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Antonio Padua
Antônio de Pádua Gurgel

"Uma ferramenta para ajudar na atração de negócios"

É dessa forma que o autor define sua nova obra, o livro "Portos do Espírito Santo", que retrata o passado, o presente e o futuro do complexo portuário capixaba

Antonio Padua
Vitória
Publicado em 07/04/2021 às 20h02

“Uma ferramenta para ajudar na atração de negócios para o Espírito Santo”. Assim o jornalista e editor Antônio de Pádua Gurgel define sua nova obra, o livro “Portos do Espírito Santo”, que será lançado no próximo dia 14 de abril, durante live em A Gazeta. Uma publicação, nas definições do próprio escritor, que trata do passado, presente e futuro do complexo portuário capixaba.

Autor e editor com cerca de 60 livros já lançados, a maioria sobre a história do Estado e de grandes personalidades capixabas, o escritor agora publica um resgate em 128 páginas da história dos portos do Espírito Santo, com curiosidades, oportunidades e potencialidades do maior complexo portuário da América Latina.

Em entrevista sobre o lançamento, Gurgel conta que trata-se de uma reedição de um trabalho sobre o mesmo tema já publicado por ele há cerca de 20 anos, que agora ganha nova abordagem e informações atualizadas numa versão bilíngue lançada pela editora Protexto. Foram três anos de trabalho na nova edição, que conta com patrocínio da ArcelorMittal Tubarão.

“É uma ferramenta para divulgar o complexo portuário capixaba dentro e fora do Brasil”, diz o autor, que acredita que novos investimentos e projetos em andamento nos portos do Estado vão estimular um novo ciclo de desenvolvimento da economia do Espírito Santo.

Como diferencial, Gurgel destaca que essa edição do livro traz os reflexos da globalização no Estado e relembra fatos históricos, inclusive globais, que tiveram reflexos nos portos capixabas. Ele cita, por exemplo, a invasão de Portugal pelo exército de Napoleão Bonaparte, que culminou na fuga da família real portuguesa para o Brasil em 1808.

Entenda essa influência e mais detalhes sobre o livro na entrevista:

O que o motivou a escrever novamente sobre os portos do Espírito Santo?

Primeiro que nós já tínhamos um trabalho nesse sentido. Esse projeto nasceu na década de 1990. Eu fazia suplementos especiais para um jornal de Vitória e um deles era chamado “O Espírito Santo e o comércio exterior”, que era muito usado por estudantes e empresas, que solicitavam o material para pesquisar sobre os portos, porque não tinha muito material sobre isso naquela época. Isso mais ou menos em 1994. Aí quando chegou em 1995 e 1996, uma dessas empresas me pediu novamente esse material e eu disse que os suplementos estavam desatualizados. Na época, a grande motivação da procura era com relação ao Corredor Centro-Leste (corredor ferroviário que liga o Espírito Santo ao Centro-Oeste do país), que era uma bandeira do então governador Albuíno Azeredo, e esse debate suscitou a necessidade desse suplemento. Em 1996, uma empresa, que era a antiga CST, hoje ArcelorMittal Tubarão, me procurou para pedir uma cópia do suplemento e eles me estimularam a fazer essa primeira publicação que saiu no final da década de 90. Voltar ao assunto agora se deve ao fato de tratar-se de um tema que voltou ao debate diante desse processo de globalização da economia, além do processo de modernização acelerado pelo qual tem passado os portos do Espírito Santo. Cada vez mais as exportações e importações estão sendo importantes para a economia do Estado. O nosso complexo portuário é considerado o maior da América Latina, com muitos terminais especializados, como de celulose, minério, produtos siderúrgicos e petróleo. Então, todas essas características do nosso atual complexo portuário levaram a necessidade de uma nova publicação.

O que essa edição traz de novidade?

Esse debate da globalização, com a hiper influência dos países entre si, também nos fez dar uma revisão na história, da influência de fatos históricos nos portos do Espírito Santo. Como é o caso do desaparecimento no século XVI de Dom Sebastião (rei de Portugal entre 1557 e 1578). Todos acreditavam que ele não tinha morrido e isso virou uma crença, se tornando uma lenda se ele ia voltar ou não. Esse fato levou a uma mudança no domínio da coroa portuguesa, porque na linha de sucessão tinha um primo dele que era rei da Espanha, Dom Felipe II, que passou a ser o rei da União Ibérica, formada por Espanha e Portugal. Como a coroa portuguesa tinha uma política comercial de que os portos da colônia só podiam negociar com Lisboa, a mudança no trono fez essa limitação cair e os portos das colônias, inclusive os do Espírito Santo, puderam negociar com outros países. Foi então que os portos capixabas passaram a enviar mercadorias para países da América do Sul, como Argentina e Uruguai, e houve uma dinamização na movimentação portuária. Esse tipo de episódio histórico nós ressaltamos no livro, por exemplo. Da mesma forma, a fuga da família real para o Brasil, em 1808, com a invasão de Napoleão. Os ingleses escoltaram os portugueses para o Brasil naquela fuga, mas exigiram a abertura dos portos para nações amigas, o que permitiu que a gente negociasse com a Inglaterra. O livro, nesta edição, traz um realce muito grande para essa interdependência dos nossos portos destes fatos históricos e também da relação com outros países. Até porque os principais clientes dos portos do Espírito Santos são outras nações, já que a cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país) ainda representa uma parcela menor da movimentação.

Quais as principais mudanças que o sr. se deparou ao pesquisar e escrever sobre o setor após quase 20 anos?

