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Eleições 2026

Justiça pede esclarecimentos a mais 18 empresas sobre encontros com candidatos no ES

Decisão do corregedor regional eleitoral foi tomada após ação de coligação de chapa para o governo capixaba

Publicado em 09 de Setembro de 2026 às 16:08

Publicado em 

09 set 2026 às 16:08
Após uma nova ação, a Justiça Eleitoral está pedindo esclarecimentos a mais 18 empresas e cooperativas do Espírito Santo sobre encontros políticos com funcionários dessas unidades. A solicitação é para apurar a ocorrência de crime de assédio eleitoral e abuso de poder econômico que poderiam ter sido praticados por candidatos que participaram das reuniões. Outro episódio já havia sido registrado no mês passado

Desta vez, a ação foi proposta pela coligação "Agora é o Futuro", do candidato Ricardo Ferraço (MDB), que disputa a reeleição para o governo do Estado, contra Lorenzo Pazolini (Republicanos) e a vice dele, Eliane Leal (PL), concorrentes diretos ao Palácio Anchieta. 
Sede TRE-ES
Sede do TRE-ES, responsável pela análise do caso envolvendo candidaturas ao governo do Estado  Divulgação

Para apurar as supostas irregularidades, o desembargador Arthur José Neiva de Almeida, corregedor regional eleitoral, em decisão publicada na última segunda-feira (7), requisitou informações às empresas, embora não sejam elas o alvo de investigação. Entre outros dados sobre os encontros, devem responder aos seguintes questionamentos:


  • vínculo dos participantes das reuniões com a empresa, isto é, se eram funcionários, prestadores de serviços ou se tinham outro tipo de relação;
  • se o encontro aconteceu no horário de expediente e a duração;
  • quem foi o responsável por organizar, autorizar ou promover a visita na empresa;
  • de que forma os funcionários foram informados, convidados ou convocados para o encontro, devendo as empresas enviar cópias de convites, circulares, e-mails ou mensagens internas caso existam; 
  • se houve alguma orientação, recomendação ou solicitação por parte da chefia ou da direção da empresa para que os funcionários participassem do encontro, ou se a participação foi voluntária;
  • também devem informar se houve manifestação política durante o encontro, com pedido explícito de voto, apoio eleitoral, apresentação de propostas, ou uso de materiais de campanha como bandeiras e adesivos.

Veja também 

Data: 27/12/2019 - ES - Vitória - Fachada da sede do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Espírito Santo

Justiça pede esclarecimentos a 7 empresas sobre reuniões com candidatos no ES

Empresas citadas
As empresas e cooperativas citadas, que vão ter até dez dias para se manifestar na ação, estão sediadas na Grande Vitória e no interior, com atuação em diferentes áreas. São elas:

  1. Ajellso
  2. Cervejaria Dus Grillo (na ação, a grafia está "Du Grillus")
  3. Cooabriel
  4. Coopram
  5. Dinâmica Alimentos
  6. E&L On Line
  7. E&L Produções de Software
  8. Extrabom (Grupo Coutinho)
  9. Extrafruti
  10. Fardin Doces e Alimentos
  11. Fardin Metalúrgica
  12. Grupo Argalit
  13. Jolivan Transportes
  14. Paletitas
  15. Placas do Brasil
  16. Pomar
  17. Refrigerante Coroa
  18. Samarco

Todas foram procuradas por A Gazeta, por meio de assessoria de imprensa, marketing, contatos telefônicos e e-mails das unidades, mensagem em aplicativo ou em redes sociais. O espaço segue aberto para eventuais manifestações. Veja quem já se posicionou sobre o caso.

Ajellso
A empresa informa, em nota, que até o momento não foi formalmente notificada pela Justiça Eleitoral sobre a decisão. "Tão logo seja regularmente cientificada, a empresa tomará conhecimento integral de seu conteúdo e prestará, com transparência e nos termos da lei, todas as informações eventualmente requisitadas pela Justiça Eleitoral."

Cervejaria Dus Grillo 
A empresa ressaltou que não tem qualquer cunho ou vínculo político. "Somos um empreendimento privado e um ponto turístico, aberto ao público e que recebe de forma cordial e democrática qualquer pessoa que queira conhecer o espaço, independentemente de posição política, partido ou preferência eleitoral."

A cervejaria também destacou que a presença de qualquer pessoa em suas dependências não significa apoio, participação ou envolvimento político da empresa. "Recebemos todos com respeito e da mesma maneira, justamente por entendermos que nosso espaço é destinado ao lazer, turismo, gastronomia e convivência."

Extrabom
Do Grupo Coutinho, a rede de supermercados informa que não recebeu nenhuma comunicação do fato.

Extrafruti
A empresa diz que não teve acesso ao objeto da denúncia e só irá se pronunciar após a análise da ação.

Grupo Argalit
A empresa também afirma que não recebeu qualquer tipo de notificação da Justiça Eleitoral e, quando for solicitada, vai prestar os esclarecimentos cabíveis.

Jolivan Transportes
Da mesma maneira, a empresa disse não ter sido comunicada da ação. "Caso sejamos mencionados e intimados, nós manifestaremos em momento oportuno."

Paletitas
A empresa afirmou que não vai comentar o assunto.  

Samarco
A mineradora informa que, até o momento, não foi comunicada sobre eventual pedido de esclarecimentos por parte da Justiça Eleitoral e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer informações que venham a ser solicitadas.
Redes sociais

A decisão do desembargador também notificou as plataformas Meta e Google para que conservem dados de postagens em redes sociais com registros dos tais eventos. 


Nesta fase do processo, a Justiça Eleitoral determinou medidas estritamente para a preservação e produção antecipada de provas (como registros de acesso, folhas de ponto de funcionários e dados de redes sociais), sem que tenha sido feito, ainda, um julgamento definitivo sobre a ocorrência ou não dos crimes eleitorais apontados.


Esse é um ponto também ressaltado pela equipe de Pazolini, que, em nota, respondeu sobre o processo. 


"A ação envolvendo o candidato Lorenzo Pazolini não significa que a Justiça tenha reconhecido qualquer irregularidade nas visitas realizadas a empresas. A decisão deixa claro que, neste momento, o objetivo é apenas colher informações para entender como esses encontros aconteceram", diz um trecho da manifestação.


A defesa do republicano destaca ainda uma parte da decisão judicial, observando que "o próprio Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) afirma que a simples visita de um candidato ou pré-candidato a uma empresa, mesmo com a presença de trabalhadores, não permite concluir que houve pressão, constrangimento ou obrigação de participar".


Também fez menção à ação proposta por Pazolini contra a chapa de Ricardo por visitas a empresas. 


"São processos que apuram circunstâncias próprias, distintas e que ainda não representam uma conclusão definitiva da Justiça sobre a existência de ilícito eleitoral. No caso de Pazolini, a decisão registra expressamente que a produção das provas foi autorizada sem antecipar qualquer julgamento sobre a existência de assédio eleitoral ou abuso de poder econômico",  finaliza. 

A nova decisão ocorre cerca de 15 dias após a solicitação judicial para que sete empresas prestassem informações sobre supostas reuniões de caráter político-eleitoral envolvendo funcionários. Deu-se em resposta a uma cautelar apresentada pela coligação “Paz pra Viver um Novo Tempo”, formada pelos partidos Republicanos e Agir. Os alvos daquela ação eram, entre outros, o  governador Ricardo Ferraço, candidato à reeleição, e o ex-governador Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado.

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