A disputa pelas duas vagas de senador a que tem direito o Espírito Santo no pleito deste ano encontra indefinições e impasses tanto no campo da direita quanto na esquerda capixaba. Nomes lançados como apostas por alguns partidos surgem, agora, como dúvida dentro de seus próprios grupos.
No campo direitista, cujo principal projeto se concentra na consolidação do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado, quatro nomes foram apontados como potenciais candidatos ao posto de senador, representando o bloco partidário formado por Republicanos e PSD - espera-se que o PL, presidido estadualmente pelo senador Magno Malta, junte-se ao bloco.
O deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD), o ex-deputado federal Carlos Manato (Republicanos), o vereador Leonardo Monjardim (Novo) e Maguinha Malta (PL), filha de Magno, seriam os interessados em compor a chapa visando ao Senado pelo grupo de Pazolini.
As últimas movimentações no tabuleiro político capixaba, entretanto, indicam que, desses quatro nomes, o único com lugar garantido na chapa de senador é o de Maguinha Malta, como parte das exigências de Magno para o PL endossar a candidatura de Pazolini. Com esse cenário, a segunda vaga estaria sendo disputada internamente e com mais força por Manato e Meneguelli.
É considerado como certo que o vereador Leonardo Monjardim tenha candidatura lançada de forma isolada, contando inicialmente somente com o apoio de seu partido. Na quarta-feira (8), a reportagem de A Gazeta apurou, em primeira mão, que Magno teria tentado emplacar Monjardim como o segundo candidato ao Senado no grupo de Pazolini. A proposta, porém, teria sido recusada pelo Republicanos.
Segundo o presidente do Novo no Espírito Santo, Iuri Aguiar, independentemente do desfecho das articulações políticas que ocorrem no campo da direita neste momento, Monjardim segue mantido como candidato ao Senado. “Garantidíssimo”, afirmou o dirigente.
Meneguelli e Manato
O maior impasse se refere a Meneguelli e Manato. O deputado e ex-prefeito de Colatina assevera ser o candidato do PSD ao Senado, com as bênçãos do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.
“Estou animadíssimo e ansioso para colocar meu bloco na rua, mesmo que ele seja pequeno”, afirmou o deputado à reportagem, na última terça-feira (7), quando indagado se sua candidatura se mantinha firme no grupo.
A questão é que o nome de Meneguelli, conforme apurou a reportagem junto a fontes que acompanham com proximidade as articulações visando ao lançamento de candidaturas pelo grupo capitaneado por Pazolini, não estaria sendo bem aceito internamente. Interlocutores inclusive acreditam que o parlamentar chegará às convenções partidárias — previstas para 20 de julho — sem ter seu nome confirmado para o posto.
Com isso, o nome de Manato, que se autodeclara candidato ao Senado, estaria ganhando força para compor com Maguinha Malta a chapa da direita em busca das duas vagas de senador capixaba no pleito deste ano.
Esquerda tem impasses internos e entre federações
À esquerda, o nome que enfrenta dificuldades para manter sua candidatura a uma das duas vagas em disputa no Senado é o do professor Carlos Fabian (Psol), lançado como pré-candidato em junho. A expectativa dos psolistas era receber apoio da Rede, legenda com a qual o partido forma uma federação desde as eleições de 2022.
No entanto, divergências internas têm causado instabilidade entre os aliados, visto que o Psol se recusa a juntar forças a favor de Ricardo Ferraço (MDB), que vai concorrer à reeleição buscando se manter à frente do Executivo estadual e é considerado de direita pelo partido socialista.
Neste primeiro cenário, a Rede, que esteve ao lado de Renato Casagrande (PSB) durante o seu mandato, quer dar continuidade à parceria, ficando ao lado de Ferraço e do próprio ex-governador, que também deve tentar uma vaga no Senado.
O apoio ao grupo de Casagrande, no entanto, é rechaçado pelo Psol e, segundo a deputada estadual Camila Valadão (Psol), “incompatível”.
“Para nós é inconciliável a nossa federação estar no mesmo palanque de Ricardo Ferraço, que é nitidamente um candidato de direita, sem nenhum diálogo ou mediação com o campo progressista”.
A candidatura de Fabian, então, está em uma encruzilhada, assim como o desejo da Rede de se juntar ao grupo do governador. De um lado, o professor está sendo pressionado a retirar sua candidatura para que a federação, como quer a Rede, possa seguir com Ferraço e Casagrande. Do outro, o Psol se recusa a caminhar ao lado de um “candidato de direita”.
Para os psolistas, a opção viável é seguir com a candidatura própria ao Senado e apoiar, para a segunda cadeira disponível na Casa Alta e o comando do Palácio Anchieta, os nomes dos pré-candidatos do PT, Fabiano Contarato e Helder Salomão, respectivamente.
A dificuldade para concretizar esse cenário, no entanto, não se dá somente devido aos atritos internos da federação. O Psol e a Rede também não poderiam formar uma coligação com a federação Brasil da Esperança (formada por PT, PV e PCdoB), visto que este grupo se comprometeu a lançar apenas um nome ao Senado — o de Contarato, que busca a recondução.
Além da intenção de concentrar esforços em apenas uma candidatura à Casa Alta, existe também, segundo os presidentes estaduais do PV, Fabrício Machado, e do PCdoB, Neio Lúcio Fraga, o propósito de ajudar a eleger o ex-governador Renato Casagrande. Este objetivo já foi confirmado também pelo presidente do PT no Espírito Santo, o deputado estadual João Coser, à coluna Letícia Gonçalves, em março deste ano.
À época, ele afirmou que “o apoio a Casagrande não é um apoio formal. Não tem como fazer coligação entre PT e PSB no Espírito Santo devido à escolha do Casagrande de apoiar o MDB (Ricardo)".
Sendo assim, por enquanto, com as pré-candidaturas destes grupos da esquerda que estão colocadas no jogo, o cenário é o seguinte:
Psol tem um candidato próprio ao Senado, o professor Fabian, apoia Contarato como segundo nome e Helder Salomão para o cargo de governador do Espírito Santo.
A Rede (que é federada com o Psol) quer se juntar ao grupo de Casagrande e Ricardo Ferraço e, por isso, tenta desmobilizar a candidatura de Fabian.
A federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) tem candidato próprio ao Senado e ao governo e vai apoiar, indiretamente, o nome de Casagrande para a segunda vaga no Senado.
Todas essas indefinições estão próximas de um fim. No dia 20 deste mês, começam as convenções patidárias, período em que as siglas definem os nomes de quem vai disputar as urnas em outubro. O prazo para definição vence em 5 de agosto. Depois, as legendas têm até o dia 15 do mesmo mês para registrar as candidaturas.