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A todo vapor

O que explica a valorização crescente do mercado imobiliário de Vila Velha?

Com a maior valorização imobiliária do país em 2026, cidade atrai investimentos e expande novos eixos de desenvolvimento

Publicado em 23 de Maio de 2026 às 07:05

Yasmin Spiegel

Publicado em 

23 mai 2026 às 07:05
Fatores como qualidade de vida e infraestrutura tem impulsionado valorização de Vila Velha

Vila Velha chega aos 491 anos em meio a um momento expressivo do mercado imobiliário. Impulsionada por obras de infraestrutura, expansão urbana, qualidade de vida e uma forte onda de investimentos privados, a cidade se consolidou como uma da regiões mais valorizados do Brasil.

Os números comprovam esse movimento: dados do índice FipeZap mostram que Vila Velha registrou, em abril deste ano, a maior valorização imobiliária do país entre todas as cidades monitoradas, incluindo capitais, com alta de 2,07% no mês. No acumulado de 2026, a cidade também lidera o ranking nacional, com valorização de 5,61%. Já no recorte dos últimos 12 meses, o município aparece com valorização de 13,37%, a maior entre as cidades não capitais do Brasil.

Atualmente, o preço médio do metro quadrado em Vila Velha já alcança R$ 10,9 mil, colocando a cidade entre os dez municípios com o metro quadrado mais valorizado do país. Vila Velha concentra 127 empreendimentos em construção, mais da metade de todos os projetos da Grande Vitória, além de quase 10 mil unidades em obras, sendo que 76% delas já foram comercializadas - dados retirados do último Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES).

Para o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, a valorização é resultado direto da transformação urbana vivida pela cidade nos últimos anos. “Quando a prefeitura amplia a mobilidade, investe em drenagem, saneamento, pavimentação, iluminação pública e urbanização, as regiões se tornam mais organizadas, acessíveis e atrativas para morar e investir”, afirma.

Segundo ele, além das obras estruturantes, a modernização administrativa também ajudou a impulsionar o ambiente de negócios. Programas de desburocratização e digitalização de processos deram mais previsibilidade ao setor imobiliário e atraíram novos investidores.

“Desde o início da gestão, trabalhamos fortemente na desburocratização e na modernização administrativa. O Programa Vila Velha Ágil, por exemplo, reduziu o tempo de análise de processos e fortaleceu a segurança jurídica para novos empreendimentos. Além disso, segundo o IPC Maps 2025, o município possui o maior potencial de consumo do Espírito Santo, com mais de R$ 24,7 bilhões”, comenta o prefeito. 

Espaço que falta em Vitória sobra em Vila Velha

Fachada do Bella Fiori, novo empreendimento da Cittá em Itapuã
Fachada do Bella Fiore, novo empreendimento da Cittá em Itapuã Créditos: Divulgação
Além disso, para empresários e representantes do mercado, parte do crescimento de Vila Velha também está ligado às limitações territoriais de Vitória. Com escassez de áreas disponíveis para novos empreendimentos na Capital, a expansão imobiliária migrou naturalmente para o município canela-verde. 

O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, avalia que Vila Velha reúne uma combinação rara entre potencial geográfico, infraestrutura e gestão pública favorável ao crescimento.

“O município tem dimensão territorial, paisagem valorizada e recebeu investimentos importantes em drenagem, mobilidade e infraestrutura. Além disso, houve ganho de agilidade na aprovação de projetos e mais segurança jurídica para os empreendimentos”, destaca.

Ele observa ainda que a cidade passou a atender uma demanda reprimida da classe média, especialmente por apartamentos de dois e três quartos, tipologia que havia perdido espaço para os studios nos últimos anos.

Esse movimento também é percebido pelas construtoras. Roberto Puppim, diretor da Città Engenharia, que construiu 42 prédios na cidade e acabou de lançar o Bella Fiore, em Itapuã, afirma que Vila Velha se tornou uma “extensão natural” de Vitória. 


“Vitória não tem mais área para crescer. Vila Velha acaba absorvendo essa demanda e consegue equilibrar oferta e procura, mantendo velocidade de vendas e valorização constante”, analisa.

Cidade cria novos vetores de crescimento

Boulevard Arbori
Boulevard Arbori é primeiro condomínio do projeto urbanístico Parque Nari, da Vaz Desenvolvimentos
Créditos: Divulgação/Vaz Empreendimentos

Embora bairros tradicionais da orla, como Praia da Costa, Itapuã e Praia de Itaparica, continuem liderando a valorização, especialistas apontam que o crescimento imobiliário da cidade já avança para novas regiões. O diretor de economia e estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, afirma que Vila Velha vive um processo simultâneo de verticalização da orla e interiorização do desenvolvimento urbano.

“Os bairros da orla seguem valorizando, porque os terrenos próximos ao mar estão ficando escassos. Mas existe uma tendência clara de crescimento para regiões ligadas à Rodovia do Sol, Leste-Oeste e Darly Santos”, explica.

Para Carlos Baracho, diretor de operações da Cobra Engenharia, construtora que prepara um novo lançamento em Itapuã, no quesito infraestrutura, obras como a da Rodovia do Sol, da Darly Santos e da Leste-Oeste ampliaram o potencial de crescimento da cidade e deram mais segurança para novos investimentos. “Regiões como Jockey de Itaparica e áreas próximas aos corredores viários aparecem como novos vetores de expansão”, afirma.

