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Economia

Mesmo num cenário de cautela, indústria deve produzir mais no ES em 2020

A produção capixaba caiu 15,7%, no ano passado, o pior resultado, disparado, em todo o Brasil. Buraco quase três vezes maior do que o do segundo pior, que foi Minas Gerais, com -5,6%

Publicado em 14 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

14 fev 2020 às 04:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Samarco está com suas operações paralisadas há quase quatro anos, mas deve retornar em 2020 Crédito: Arquivo AG
O IBGE divulgou nesta semana o desempenho da indústria brasileira em 2019, e o Espírito Santo saiu péssimo na foto. A produção capixaba caiu 15,7%. Disparado, o pior resultado em todo o Brasil. Buraco quase três vezes maior do que o do segundo pior (Minas Gerais, com -5,6%).
O recuo de 15,7% aparece na comparação com 2018, que também teve queda na produção: -1,7%. Portanto, dois anos seguidos de afundamento. O parque industrial capixaba ainda não se recuperou do grande baque sofrido em 2016, quando a produção definhou 18,7%.
A recessão econômica e a seca prolongada no solo capixaba contribuíram muito para esse dessabor. Vale lembrar que o PIB estadual recuou 9,3%, causando perplexidade em 2016, após cair 2,1% em 2015. As perdas foram tantas que, até hoje, indústria local não conseguiu se recuperar, inteiramente.
Assim, fragilizada, nossa indústria começa 2020. A perspectiva é de que neste ano o desempenho melhore, mas é preciso tomar cuidado com esse discurso. Vem sendo repetido há anos, sem sucesso. Em 2019, dizia-se a mesma coisa no meio industrial e a produção despencou 15,7%.
Os ingredientes do otimismo para 2020 são repetitivos: carteira de investimentos superior a R$ 60 bilhões, até 2023;  excelência na gestão das contas públicas, reconhecida pelo Tesouro Nacional e ambiente de negócios que transmite confiança às decisões de investimentos. São vantagens competitivas, sem dúvida, mas os resultados na indústria permanecem muito longe do desejável.
As ressalvas que devem ser feitas é que em 2019 houve suspensão temporária das atividades da Suzano (antiga Fibria), chamada de parada técnica, para ajustes na fábrica, afetando a produção de celulose. Também registrou-se redução no volume de minério de ferro, após o rompimento da barragem em Brumadinho. Não se espera novo rompimento de barragem em 2020, e isso já cria expectativa de mais produção do que no ano passado. Já a produção estadual de óleos brutos de petróleo e gás natural e espera-se que isso não se repita neste ano.
Na verdade, a produção industrial do Espírito Santo está sujeita a altos e baixos - alguns muito fortes, como em 2016 e 2018 . Isso porque a performance geral do setor é altamente dependente de poucos segmentos: mineração, aço, celulose e petróleo. Problema em qualquer um deles joga o resultado estadual para baixo.
E tratam-se de commodities, sempre sujeitas a oscilações nas ondas do mercado internacional. Aliás, a instabilidade do comércio global é séria ameaça à economia capixaba em 2020. Se Trump for reeleito, o cenário pode ficar mais instável.
Mas teremos em 2020 a volta operacional da Samarco,  o que deve contribuir para movimentar a economia capixaba, beneficiando exportações, indústria, comércio e serviços.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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