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Publicado em 24 de março de 2026 às 16:27
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Governador Lindenberg, no Noroeste do Espírito Santo, Genivaldo Piona, foi condenado a devolver R$ 339.931,00 aos cofres públicos, referentes a supostas fraudes em diárias pagas pelo Legislativo entre os anos de 2009 e 2011. A setença é do juiz da Vara da Fazenda Pública de Colatina, Menandro Taufner Gomes, e foi assinada na última quinta-feira (19).>
No processo, é destacado que houve casos em que as diárias pagas durante a gestão de Genivaldo Piona como presidente da Câmara chegaram a representar acréscimo de até 82,9% na remuneração dos parlamentares à época. O parlamentar ainda pode recorrer da condenação junto ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).>
A defesa do ex-vereador foi procurada para comentar a condenação pela Justiça, mas informou que não comentará o caso neste momento.>
A denúncia que culminou na condenação do ex-vereador aponta que o esquema envolvendo as diárias pagas a parlamentares em Governador Lindenberg consistia na simulação de viagens para o recebimento de valores visando ao custeio dos supostos deslocamentos.>
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Ainda de acordo com os autos, a suposta fraude foi comprovada pelo cruzamento de dados: as atas das sessões da Câmara registravam a presença física e a assinatura dos beneficiários das diárias, nas mesmas datas em que eles alegavam estar viajando. >
Na justificativas apresentadas para a liberação das diárias, os parlamentares alegavam participação em eventos e cursos em lugares como Porto Seguro, na Bahia, além de também mencionarem formações em Brasília e Minas Gerais, quando, na verdade, nem sequer haviam saído do município, segundo os autos.>
Genivaldo Piona, por exemplo, teria pedido diária em 2009 para participação na "XII Marcha em Defesa dos Municípios", em Brasília. No entanto, no mesmo dia em que o evento ocorreria, o então parlamentar presidiu a sessão na Casa de Leis. Casos semelhantes se seguiram ao longo de dois anos, ainda segundo o processo.>
A atuação dos parlamentares é chamada de "fenômeno metafísico" pelo juiz autor da sentença, que reconhece, em sua decisão, o ex-presidente da Câmara como comandante de um esquema que beneficiava a ele mesmo e a seus aliados na Casa de Leis. Para o magistrado, a capacidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo "desafia as leis da física e a lógica racional".>
"O réu não apenas permitiu, mas geriu uma engrenagem administrativa voltada ao desvirtuamento de finalidade indenizatória das diárias, em que criação artificial da 'necessidade do serviço' era o pretexto e 'enriquecimento sem causa' era o objetivo", frisa o magistrado.>
No detalhamento dos prejuízos causados aos cofres públicos por ano, o processo revela que, em 2009, foram gastos R$ 148.066,00 em diárias. Nesse ano, as verbas indenizatórias representaram 40,93% da folha de pagamento do Poder Legislativo. Os acréscimos nos rendimentos dos parlamentares beneficiados com esquema superaram, em média, 60% da remuneração deles.>
Os autos citam 2010 como o ano em que esquema teria atingido seu auge, uma vez que os valores pagos a título de diárias consumiram 55,96% da folha de pagamento à época.>
Já em 2011, a Câmara pagou R$ 191.865,00 em diárias supostamente fraudulentas, gerando impacto de 44,71% na folha de pagamento relacionada ao período. Nesse exercício, houve casos em que os beneficiários receberam em diárias o equivalente a mais de 80% de seus subsídios anuais. >
Os valores serviram como base para fundamentar a condenação do ex-presidente da Câmara ao ressarcimento de R$ 339.931,00 aos cofres públicos.>
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