Atriz, modelo, empresária e influenciadora, Thalita Zampirolli é um nome que carrega em si a força da superação e a beleza da representatividade. Nascida em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, ela transformou as dores de sua história em combustível para conquistar o mundo. Hoje, é a primeira atriz trans brasileira a atuar em Hollywood e divide sua vida entre os Estados Unidos e o Brasil.
Uma infância marcada por perdas e amor
Thalita perdeu a mãe ainda muito jovem. Foi nos braços dos avós que encontrou o acolhimento e o amor que a sustentaram diante das adversidades. “Meu pai nunca foi presente. Hoje eu sou quem sou por causa dos meus avós. Eles me ensinaram a ir atrás dos meus sonhos e me apoiaram muito na minha transição”, contou em entrevista para HZ.
Desde criança, ela já sabia quem era. “Desde que me entendo por gente eu sabia que eu era uma mulher. Sempre fui feminina e gostava de me vestir com roupas de mulher”, relembra.
Aos 12 anos, logo após a morte de sua mãe, começou a trabalhar como auxiliar em um salão de beleza. Aos 18, tomou duas decisões que mudariam sua vida: fez a cirurgia de redesignação de sexo e ingressou na universidade. Inicialmente, cursou Desenho Industrial na Ufes, mas depois se transferiu para o Rio de Janeiro, onde concluiu os estudos e começou a trilhar seus primeiros passos como modelo.
Do salão de beleza às telas da TV
O trabalho como modelo abriu portas na televisão. Thalita participou de propagandas e programas de auditório, mas foi um encontro nos bastidores do SBT que a marcou para sempre.
Foi no encontro com o Silvio Santos que eu decidi que gostaria de ser atriz. Ele me deu um conselho para seguir a carreira de atriz, eu segui e iniciei minha segunda graduação, dessa vez em artes cênicas
A escolha mudou sua trajetória. Vieram novelas, participações especiais e, pouco a pouco, a jovem capixaba foi conquistando espaço em um universo ainda marcado pelo preconceito.
Pioneira em Hollywood
O auge de sua carreira como atriz aconteceu em 2023, quando se tornou a primeira mulher trans brasileira em Hollywood. Ela participou do filme The Roommate, dirigido por Fabio Anffe, e definiu a experiência como um dos momentos mais emocionantes de sua vida. “Foi uma grande alegria e uma surpresa muito boa na minha carreira”, afirma.
Radicada nos Estados Unidos, Thalita também se consolidou como empresária, mas nunca deixou de se reconhecer como filha do Brasil, e, sobretudo, do Espírito Santo.
Samba no coração
Apesar do sucesso internacional, é no samba que Thalita encontra uma de suas maiores paixões. Fascinada pelo carnaval desde criança, quando os olhos brilhavam ao ver a Globeleza na TV, ela hoje ocupa um espaço histórico como rainha de bateria da Unidos da Ponte, no Rio de Janeiro, e da Chegou o Que Faltava, em Vitória.
“Eu amo o samba, comecei essa paixão desde criança em Cachoeiro de Itapemirim. Já passei por várias escolas e sou apaixonada por cada uma delas. Samba é amor e respeito!”, diz.
Mesmo morando fora do país, ela faz questão de manter o vínculo. “Faço questão de vir sempre ao Brasil, participar de eventos das escolas ao longo do ano e aprender com a comunidade. O carnaval é da comunidade, e sempre chego com respeito, pé no chão e muito amor”.
Com disciplina, também se dedica aos treinos na preparação para os desfiles. “Eu sempre gostei de treinar, mas no carnaval eu intensifico. Bebo mais água e chego a comer cerca de 40 ovos por dia”, conta.
Sonhos que não param
Depois de transformar dor em força, preconceito em representatividade e sonhos em realidade, Thalita agora vislumbra um futuro ainda mais especial. “Meu maior sonho é ser mãe. Está tudo planejado já”, revela.
A trajetória de Thalita Zampirolli é a de uma mulher que rompeu barreiras e abriu caminhos para muitas outras. Uma história de coragem, orgulho e identidade, sempre com raízes fincadas no Espírito Santo e o olhar voltado para o mundo.