O SUV Haval H6 e os modelos da linha de elétricos Ora, incluindo o recém-lançado Ora 5, serão os primeiros veículos produzidos na nova fábrica da GWM (Great Wall Motor) em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. A confirmação foi feita nesta terça-feira (30), durante a cerimônia oficial de lançamento da pedra fundamental da unidade capixaba. Os automóveis serão montados sobre uma nova base de fabricação global (chamada de plataforma GWM1), desenvolvida para receber motores híbridos e elétricos.
A expansão da fabricante chinesa para o território capixaba chega no momento em que a sua primeira fábrica no país, em Iracemápolis (SP), alcança a capacidade máxima de produção, que é de 40 mil unidades anuais. Com a projeção de comercializar mais de 100 mil veículos no mercado brasileiro já em 2026, a marca demandou uma nova linha de montagem para sustentar o ritmo de vendas e iniciar sua operação como plataforma exportadora para a América Latina.
“A capacidade da primeira planta não é suficiente, não conseguindo atender à nossa demanda. Então na fábrica de Aracruz, iremos produzir em cima da plataforma GWM1. Ela vai ter multienergia, vários tipos de motorização e de demandas e design para atender o mercado brasileiro”, explica Xiangjun Meng, Chief Product Officer (CPO) da GWM Global.
A presença do CPO indica que o projeto de Aracruz é acompanhado diretamente pela liderança global da empresa, e não apenas pela operação brasileira. Abaixo apenas do fundador da marca, o cargo de Meng faz dele o executivo responsável pela estratégia global dos veículos da montadora.
Estratégia
O projeto industrial está inserido no plano de investimentos de R$ 10 bilhões da GWM para o ciclo de dez anos no Brasil. O complexo de Aracruz foi planejado para operar em dois turnos em sua capacidade plena, o que exigirá a contratação de mão de obra especializada e o desenvolvimento técnico de fornecedores locais.
“Por se tratar de uma operação industrial automotiva moderna e pronta para diferentes tecnologias, esperamos desenvolver oportunidades em diferentes níveis de qualificação. Isso inclui profissionais operacionais para atividades produtivas, técnicos especializados para processos industriais de maior complexidade e engenheiros que poderão apoiar tanto atividades ligadas à manufatura quanto ao desenvolvimento e adaptação de produtos para atender às necessidades do mercado”, afirma Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM.
Para dar suporte ao volume de produção projetado, o governo do Espírito Santo lidera articulações de infraestrutura e fornecimento de matérias-primas, incluindo negociações com a ArcelorMittal para a instalação de uma unidade de processamento de aço galvanizado a frio no estado, reduzindo a dependência de insumos processados em outras regiões do país.
“Uma indústria como essa vai exigir muita água, muita energia, muito gás e uma coisa muito importante: mão de obra qualificada. Por isso nós estamos mobilizados. Nós estamos trabalhando, por exemplo, com a ArcelorMittal na implantação de uma unidade de fabricação e de laminamento de tiras a frio com galvanização, para que parte desse aço possa ser consumido aqui por uma empresa como a GWM”, acrescenta Ricardo Ferraço, governador do Espírito Santo.
A Nova ES (Agência de Atração de Investimentos do Espírito Santo) assume o monitoramento das próximas fases do empreendimento em Aracruz, que incluem o detalhamento dos estudos de engenharia, os processos de licenciamento ambiental do terreno e a estruturação do parque logístico para o escoamento de componentes e veículos prontos.
Segundo Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES, esse novo ecossistema de empresas fornecedoras pode trazer mais oportunidades para o Estado, inclusive a chegada de novas montadoras. “Depois do anúncio da GWM, o Espírito Santo entrou no radar do setor e a gente já tem no nosso pipeline outras empresas que a gente está conversando, em diferentes níveis de maturidade, mas tem sim outras montadoras, empresas que são fornecedoras da cadeia”, conta.
Para Bruno Conti, diretor da GW Lider, a chegada da fábrica reforça a presença da marca no Espírito Santo e amplia as perspectivas de crescimento. “Para nós é muito positivo representar uma marca como a GWM com exclusividade no Estado. Já temos quatro concessionárias e acreditamos que a fábrica contribuirá para uma adesão ainda maior dos consumidores capixabas, que terão a montadora cada vez mais próxima”, destaca.