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PEC da antecipação está em vigor

Governo Casagrande defende que eleição na Assembleia do ES seja em 2021

Para o secretário da Casa Civil, a antecipação da eleição da Mesa Diretora não foi bem recebida pela sociedade. Presidente da Assembleia recuou da votação, mas emenda ainda está valendo

Publicado em 04 de Dezembro de 2019 às 21:29

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 dez 2019 às 21:29
Davi Diniz, secretário da Casa Civil Crédito: Fernando Madeira
Com o recuo do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Erick Musso (Republicanos) - que em carta assinada por ele e outros 21 deputados cancelou a eleição da Mesa Diretora nesta quarta-feira (4) -, o governo Casagrande defende que a emenda à Constituição que permite a antecipação da votação seja anulada. Com isso, a escolha do próximo presidente do Legislativo voltaria a ocorrer no dia 1º de fevereiro de 2021, como estava previsto originalmente na Constituição Estadual.
O secretário da Casa Civil, Davi Diniz, disse que o governo não participou das movimentações que levaram o presidente do Legislativo estadual a desistir da eleição, que o reconduziria a mais dois anos de mandato, a partir de 2021. "O governo desde o início foi contrário à antecipação da eleição. No entanto, a renúncia dos deputados ainda mantém a PEC (que permite a antecipação) vigente. Vamos aguardar a decisão da Justiça, mas acreditamos que a eleição da Mesa deve acontecer em 2021. A OAB agiu e a sociedade mostrou que não aprovou a decisão [da Assembleia]. Então, não há o que se discutir", afirmou.
O governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que era contrário à proposta para antecipar a eleição da Mesa Diretora, classificando-a como inadequada. No entanto, afirmou que não interferiria em assunto do Poder Legislativo.  Após a realização da eleição relâmpago, dois dias depois da aprovação da PEC, o governador disse que a medida fragilizava a Assembleia.
Nesta quarta, Casagrande foi procurado após a decisão dos parlamentares para falar sobre a mudança, mas, via assessoria, ele informou que não comentará o assunto.
Recém-nomeado, o líder do governo na Assembleia, Freitas (PSB), reforçou o pedido para que os deputados voltem atrás e também anulem a emenda que permite a antecipação da eleição. "Ficou claro que não houve aceitação da sociedade. O ato renuncia apenas a eleição, mas mantém a emenda. Queremos que ela seja eliminada. Não temos outra perspectiva de eleição que não seja ela sendo realizada em fevereiro de 2021. O desgaste que esta votação antecipada provocou para a Assembleia é evidente. Uma vez que isso seja corrigido, a gente deve seguir o caminho para ser mais transparente e eficiente", argumentou.
Freitas votou a favor da PEC para antecipar a eleição da Mesa Diretora da Casa. Durante o rápido processo eleitoral, que pegou de surpresa governo e deputados governistas, ele foi absorvido pela chapa eleita, encabeçada por Erick Musso, no posto de 2º secretário. No sábado seguinte, dia 30, o deputado do PSB aceitou o convite de Casagrande e se tornou líder do governo na Assembleia, função que era de Enivaldo dos Anjos (PSD) - que também votou a favor da PEC. 

RECUO DE ERICK MUSSO

A desistência do Legislativo estadual em manter a eleição antecipada da Mesa Diretora para o biênio 2021-2022 se dá após duas ações judiciais, tanto na esfera estadual quanto na federal, para anular a votação.
No Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) tramita uma ação para que a eleição seja refeita, respeitando um prazo de sete dias para que outras chapas possam se inscrever para concorrer. De acordo com a advogada que assina o pedido, Daiane Santos, o processo será mantido até que Erick Musso defina os próximos passos. "Não houve posse, então não há renúncia. Caso ele opte por cancelar a votação, para marcar uma próxima, o mandado de segurança perde o objeto, já que ele estaria fazendo de ofício o que a Justiça o obrigaria a fazer", explicou. O processo, se mantido, deverá ser analisado pelos desembargadores, após relatoria do desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa.
Já a ação em âmbito federal, protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Espírito Santo (OAB-ES), pede que, além da votação, também seja anulada a emenda constitucional, já que teria existido uma falha técnica quando o Legislativo criou uma comissão especial para discutir o tema. Segundo a Constituição Estadual, as comissões especiais só devem ser criadas para temas de interesse do Estado ou da população, e não do próprio Legislativo.

PRÓXIMOS PASSOS

Erick Musso ainda não definiu se haverá uma nova eleição nos próximos dias ou se o pleito será realizado em 2021, como estava previsto anteriormente. Na carta, assinada por ele e outros 21 deputados, os parlamentares renunciam à eleição, "mas mantêm sua posição sobre a Emenda à Constituição".

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