O mercado de seminovos e usados no Espírito Santo começa a tomar um novo formato, dando maior espaço para os modelos de 0 a 3 anos de uso. De janeiro a agosto deste ano houve um crescimento de 17,6% das vendas de seminovos no Estado. Esse total é mais do que o dobro do crescimento do mercado total de usados no Espírito Santo: +7,5%, com 343.947 transações totais.
No acumulado do ano, foram 92.259 veículos seminovos negociados no ES, contra 78.421 no mesmo período de 2025. Já os usados jovens (4 a 8 anos) o crescimento foi de 10,0%, saltando de 79.052 para 86.968 unidades. Os velhinhos (13 anos ou mais) cresceram 9,4% (saltando de 96.992 para 106.143 unidades), enquanto os usados maduros (9 a 12 anos) tiveram uma retração de 10,6% (recuando de 65.495 para 58.577 unidades).
Outro destaque dos seminovos é a fatia de mercado, já que esta só tem crescido: em 2025, a faixa de 0 a 3 anos representava 24,5% de todo o volume de seminovos e usados comercializados no Estado (78.421 de 319.960 unidades). Já em 2026, essa fatia subiu para 26,8% do mercado total (92.259 de 343.947 unidades).
No acumulado do ano (Jan–Ago 2026), o crescimento do Espírito Santo (+7,5%) ficou acima da média da Região Sudeste (+5,2%). O estado superou o ritmo acumulado de vizinhos como Minas Gerais (+0,2%) e Rio de Janeiro (+2,3%), acompanhando de perto o desempenho de São Paulo (+7,8%).
Quando comparamos com o mercado de zero quilômetro, vemos que o de seminovos e usados movimenta um volume substancialmente maior, totalizando 343.947 transações de janeiro a agosto de 2026. Inclusive, a categoria de seminovos (0 a 3 anos) comercializou 92.259 unidades no acumulado do ano, superando com folga o volume total de emplacamentos geral de todos os veículos novos no Estado (82.959 unidades).
Outro fator interessante é em relação ao ranking dos modelos mais vendidos: o Toyota Corolla é o líder absoluto na categoria de carros (automóveis de passeio), com 1.672 unidades, seguido por VW Gol (1.588 unidades), Hyundai HB20 (1.338 unidades), GM Onix (1.026 unidades) e Fiat Uno (779 unidades). Um cenário bem diferente do que acontece entre os modelos novos, onde os SUVs e a eletrificação têm dominado o ranking, com modelos como Hyundai Creta, GWM Haval H6 e BYD Song no top 3.
Quando se fala de comerciais leves, a Fiat Strada mantém sua hegemonia também entre os usados e seminovos, dominando mais de um quarto do segmento no estado com 26,01% de participação (1.689 unidades), seguida por Toyota Hilux (923 unidades), Fiat Toro (803 unidades) e VW Saveiro (671 unidades).
E o mesmo se repete com as motos, com a Honda CG150 liderando com folga (2.723 unidades e 24,03% de share), acompanhada da Honda Biz (1.651 unidades e 14,57% do mercado).
Emplacamentos de novos no ES recuam em agosto, mas acumulam alta de 12,78%
O mercado capixaba de veículos novos registrou a venda de 11.028 unidades em agosto de 2026, montante 1,96% inferior às 11.248 unidades negociadas em julho. Apesar da leve retração mensal, a comparação com agosto de 2025 mostra avanço de 7,55% (frente a 10.254 unidades).
No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o Estado soma 82.959 emplacamentos, alta de 12,78% em relação aos 73.556 veículos registrados no mesmo período do ano passado. As informações são do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives). A desaceleração pontual de agosto é vista pelo setor como uma acomodação do mercado antes da entrada em vigor das novas condições de programas governamentais.
Segundo o presidente do Sincodives, Augusto Giuberti, a ampliação do teto de financiamento do Move Brasil para R$ 200 mil, aliada à inclusão de modelos híbridos e às medidas do Programa de Renovação de Frota para taxistas e motoristas de aplicativo, deve impulsionar as vendas e gerar reflexos graduais nos relatórios de emplacamento nos próximos meses.
