Repórter / [email protected]
Publicado em 30 de janeiro de 2023 às 11:51
O Ministério Público do Espírito Santo entrou na Justiça para obrigar a Câmara da Serra a informar corretamente os dados sobre gastos com servidores. O órgão afirma que cobra o Legislativo Municipal para que forneça as informações desde 2018, e até hoje elas não são disponibilizadas da maneira como exige a legislação.>
No site da Câmara, consta que existiam, em 2022, 47 servidores. De acordo com a página, todos eles têm o mesmo cargo e recebem exatamente o mesmo salário. Não é possível saber a que mês se refere a informação: se são todos os servidores ativos em dezembro de 2022 ou todos os que passaram pela Câmara no ano passado.>
Também não consta no site da Transparência quanto esses servidores receberam de auxílios, como ticket-alimentação, que hoje é pago aos servidores e que passará também a ser pago aos vereadores.>
Também não é possível saber se esses servidores receberam hora extra, algum tipo de auxílio transporte, jetons ou se receberam recurso de diárias de viagens, por exemplo.>
>
Essa não é a primeira vez que o Ministério Público estadual cobra transparência da Câmara da Serra. No fim do ano passado, foi votado o projeto que aumentava o número de vereadores na Casa de 23 para 25. No primeiro turno de votação, o nome dos vereadores que votaram contra e a favor da proposta só foi divulgado no site da Casa dois dias depois, após cobrança da imprensa e da população. >
O MP emitiu nota recomendatória requerendo que os atos fossem publicados em tempo real e de forma aberta para acesso a toda a população. Ainda assim, no segundo turno de votação, a lista com o votos dos vereadores só foi enviada à imprensa cinco horas depois da sessão.
>
Conforme argumenta o MPES, os dados sobre os servidores foram exigidos, pela primeira vez, em 2018. No ano seguinte, o então presidente da Câmara Rodrigo Caldeira pediu prazo de 30 dias para que fosse formada uma comissão na Casa para tratar do assunto.>
A primeira reunião da comissão que iria tratar da melhoria da transparência na Câmara só aconteceu em 2021. O grupo informou que era um processo complexo por conta de incompatibilidade entre sistemas.>
No fim do ano passado, Caldeira retornou ao MP e pediu mais 30 dias de prazo para que o sistema fosse alimentado com as informações corretas, o que também não foi cumprido. >
Na ação civil pública, o MP pede que o caso seja analisado com urgência. Segundo o órgão, a não divulgação desses dados faz aumentar o risco de que sejam cometidos atos de corrupção.>
"O perigo de dano revela-se, dentre outros fatores, no risco à eficiência e à transparência na administração pública, na medida em que o óbice ao controle que tal ausência propicia pode dar ensejo a possíveis atos de improbidade, corrupção, danos ao erário, irregularidade no uso das receitas públicas, dentre outras condutas ilícitas com potencial de serem cometidas pelo ente público inobservado", diz a ação.>
O MPES pede ainda à Justiça que a Câmara seja multada em R$ 1 mil por dia em que não cumprir com a determinação. >
Em nota, o presidente da Câmara da Serra, Saulinho da Academia, informou que convocou uma reunião da Comissão de Transparência de todos os setores com os fornecedores do portal.
>
"A Comissão de Transparência da Câmara Municipal da Serra segue realizando levantamento de melhorias a serem feitas para o devido atendimento da legislação. É de grande interesse dessa gestão poder contribuir, apresentando melhorias durante nosso mandato", diz a nota.
>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta