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Eleições 2024: Cachoeiro tem briga por espaço com prefeito fora do páreo

Ao menos oito nomes aparecem cotados para a sucessão do prefeito Victor Coelho (PSB), que não pode concorrer por estar no  segundo mandato seguido; o partido dele, no entanto, ainda não tem pré-candidato definido

Publicado em 08 de Agosto de 2023 às 12:10

Ednalva Andrade

Publicado em 

08 ago 2023 às 12:10
Cotados para a disputa eleitoral de Cachoeiro de Itapemirim em 2024
Cotados para a disputa eleitoral de Cachoeiro de Itapemirim em 2024 Crédito: Arte Geraldo Neto
Com o atual prefeito Victor Coelho (PSB) no segundo mandato e impedido de concorrer novamente ao cargo em 2024, Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, tem sido palco de muitas movimentações de lideranças e partidos em busca de espaço e visibilidade para a próxima eleição, sendo que ao menos oito nomes são cotados para a disputa municipal até o momento. Nenhum deles é filiado ao PSB, partido cujas direções estadual e municipal garantem que terá candidatura própria à sucessão do atual mandatário.
Ainda que muitos desses cotados sejam aliados do prefeito, dos quais se destacam os três do Podemos — o deputado estadual Allan Ferreira; o presidente da Câmara de Cachoeiro, Brás Zagotto, e a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Márcia Bezerra —, Victor Coelho não sinalizou apoio a nenhum deles até agora. 
O nome que o prefeito estaria apostando todas as suas fichas para a disputa do próximo ano é o da secretária municipal de Obras e de Manutenção e Serviços, Lorena Vasques. Ele não fala sobre o assunto, mas já deu vários sinais disso. Sem filiação partidária e novata na política, ela ganhou projeção na Prefeitura de Cachoeiro desde maio deste ano, quando Coelho a tirou do comando da pasta de Administração e a colocou à frente da Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços. No último dia 2, ela passou a acumular a Secretaria Municipal de Obras e ganhou o apelido de "supersecretária". 
Mesmo tendo sido eleito para uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado em grupo adversário ao do prefeito no ano passado, o deputado Dr. Bruno Resende (União) atualmente mantém boa relação com ele. O mesmo não ocorre com o secretário de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho de Vitória, Diego Libardi (Republicanos), que foi concorrente direto de Coelho nas eleições 2020, quando ficou em segundo lugar na disputa. Ele continua distante do prefeito, mas o grupo do chefe do Executivo não o vê como adversário atualmente.
Com isso, ficam no campo adversário da atual gestão, efetivamente, o ex-prefeito Carlos Casteglione (PT) e o vereador Júnior Corrêa (PL). Os demais estão no radar do grupo do prefeito para conversas e até mesmo para eventual parceria na disputa.

Série Eleições 2024: cotados

Esta é a terceira reportagem da série de A Gazeta sobre cotados para as eleições 2024. Até o final de agosto, a cada terça e quinta será publicado um texto com os perfis dos interessados na disputa em um dos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo. Por ordem de eleitorado, são estas cidades: Serra, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Guarapari, Colatina, São Mateus e Aracruz. Os conteúdos não serão publicados seguindo a ordem do número de eleitores. O panorama sobre as cidades de Vitória e Colatina já foram publicados. 

Parceria com o governador

Com o cenário da sucessão de Victor Coelho totalmente indefinido até o momento, alguns dos cotados apelam ao argumento de que o município precisa eleger um prefeito aliado do governador.
Dos oito cotados, os únicos que estão em partidos que não integram a base de Renato Casagrande (PSB) são o vereador Júnior Corrêa, do PL, e Diego Libardi, do Republicanos. Embora esteja no lado oposto ao do prefeito de Cachoeiro, declaradamente antipetista, o PT compõe a base do governador e é aliado do PSB em diversos municípios capixabas.
“O governador faz tanto por Cachoeiro. Continuar essa parceria com o governo do Estado é muito importante, porque a renda per capita do município é pequena demais e depende muito do governo para ter obras de infraestrutura”, sustenta o deputado Allan Ferreira.
Ele ressalta que é aliado do atual prefeito e do governador. Embora reconheça que o apoio do chefe do Executivo seja importante para a disputa, não considera "crucial" ser o candidato indicado pelo grupo político do prefeito, pois não quer a marca de continuidade e sim apresentar os seus próprios planos para o município.
Presidente da Câmara pelo segundo mandato seguido e correligionário de Allan, Brás Zagotto pensa um pouco diferente sobre ser o indicado pelo prefeito. “Nosso partido é da base do prefeito e do governador. O prefeito vai escolher alguém (para dar continuidade à gestão). De repente, pode ser até eu! Sou aliado e tenho andado muito com ele”, comentou, em tom de brincadeira.
No entanto, Zagotto esclarece que é “um soldado do Podemos": "Se o partido definir que vai ser o meu nome, estou preparado. Se for o Allan, vou respeitar”. Ele está no sétimo mandato seguido na Câmara Municipal e colocou o nome para concorrer ao cargo de prefeito juntamente com a secretária municipal Márcia Bezerra, durante encontro do Podemos realizado no final de julho, em Cachoeiro, quando Allan já dava como certo que ele seria o nome do partido para 2024.
Apesar de não ter feito parte do mesmo grupo que Allan e Zagotto no pleito de 2022, o deputado Bruno Resende tem batido ponto nas agendas do governador em Cachoeiro, ao lado do prefeito. A candidatura dele a prefeito é considerada uma possibilidade, mas não uma certeza, ainda que o seu partido queira investir nela.
O deputado não esconde de ninguém o desejo por um cargo em Brasília (deputado federal ou senador), onde poderá focar em projetos ligados à saúde, sua principal bandeira. Ele afirma que, depois da boa votação obtida na sua primeira disputa eleitoral, passou a ser questionado sobre a corrida para prefeito e, embora isso não estivesse no seu planejamento para agora, revela: “Meu sonho é ser prefeito de Cachoeiro”.
Para realizar esse sonho, ele não se mostra disposto a encarar uma disputa incerta. Por isso, sua esposa e médica Rafaela Donadeli (União) tem sido apontada como plano B do deputado, caso precise indicar alguém para uma composição com outras legendas, na vaga de vice-prefeita, por exemplo.
Questionada sobre o fato de ter seu nome sondado para a disputa eleitoral, a médica respondeu: “Gosto mais da política do que eu imaginava”. Ao mesmo tempo, ela enfatizou que é cedo para se falar em participação em algum projeto político para 2024.
Os dois deputados têm mantido conversas constantes sobre o município, alegam que querem o melhor para Cachoeiro, mas ainda consideram cedo para falar em parceria. O Podemos ainda precisa decidir entre um dos três nomes colocados, o que deve ocorrer com base em pesquisas, mais adiante.
Outro nome que tem mantido conversa com o deputado do União é Libardi. Citado por alguns cotados como alguém que está distante de Cachoeiro, por ter assumido uma secretaria em Vitória, o advogado disse que está à disposição do partido, mas, antes de fazer pré-campanha, precisa construir um projeto para a cidade. Ele fala em formar um bloco forte e fazer uma campanha com independência. 
Se decidir realmente concorrer novamente ao cargo, o pré-candidato do Republicanos não vai contar com o apoio do deputado estadual Theodorico Ferraço (PP), ex-prefeito de Cachoeiro por quatro vezes que foi seu cabo eleitoral em 2020.
O ex-prefeito garante que seu grupo terá candidato, que pode ser, inclusive, algum dos nomes já colocados, mas descarta qualquer ligação com Libardi. Em 2022, o advogado concorreu a deputado federal pelo Republicanos e recebeu mais votos em Cachoeiro do que a mulher de Theodorico, a ex-deputada Norma Auyb (PP), que não conseguiu se reeleger.
Allan e o vereador Júnior Corrêa são citados por Theodorico como algumas das lideranças que têm conversado. Nos bastidores, o vereador do PL é a principal aposta para receber o apoio do ex-presidente da Assembleia Legislativa
"Tenho trabalhado para me viabilizar desde o resultado da eleição de 2020. A candidatura a deputado federal veio nesse sentido, para viabilizar a candidatura a prefeito", explica o vereador. Campeão de votos para a Câmara Municipal em 2020, ele também foi quem recebeu mais votos para a Câmara dos Deputados em 2022, quando obteve mais de 22 mil votos somente em Cachoeiro. Não ficou com a vaga porque não atingiu o quociente eleitoral individual exigido pela legislação.
Entre os apoios já declarados a Júnior está o do vereador Leo Camargo (PL), que também era cotado para concorrer a prefeito. Camargo fez uma publicação em suas redes sociais em junho declarando apoio ao colega de plenário e de partido para a disputa. Juninho da Cofril, como o vereador também é chamado, disse que está aberto ao diálogo com todos, exceto com Casteglione, do PT, porque "partidariamente não tem liga".
O petista, por sua vez, avalia que, mesmo Cachoeiro tendo uma extrema-direita muito forte, o cenário pode lhe ser favorável com Lula (PT) na Presidência da República, assim como o foi em 2008, quando se elegeu prefeito do município pela primeira vez.  Ele ainda cita o fato de estar no segundo escalão da equipe de Casagrande, o que o colocaria como uma das opções para manter a cidade com "um prefeito que dê condições de o governador continuar investindo". 
Eleições 2024 Cachoeiro tem briga por espaço com prefeito fora do páreo
COTADOS CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM-PERFIL de (Núcleo de Reportagem de A Gazeta)

Contas no meio do caminho

Ainda administrando as expectativas do seu partido e dos aliados na federação (PV e PCdoB) sobre a corrida em 2024, Casteglione precisou antecipar a atuação da sua equipe jurídica, porque teve as contas do exercício de 2016 rejeitadas pela Câmara de Cachoeiro, no final do ano passado. 
A decisão do Legislativo municipal seguiu o parecer prévio do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) e os adversários do petista utilizam isso para dizer que ele não poderá ser candidato, pois pode ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. Casteglione não vê a decisão como empecilho, pois garante que não houve má-utilização de recursos públicos para caracterizar o dolo, situação prevista na lei como impeditivo para a candidatura. 
Por via das dúvidas, ele entrou com uma ação na Justiça pedindo a anulação da sessão da Câmara, alegando que o Legislativo municipal perdeu o prazo para julgamento das contas. 

E o PSB, como fica?

Procurado para comentar a sua sucessão, Victor Coelho não se pronunciou. Designou o secretário municipal de Governo e procurador-geral do município, Thiago Bringer, para falar sobre o assunto, incluindo a respeito das duas secretárias cotadas, que não se manifestaram.
"Queremos manter o grupo e o controle da prefeitura, isso é fato. Estamos focados nas realizações, e o prefeito não fala de eleição para não antecipar o debate e não atrapalhar o andamento da gestão Vamos fazer as conversas em abril do ano que vem, após as mudanças partidárias", resume Bringer.
Além de buscar um nome para dar continuidade à sua gestão, Victor Coelho quer alguém que defenda o seu legado, modernize a administração e leve adiante projetos de drenagem e macrodrenagem no município. Os rumores de que ele poderia deixar o PSB foram dissipados pelos correligionários e presidentes da sigla no município e no Estado. 
Diante disso, uma pergunta tem se repetido: o PSB vai abrir mão de ter candidatura própria em Cachoeiro, único dos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo que governa atualmente?
O presidente municipal do PSB, Christian Marim, disse que está reconstruindo o partido, que seu nome está à disposição da cúpula da legenda, mas não se coloca como pré-candidato. Já o presidente estadual da sigla, Alberto Gavini,  garante que a sigla vai "investir para ter nome próprio".
Esse investimento do PSB para a disputa de Cachoeiro pode vir de quadros sem filiação partidária, de lideranças novas em processo de avaliação interna que querem evitar exposição prematura para não se queimar ou de algum nome já colocado que pode migrar para a legenda. Tudo vai depender das movimentações ao longo dos próximos 12 meses, até as convenções partidárias, ou até o início de abril, quando se encerra o prazo para filiação e troca de legendas.

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