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No STF

Mendonça vota para manter prisão de juiz do ES condenado pela morte de Alexandre Martins

Ministro rejeitou os argumentos da defesa e votou pela manutenção da prisão preventiva; advogados de Antônio Leopoldo dizem que a prisão contraria decisões anteriores do próprio STF e do STJ

Publicado em 01 de Outubro de 2026 às 19:35

Tiago Alencar

Publicado em 

01 out 2026 às 19:35
Juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira
Antônio Leopoldo está preso preventivamente desde março deste ano Reprodução de vídeo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para manter a prisão do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira. Condenado pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) a 24 anos de prisão por ser um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em 2003, Leopoldo está preso preventivamente desde março deste ano.


O voto do ministro foi disponibilizado em sessão plenária iniciada na sexta-feira (25). Ainda faltam os votos dos outros quatro ministros que integram a Segunda Turma do STF. O julgamento do recurso está previsto para ser concluído nesta sexta-feira (2).

 

A defesa do magistrado afirma que a prisão decretada neste ano contraria decisões anteriores do próprio STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também segundo os advogados, em 2005 e 2006, os tribunais superiores revogaram a prisão de Antônio Leopoldo por entenderem que não havia risco à ordem pública.


Para a defesa, mais de 20 anos depois, o Tribunal de Justiça voltou a utilizar o argumento de risco à ordem pública para determinar a prisão, desta vez após a condenação, que ainda pode ser questionada por meio de recursos.


Já no recurso ao STF, a defesa de Leopoldo voltou a questionar a decisão que determinou a prisão preventiva. Argumentou que a medida foi decretada sem pedido prévio, não se baseia em fatos recentes e desconsidera que o réu respondeu ao processo em liberdade por cerca de 20 anos.


A defesa também sustentou que a decisão não explicou de forma suficiente por que a prisão seria necessária e que, na prática, a medida acabou funcionando como uma antecipação do cumprimento da pena. Por isso, pediu a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a substituição por outras medidas cautelares.


André Mendonça entendeu que, apesar de Antônio Leopoldo ter permanecido em liberdade por cerca de duas décadas, continuam presentes razões concretas para mantê-lo preso, principalmente diante da gravidade e das circunstâncias do assassinato de Alexandre Martins e do impacto institucional atribuído ao crime. Para o ministro, o tempo transcorrido não elimina, por si só, a necessidade da prisão preventiva.


Mendonça também afastou a alegação de que a prisão teria sido decretada sem provocação do Ministério Público. Segundo o ministro, houve pedidos expressos de prisão ao longo do processo, inclusive durante o julgamento e na audiência de custódia, o que afasta a tese de que o Tribunal de Justiça tenha determinado a medida por iniciativa própria.


O ministro ainda rejeitou o argumento de que a prisão preventiva representaria uma antecipação do cumprimento da pena. Para ele, a medida tem caráter cautelar e está amparada em elementos concretos do caso.


Mendonça citou o planejamento do homicídio, a atuação atribuída a Antônio Leopoldo no esquema criminoso e as consequências do assassinato de um magistrado como fundamentos para justificar a manutenção da prisão.

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