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Publicado em 27 de março de 2026 às 09:30
A pouco mais de uma semana do fim da janela partidária, que termina no próximo dia 3 de abril, nove deputados do Espírito Santo trocaram de legenda visando às eleições deste ano. >
No caso dos deputados estaduais, seis aproveitaram o período em que é possível trocar de partido sem o risco de perder o mandato. Sérgio Meneguelli, eleito pelo Republicanos no pleito de quatro anos atrás, decidiu se filiar ao Partido Social Democrático (PSD) em busca de uma vaga no Senado.>
Em ato de filiação realizado no último dia 6 de março, em São Paulo, com a participação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Meneguelli teria recebido a chancela de sua nova legenda para integrar a lista de candidatos a uma cadeira de senador pelo Espírito Santo.>
O projeto de disputar o cargo de senador faz parte dos planos de Meneguelli desde 2022. No entanto, sua legenda não endossou a candidatura à época e terminou por lançar Erick Musso, ex-presidente da Assembleia Legislativa (Ales) e atual presidente estaduaL do Republicanos, como o nome da sigla para o posto vislumbrado pelo ex-prefeito de Colatina.>
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Também migrando para novo abrigo partidário, os deputados Vandinho Leite e Mazinho dos Anjos aproveitaram a janela para deixar o PSDB, após a crise interna gerada pela definição, em dezembro de 2025, de Arnaldinho Borgo, prefeito de Vila Velha, como novo presidente da legenda. Ambos confirmaram filiação ao MDB, presidido em âmbito estadual pelo vice-governador Ricardo Ferraço.>
Vandinho, ex-presidente do PSDB estadual, é o atual líder do governo na Ales, enquanto Mazinhho ocupa a presidência da Comissão de Finanças na Casa de Leis. Os dois vão tentar reeleição, conforme confirmado à reportagem de A Gazeta nesta quarta-feira (25).>
Ainda integram a lista de deputados estaduais com novos destinos partidários: Adilson Espíndula, que saiu do PSD e foi para o Progressista (PP) visando à reeleição; Fabrício Gandini, que trocou o PSD pelo Podemos; e Marcos Madureira, que deixou o PP rumo ao Mobiliza. >
A reportagem tentou contato com os parlamentares para mais informações sobre seus projetos para o pleito deste ano. Adilson Espíndula confirmou que tentará reeleição. Em caso de resposta dos demais deputados, este texto será atualizado.>
Entre os deputado federais, Amaro Neto encabeça a lista dos que se apegaram à janela partidária para trocar de legenda. No segundo mandato como deputado federal, o parlamentar chegará às urnas filiado a seu terceiro partido, desde que se elegeu para o cargo em 2018, pelo PRB. Em 2022, integrou a corrida eleitoral pelo Republicanos, sigla que deixou em março deste ano com destino ao PP.>
Messias Donato chegou à Câmara dos Deputados eleito pelo Republicanos, no pleito de 2022. Agora tentará repetir o feito filiado ao União Brasil. Quem encerra a relação de parlamentares federais com novo partido é Victor Linhalis. >
Um dos principais quadros do Podemos no Espírito Santo, o deputado decidiu trocar a legenda pelo PSDB, visando à composição da chapa de deputado federal a ser montada pelo atual presidente do tucanato capixaba, Arnaldinho Borgo.>
A janela partidária é a liberação para políticos trocarem de partido sem perder o cargo. Em 2026, esse prazo começou sete meses antes das eleições de 4 de outubro e serve, também, para reorganizar as peças no tabuleiro político antes da corrida eleitoral.>
Neste ano, a regra vale apenas para deputados (federais, estaduais e distritais) que estão em fim de mandato. Vereadores ficam de fora, pois foram eleitos em 2024 e ainda têm dois anos de mandato. Já quem ocupa cargos como presidente, governador ou senador tem mais liberdade e pode mudar de legenda sem precisar de uma liberação mediante justificativa formal.>
Conforme o regramento eleitoral, nos cargos de deputados e vereadores, a vaga pertence ao partido, não à pessoa. Por isso, sair fora do prazo da janela pode ser considerado "infidelidade" e causar a perda do mandato. A janela partidária funciona, portanto, como uma autorização oficial para essa mudança sem riscos jurídicos.>
Segundo o advogado eleitoral Rodrigo Fardin, a janela eleitoral traz aspectos importantes para a configuração do tabuleiro político até a oficialização das candidaturas, entre eles o maior prazo para discussão e formação de chapas, além da liberdade que os candidatos têm para trocar de abrigo partidário sem implicações legais.>
"Os partidos ganharam mais tempo e segurança para articular a construção de chapas proporcionais (candidatos a deputado estadual e federal). Sobre o aspecto da segurança, um candidato pode migrar para outro projeto político sem preocupação de ser punido por infidelidade à legenda que o elegeu anteriormente. Ou seja, essa mudança nesse período é especialmente vantajosa, pois traz garantia jurídica e dispensa qualquer justificativa adicional, bastando que ocorra dentro do prazo previsto em lei", afirma o especialista.>
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