Nós fizemos uma grande atualização e mudou tudo praticamente. Naquela época, por exemplo, não tínhamos portos importantes como Portocel (Suzano), Ubu (Samarco) e o Terminal de Barcaças (ArcelorMittal). Em Tubarão, o complexo funcionava num nível operacional muito menor que hoje. Não tinham terminais específicos para óleo e gás. Os portos que existiam na década de 90 foram modernizados e outros surgiram também. Então mudou totalmente a realidade. E a legislação que rege o funcionamento dos portos também mudou. E tudo isso era importante registrarmos neste livro.

O livro chega a citar que o ES tem o maior complexo portuário da América Latina. Ao que atribui esse fato?

Temos aqui a presença de grandes projetos industriais que são competitivos justamente por terem seus próprios terminais. Como é o caso do próprio Complexo do Tubarão (Vale e ArcelorMittal), da antiga Aracruz Celulose (hoje Suzano) e da Samarco, que têm seus próprios terminais. E todos esses projetos ajudaram a dar dinamismo ao setor de portos. E aqui temos também o Corredor Centro-Leste que é muito importante para isso, porque as exportações que o Espírito Santo faz não são apenas de produtos produzidos aqui, mas também de produtos vindos de Minas Gerais e da região Centro-Oeste, sobretudo pela malha ferroviária. Grande parte dessa produção é escoada pelos nossos portos, até porque o Espírito Santo tem uma localização geográfica privilegiada.

O capixaba já se acostumou a ser cercado por portos: passar pelo Centro de Vitória e ver um grande navio manobrando, avistar aquela fila de espera de embarcações no horizonte, ou mesmo trabalhar nesses locais. Quais as contribuições o sr. acredita que o desenvolvimento dos portos deram para o Estado, pensando até além da economia?

O fato de termos uma grande movimentação nos portos implica na interação com diferentes povos, seja com os trabalhadores e operadores de embarcações, ou com países que importam e exportam do Espírito Santo. Essa interação gerou um enriquecimento cultural, um fenômeno da cosmopolitização da cultura capixaba. Vitória antigamente, por exemplo, era conhecida como uma cidade provinciana e arcaica, mas hoje em dia é uma cidade desenvolvida e que tem todos os recursos que são encontrados em outras grandes cidades. E acredito que isso tem muita ligação com a movimentação nos portos, que certamente contribuiu muito para a modernização do Espírito Santo e de Vitória em especial. Um porto traz desenvolvimento econômico e também social e cultural. O telefone, por exemplo, chegou ao Espírito Santo no século XIX e chegou ao município de Santa Leopoldina antes de Vitória. E isso porque o café produzido em Colatina e que vinha para ser escoado aqui pelo Porto de Vitória, era primeiramente levado nos lombos de burros para o porto fluvial de Cachoeiro de Santa Leopoldina. De lá saíam as mercadorias através do Rio Santa Maria para serem exportadas por Vitória. Como Santa Leopoldina acabou virando um entreposto comercial por causa do porto fluvial, isso levou muito desenvolvimento pra região. Então, as movimentações portuárias geram desenvolvimento, impostos, empregos, e também enriquecem o acervo cultural do nosso Estado.

O livro conta, além da história e do momento atual, sobre projetos e ações que devem representar o futuro do setor no Estado. O sr. acredita que esses investimentos devem impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento na economia capixaba?

Sem dúvida alguma. Quando existe uma maneira eficiente de escoar a produção, isso leva ao aparecimento de indústrias e empresas para utilizar esses terminais. O terminal da Imetame, em Aracruz, por exemplo, vai permitir o atracamento de embarcações de grande calado, ou seja, a quantidade de produtos operados pode ser em volume muito maior. A consequência disso é que empresas que tenham condições vão se alojar próximo a esse terminal ou buscar ter uma ligação a ele, como via ferroviária, para aproveitar a capacidade daquele porto. O complexo siderúrgico de Tubarão, por exemplo, existe porque tem o porto. O surgimento desses novos empreendimentos naturalmente geram o desenvolvimento, porque estimulam a atração de novas plantas industriais para aproveitar essas condições de operação.

Qual a contribuição que você acredita que o livro “Portos do Espírito Santo” dá aos capixabas e para o Estado?

Em primeiro lugar, é uma leitura importante para ter mais conhecimento sobre a história do Espírito Santo e a história do Brasil, porque os fatos narrados remontam ao século XVI. É também uma forma de estimular a autoestima do capixaba, para conhecer as operações ultra modernas e eficientes que são executadas aqui. Muita gente não sabe disso. Além disso, todo capixaba tem uma ligação com os portos, seja por morar perto de um e ser familiarizado com as operações, trabalhar ou conhecer quem trabalha no porto, ou mesmo por receber produtos que chegaram através dos nossos terminais. Portanto, a leitura do livro, além de conhecimentos históricos e da economia capixaba atualmente, vai permitir uma identificação por parte do leitor. E trata-se de um livro que surge num momento em que o Espírito Santo está procurando divulgar os portos capixabas e promover mais uma vez o Corredor Centro-Leste. Então ele vem como uma ferramenta para divulgar o complexo portuário capixaba dentro e fora do Brasil, já que ele é bilíngue. Recentemente, por exemplo, o governador Renato Casagrande e a presidente da Findes, Cris Samorini, foram a Minas Gerais e Goiás falar dos potenciais dos portos capixabas para eles escoarem os seus produtos por aqui. É um debate que está acontecendo. Então o livro é, acima de tudo, uma ferramenta para ajudar na atração de negócios para o Espírito Santo.

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