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O Flamengo de Rogério Ceni não será campeão do Brasileirão

Rubro-Negro volta a ser derrotado e não aproveita mais uma ajuda preciosa do líder São Paulo. Revés para o Ceará, no Maracanã  neste domingo (10), mostra que time e treinador estão à deriva na competição.

Publicado em 10/01/2021 às 18h42
Atualizado em 10/01/2021 às 18h42
Flamengo
Gabigol começou no banco de reservas, entrou no meio do segundo tempo e parecia não entender o que Ceni o pedia. Crédito: Paulo Sergio/Agencia F8/Folhapress

Volante como zagueiro, atacante de lateral e o craque da equipe inexplicavelmente no banco... um resumo de um time atordoado e comandado por um treinador ainda mais perdido. O Flamengo treinado por Rogério Ceni não será campeão brasileiro.

O discurso de que os treinos são ótimos e de que vão seguir lutando pelo bicampeonato não passam de palavras da boca para fora dita por jogadores e membros da diretoria. Matematicamente ainda é possível, ainda mais com a má fase do líder, mas a calculadora não coloca a chuteira e empurra a bola no gol. 

Querem mais? Há poucas rodadas o Flamengo dependia apenas de si para ser campeão, mas tropeçou e passou a depender também de tropeços do líder São Paulo. Eles vieram e em sequência. O Tricolor do Morumbi fez apenas 6 pontos dos últimos 15 possíveis, sendo duas derrotas consecutivas. Resultados que colocariam qualquer time perseguidor na disputa, mas não o Flamengo. Na tão aguardada "sequência fácil" contra Fortaleza, Fluminense e Ceará, os dois últimos no Maracanã, o time carioca somou apenas um ponto.

O Flamengo que se vê após a retomada do futebol ainda em 2020 não é sequer um rascunho do time que fez a dobradinha Brasileirão e Libertadores. Torcedor, esse Flamengo é um passado distante e que dele sobraram apenas as memórias. Sobraram também alguns muitos jogadores do time multicampeão de Jorge Jesus, só que estes vivem péssima fase técnica e aparentam desmotivação.

Rogério Ceni e diretoria tem grande parcela de culpa nos péssimos resultados, porém não há como deixar de responsabilizar os atletas pelo momento pífio. São erros individuais clamorosos e gols perdidos de forma inacreditável a cada jogo. Everton Ribeiro, Bruno Henrique, destaques absolutos em um passado recente, são provas cabais desta queda técnica. Atuações que nada fazem lembrar os jogadores que encantavam. Some a isso uma bagunça tática em campo e está feita a tragédia futebolística.

O Flamengo mostrou-se um desafio grande demais para Ceni. O time defende mal, dá espaços em áreas críticas do campo, erra demasiadamente, pouco cria sem ser no desespero e não consegue ter forças para reagir. A solução caseira encontrada após a saída de Domènec Torrent também não se mostra nada eficaz.

Flamengo
Diego conseguiu melhorar o coletivo no segundo tempo, mas sem efetividade alguma no resultado. Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo

A ironia do destino é que Rogério Ceni, talvez o maior ídolo da história do São Paulo, treina um rival na disputa pela competição, e indiretamente ajuda o clube onde ganhou o mundo. E olha que o time paulista está fazendo um esforço danado para entregar esse título. O Fla, entretanto, não o quer e prova isso a cada rodada.

Diante disto, Atlético-MG, Internacional, Palmeiras e Grêmio, ainda que oscilantes, conseguiram encostar, tem jogos a menos para encurtar a diferença e prometem colocar fogo nas rodadas finais do Brasileirão.

Ao Rubro-Negro resta focar em garantir a vaga direta na Libertadores. Seria inimaginável dizer isso há poucas rodadas, mas o desempenho coloca em dúvida se o atual campeão continental conseguirá chegar diretamente à fase de grupos. Falar em garantir a vaga é a realidade aceitável, em título é utopia. O flamenguista vive mesmo é um pesadelo que se renova a cada partida.

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