Para além das regiões próximas à Rodovia do Sol, um dos lançamentos que mais tem atraído os olhos para a Leste-Oeste é o Boulevard Arbori, da Vaz Desenvolvimento Imobiliário. O projeto, que faz parte do projeto urbanístico Parque Nari, é o início de uma série de intervenções urbanas, que serão feitas ao longo da área de 3,8 milhões de metros quadrados da antiga Fazenda Rio Marinho.

O presidente da construtora, Douglas Vaz, afirma que a empresa aposta justamente na criação de novas centralidades urbanas: “A ideia é integrar moradia, tecnologia, educação, serviços e sustentabilidade em uma nova centralidade urbana planejada. Estamos unindo empreendimentos residenciais de alto padrão e projetos empresariais para criar um novo polo de conveniência, tecnológico, educacional, atrelados a qualidade de vida e com respeito e compromisso ao meio ambiente”, explica.

Já a Gold Construtora também vê potencial de crescimento em regiões além da orla tradicional. Para o presidente da empresa, Lucas Oliari, o desenvolvimento da cidade deve seguir avançando em direção ao eixo sul.

Space 177 foi primeira entrega da Gold Construtora
Space 177 foi primeira entrega da Gold Construtora Créditos: Divulgação

“A tendência é que Vila Velha cresça cada vez mais para regiões ligadas à Barra do Jucu, Rodovia do Sol e Jockey. A infraestrutura recente abriu novas possibilidades de expansão”, afirma. 

A construtora, que celebra seus três anos de atuação neste mês, optou, inclusive, por começar sua trajetória em Vila Velha: o Space 177, em Itaparica, foi sua primeira entrega. Além disso, Oliari se prepara para ampliar a presença da Gold no município com dois terrenos muito cobiçados: um na esquina da Jair de Andrade, em frente ao Carone de Itapuã, e outro localizado em uma das primeiras casas da Praia da Costa (esquina da rua Desembargador Augusto Botelho com a Jofredo Novaes). 

Segundo a Recanto Construtora, que também projeta lançamentos na cidade, a descentralização do desenvolvimento urbano e a expansão para bairros mais antigos e novos vetores de crescimento têm sido fundamentais para impulsionar a valorização imobiliária, principalmente no segmento do Minha Casa Minha Vida.

"Entendemos que o futuro de Vila Velha, especialmente no segmento do MCMV e da habitação popular, está nos bairros tradicionais do município, como Aribiri e Ataíde, que já oferecem a infraestrutura e os serviços essenciais demandados pelas famílias", comenta Pedro Bolsonello, diretor de Incorporações da Recanto Construtora.

Já para Vitor Soares, sócio da GS Construtora, o cenário segue favorável porque o mercado capixaba ainda possui “uma população que ainda tem muito espaço para aumentar sua taxa de aquisição de imóveis”, fator que sustenta a demanda e mantém a perspectiva positiva para os próximos anos.

Qualidade de vida impulsiona demanda

Royal Lancaster Residence, Proeng
Royal Lancaster Residence fica em Itaparica, a duas quadras do mar Créditos: Proeng/Divulgação

Além da infraestrutura e dos investimentos públicos, a qualidade de vida aparece como um dos principais fatores por trás da valorização imobiliária do município. Praias urbanas, sensação de segurança, mobilidade e oferta de serviços ajudam a atrair tanto moradores quanto investidores.

Para o mercado, Vila Velha conseguiu reunir características que hoje estão entre as mais desejadas por compradores de imóveis: proximidade com o mar, infraestrutura consolidada e potencial de valorização.

A diretora executiva da Proeng, Andrea Lessa afirma que a cidade vive um ciclo consistente de crescimento. “Existe uma procura muito forte por imóveis bem localizados e próximos ao litoral. Ao mesmo tempo, os empreendimentos estão mais modernos, com foco em lazer, tecnologia e experiência de moradia”, destaca. A construtora prepara um lançamento em Itaparica ainda para este ano.

A diretora da Kemp Empreendimentos, Rubia Zanelato, também aponta o crescimento da demanda por imóveis compactos voltados para locação e moradia flexível, especialmente nas áreas litorâneas. 

Sobre o futuro

Prefeitura de Vila Velha pretende aumentar ciclovias de 70km para 395km
Créditos: Carlos Alberto Silva 

Apesar do ritmo acelerado de expansão, a prefeitura afirma que o objetivo é garantir que o crescimento aconteça de forma sustentável. A revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e a implantação do Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade (PlanMob) fazem parte dessa estratégia e, entre as metas, está a ampliação da malha cicloviária da cidade, que deve passar de 70 quilômetros para 395 quilômetros nos próximos anos.

Segundo o prefeito Arnaldinho Borgo, o desafio agora é equilibrar crescimento econômico, mobilidade, infraestrutura e preservação ambiental. “O objetivo é permitir que Vila Velha continue atraindo investimentos e crescendo economicamente, mas sem abrir mão da organização urbana e da qualidade de vida”, afirma. 

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