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Embaixada brasileira

Embaixada nos EUA vira alvo de disputa no Itamaraty

Saída de Sérgio Amaral abre corrida por representação mais cobiçada no exterior

Publicado em 13 de Abril de 2019 às 11:57

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13 abr 2019 às 11:57
O chanceler Ernesto Araújo, que disputa com Eduardo Bolsonaro a indicação do novo embaixador em Washington Crédito: ADRIANO MACHADO/REUTERS-11/4/2019
Com a remoção do embaixador Sérgio Amaral de Washington, tanto a embaixada brasileira nos Estados Unidos quanto a embaixada americana no Brasil estão, na prática, acéfalas. Quem responde pela embaixada dos EUA em Brasília desde o ano passado é o encarregado de Negócios, William Popp. A expectativa era de que o nome do novo embaixador fosse anunciado para o presidente Jair Bolsonaro no seu encontro com Donald Trump, mas isso não ocorreu.
A partir da publicação da sua remoção no Diário Oficial da União, que ocorreu nesta sexta-feira, 12, Amaral ainda tem dois meses para providenciar a mudança e fazer a transição, mas o que o mundo diplomático, empresarial e político quer efetivamente saber é quem será seu substituto nesse posto, disputado por dez entre dez diplomatas não apenas brasileiros, mas do mundo todo.
No dia 13 de março, num café da manhã com jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que trocaria o embaixador do Brasil em Washington – o cargo mais importante do Itamaraty no exterior – e justificou que o ocupante que Amaral não estava defendendo a imagem do Brasil.
Naquela conversa, Bolsonaro justificou que não poderia tirar Sérgio Amaral imediatamente porque estava às vésperas de embarcar para uma visita oficial aos EUA e que a decisão só seria formalizada na volta. Indicado pelo seu amigo José Serra, então chanceler do presidente Michel Temer, Amaral soube do afastamento pela imprensa e começou a arrumar malas, gavetas e acomodação para sua filha, que estuda nos EUA. Mas a visita de Bolsonaro acabou e a demissão não veio.
Depois de o Itamaraty lhe pedir para esperar mais um tempo, Amaral inverteu o jogo: ligou para o Itamaraty em Brasília, alegou que sua mãe está doente e pediu para ser logo transferido. Ele tem dois meses para efetivar a mudança para a representação do Itamaraty em São Paulo, onde morava antes de ir para Washington. Ele é embaixador aposentado, o que não o impede de assumir embaixadas no exterior nem o futuro cargo.
OS NOMES MAIS COTADOS PARA WASHINGTON
Os nomes que chegaram a ser cotados foram o do cientista político Murillo de Aragão, da Consultoria Arko Advice, que era apadrinhado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, e o do ministro de segunda classe Néstor Forster, preferido do chanceler Ernesto Araújo. Aragão não é diplomata e seria algo surpreendente, ou até inédito, nomear alguém fora da carreira para um cargo-chave. E Forster nem foi ainda promovido a embaixador e seria igualmente embaraçoso um diplomata júnior assumir justamente a Embaixada em Washington.
A equipe de Ernesto Araújo está convicta de que caberá a ele a escolha do novo embaixador, mas há dúvidas, por causa do grande envolvimento e influência do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) nas questões externas. Ele é filho do presidente Jair Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e teve destaque em duas viagens aos EUA, inclusive na visita oficial do presidente.
Apesar de Bolsonaro ter dito no café da manhã de março que haveria a troca de cerca de quinze embaixadores, a cúpula do Itamaraty informa que enviou uma lista de 45 nomes para a Casa Civil, incluindo embaixadores que ocupam efetivamente embaixadas, mas também os que chefiam consulados e representações em organismos internacionais. Desse total, seis estão voltando ao Brasil porque se aposentam neste ano.
Alguns nomes confirmados: Carlos Simas Magalhães sai do Paraguai para Portugal, Flavio Damaco vai de Cingapura para o Paraguai, Antonio Patriota, ex-chanceler de Dilma Rousseff, muda da Itália para o Egito. Além disso, Ronaldo Costa assume a representação brasileira junto à ONU, em Nova York, Santiago Mourão vai para a da Unesco e Pedro Bretas, para a da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
 
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