente em uma manifestante, Renee Nicole Good, dentro de seu carro na semana passada.>
Esta semana, agentes federais atiraram na perna de um homem em Minneapolis, em uma ação que autoridades federais alegam ter sido em legítima defesa.>
Em uma publicação na sua rede social Truth Social nesta quinta-feira (15/1), Trump afirmou — em sua escrita típica, com uso de palavras em caixa alta — que "se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurgentes ataquem os Patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, eu instituirei a LEI DA INSURREIÇÃO".>
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A Lei da Insurreição de 1807 permite que o presidente utilize militares da ativa para desempenhar funções de segurança pública dentro dos EUA.>
Trump disse que, ao usar a lei, ele "acabaria rapidamente com a farsa que está acontecendo naquele que um dia foi um grande Estado" de Minnesota.>
A lei do século 19 permitiria o uso de militares da ativa para desempenhar funções de segurança pública dentro dos EUA.>
Os presidentes dos EUA podem invocar a lei se determinarem que "obstruções, combinações ou aglomerações ilegais, ou rebelião" contra o governo tornam "impraticável a aplicação" da lei americana "pelo curso normal dos processos judiciais".>
Uma vez invocada, as tropas podem ser incumbidas de uma série de tarefas, desde a repressão de distúrbios civis e o cumprimento de ordens judiciais até a prisão e detenção de imigrantes.>
Isso inclui a Guarda Nacional — um ramo das forças armadas dos EUA tradicionalmente reservado para emergências e desastres domésticos.>
Como a Lei da Insurreição foi redigida em termos amplos, com poucas orientações específicas sobre como e quando os poderes podem ser usados, ela concede aos presidentes grande liberdade para decidir quando mobilizar pessoal militar para operações domésticas.>
Ao longo de sua campanha eleitoral, Trump prometeu reprimir a imigração ilegal, classificando a situação na fronteira sul dos Estados Unidos como uma "emergência nacional" que poderia ser melhor controlada invocando a lei do século 19.>
Em seu primeiro dia de mandato, em janeiro do ano passado, ele solicitou "recomendações sobre ações adicionais que possam ser necessárias para obter o controle operacional completo da fronteira sul, incluindo a possibilidade de invocar a Lei de Insurreição de 1807".>
O governo já implementou uma série de medidas abrangentes para a fronteira. >
Essas medidas incluem uma onda de deportações em todo o país e a transferência de supostos membros de gangues venezuelanas para uma prisão em El Salvador — uma decisão que agora enfrenta contestações judiciais.>
Em outubro passado, Trump afirmou novamente que estava considerando o uso da Lei de Insurreição depois que um juiz federal o impediu de enviar tropas da Guarda Nacional para Portland, Oregon, cidade que, segundo o presidente, estava dominada por "terroristas domésticos" de esquerda.>
Embora tenha dito que não havia chegado a um ponto em que essa decisão fosse necessária, acrescentou: "Se eu tivesse que aplicá-la, eu o faria, se pessoas estivessem sendo mortas e os tribunais, ou governadores e prefeitos, estivessem nos impedindo.">
Então, em janeiro de 2026, após semanas de tensão em Minneapolis, Minnesota, com milhares de agentes do ICE intensificando as operações na cidade, Trump ameaçou usar a lei mais uma vez para conter os protestos.>
A Lei da Insurreição foi invocada algumas vezes na história americana.>
Abraham Lincoln a usou quando os Estados do sul se rebelaram durante a Guerra Civil Americana, e após a guerra, o presidente Ulysses S. Grant a invocou contra uma onda de violência racista da Ku Klux Klan.>
No século 20, o presidente Dwight D. Eisenhower a invocou para que o Exército dos EUA escoltasse estudantes negros até uma escola em Little Rock, Arkansas, depois que o governador do Estado se recusou a cumprir uma ordem federal de dessegregação.>
Mais recentemente, ela foi usada em 1992, quando grandes distúrbios eclodiram em Los Angeles devido à absolvição de quatro policiais brancos no caso da agressão a Rodney King, um homem negro. >
O então presidente George Bush enviou membros da ativa dos Fuzileiros Navais e do Exército, bem como tropas da Guarda Nacional.>
Tradicionalmente, o governo dos EUA tem se esforçado para limitar o uso da força militar em solo americano, especialmente contra seus próprios cidadãos.>
A Lei Posse Comitatus de 1878 foi promulgada para restringir a atuação das forças armadas como força policial interna. Em tempos de agitação social, os Estados geralmente mobilizam a Guarda Nacional para ajudar a manter a ordem.>
Desde que retornou ao cargo, Trump expandiu sua autoridade declarando emergências nacionais, o que lhe dá acesso a poderes e recursos normalmente restritos.>
Ele usou essa autoridade para impor tarifas e, de forma mais controversa, para tomar medidas em relação à imigração e mobilizar agentes federais, a Guarda Nacional e até mesmo tropas da ativa para cidades como Washington, Los Angeles e Memphis.>
Em março, após sua declaração de emergência na fronteira, Trump invocou a raramente usada Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798 para deportar imigrantes que ele alegava serem membros de gangues. Uma série de contestações judiciais se seguiu, com a Suprema Corte americana impondo algumas limitações temporárias ao seu uso.>
Se Trump optar por invocar a Lei de Insurreição, ainda não está claro quais contestações judiciais ele poderá enfrentar.>
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