O Sincodives empossou sua diretoria para o mandato de 2026 a 2029 em cerimônia realizada no dia 14 de agosto. Sob a liderança do presidente Augusto Giuberti, reeleito para conduzir a entidade por mais três anos, o sindicato também oficializou os novos membros do Conselho Fiscal, os Delegados Regionais e os Representantes junto à Fenacodiv.
Em 16 de setembro, a entidade comemorou 30 anos de atuação no estado. A entidade representa uma rede responsável por movimentar cerca de 5,92% do PIB Nacional em conjunto com a Fenabrave.
Eletrificação no campo: Mobilis apresenta tecnologia de conversão
A startup catarinense Mobilis apresentou o kit de eletrificação agrícola Agroboost durante a Expointer 2026, realizada em Esteio (RS). O sistema modular, desenvolvido com recursos de fomento da Finep e validado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atua como solução de conversão para máquinas e utilitários rurais.
A tecnologia foi exposta em duas aplicabilidades operacionais: o microtrator da Agritech, que utiliza a motorização E2 de 6 kW, e o transportador utilitário BRAVO EG3000, da Gomes Máquinas Agrícolas, movido pelo conjunto E1 de 11 kW nominais e pico de 22 kW. A aposta no formato de conversão modular visa baratear o acesso à tração elétrica no segmento produtivo rural, evitando a necessidade de substituição completa da frota de maquinários por unidades zero-quilômetro.
Uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636, ano 2004, prepara-se para retornar às estradas em outubro de 2026 após passar por um processo extremo de restauração na Espanha. A esportiva, pilotada pelo viajante espanhol Toni Moles, acumula a marca de 94 países visitados e cerca de 200 mil quilômetros rodados. O projeto de rodar o mundo com um modelo superesporte — escolha fora do padrão para expedições de longa distância, dominadas pelo segmento trail — sofreu uma interrupção em janeiro de 2025, quando a embarcação que transportava o veículo naufragou na costa da Colômbia.
A motocicleta permaneceu submersa a 36 metros de profundidade por dois dias no Mar do Caribe antes de ser resgatada por uma operação local de mergulho. O contato direto com a água salgada exigiu a substituição e o reparo da quase totalidade dos componentes mecânicos e elétricos do veículo. No entanto, o chassi, o sistema de carenagem, a balança traseira e as rodas originais foram preservados no processo de reconstrução.
O movimento de restauração completa de um modelo fabricado há mais de duas décadas reflete o valor de permanência do ativo para o proprietário, além de servir como vitrine de durabilidade técnica para a engenharia da marca japonesa em condições severas de uso. Após a conclusão dos trabalhos operacionais na Europa, o planejamento prevê o envio da motocicleta para uma nova expedição pelo continente africano, cobrindo a rota da costa atlântica.
Consórcio financia quase 30% das motos no país e movimenta R$ 6 bilhões em 2026
O consórcio de motocicletas consolidou-se como o motor financeiro das vendas de duas rodas no Brasil. Entre janeiro e maio de 2026, as contemplações liberaram R$ 6,13 bilhões em créditos, montante com potencial para adquirir mais de 287 mil unidades. O volume equivale a 29,4% de todas as 980.095 motocicletas comercializadas no país no período — o que representa quase uma em cada três motos vendidas no mercado nacional.
O consórcio já vinha em ritmo acelerado ao movimentar R$ 9,64 bilhões em 2025, praticamente o dobro dos R$ 5,03 bilhões registrados em 2021, segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC).
O avanço da modalidade acompanha o ritmo do próprio setor automotivo de duas rodas, cujos licenciamentos cresceram 15,3% e a produção nacional subiu 10,1% nos primeiros cinco meses do ano, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Atualmente são 3,25 milhões de participantes ativos em 2026 e uma alta de 12,2% nos negócios do segmento ante o ano anterior.
“Isso é reflexo de uma mudança estrutural na forma como o brasileiro enxerga mobilidade e geração de renda. A moto deixou de ser um bem aspiracional e passou a ser uma ferramenta econômica, especialmente em um cenário de crédito mais restrito. O consórcio permite uma compra sem taxas de juros ou parcelas exorbitantes, permitindo que o consumidor conquiste o bem de forma gradual sem comprometer o seu orçamento”, analisa Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios.