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Quebra de protocolo

Discurso de Michelle Bolsonaro em Libras reforça importância da língua

A advogada da Associação de Surdos de Vitória, Vanessa Brasil, destacou a atitude da primeira-dama na cerimônia de posse do marido

Publicado em 02 de Janeiro de 2019 às 12:49

Laila Magesk

Publicado em 

02 jan 2019 às 12:49
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, discursa em libras (linguagem de sinais destinada à comunidade surda) no Parlatório do Palácio do Planalto Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O discurso da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em Libras (Língua Brasileira de Sinais) na cerimônia de posse do marido, o presidente Jair Bolsonaro, foi visto com esperança de integração pela comunidade surda. Em entrevista ao Gazeta Online, a advogada da Associação de Surdos de Vitória, Vanessa Brasil, afirma o discurso feito no Parlatório do Palácio do Planalto traz a importância da língua, que é oficial do Brasil.
"Para a comunidade surda, a importância do discurso da primeira-dama é realmente fazer valer a lei que já existe há algum tempo de que a língua de sinais é uma língua oficial do país e uma esperança de ter a questão linguística tratada realmente, não só como assistência social, de ter uma integração dos surdos como seres cidadãos mesmo".
Segundo a advogada, a linguagem dos surdos é própria e original do Brasil. "É oficial do Brasil. Existe uma lei que diz que é a segunda língua oficial. A gente espera que essa língua seja utilizada, com acesso dos surdos aos órgãos públicos, bancos. Já tem uma lei estabelecida para isso e não é cumprida por muitas vezes".
A advogada reforça que uma lei determina que todos os órgãos devem ter o mínimo de 5% de pessoas formadas com orientação em Libras básica. "E hoje a gente não tem isso no nosso país. Nós, que somos ouvintes, a primeira língua que a gente fala é o português. Para os surdos, é a Libras. Imagina a gente que é ouvinte ir para outro país que fala uma língua diferente, o entendimento não é o mesmo. Quando deixa de cumprir essa lei, quando deixa de usar a língua de sinais, eles não têm a compreensão completa", explica.
Vanessa também vê de maneira positiva o fato de todo discurso ter sido feito em Libras. "Porque na posse de um presidente, quebrando um protocolo, onde geralmente a primeira-dama não fala, e ela utiliza a língua de sinais, ela realmente coloca a língua como oficial. Já que um evento oficial, de posse e ela utiliza a língua de sinais. Dá noção da importância e realmente a gente quer quer caminhe para essa inclusão".
De acordo com o site G1, Michelle é engajada em causas de pessoas com deficiência. Ela faz parte do Ministério de Surdos e Mudos da Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde atua como intérprete de Libras nos cultos que acontecem aos domingos.
LEIS
No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais foi estabelecida como a língua oficial das pessoas surdas através da Lei nº 10.436/2002. A função do intérprete de Libras, profissão de Michelle Bolsonaro, também está regulamentada através da Lei nº 12.319/2010.
Para se comunicar utilizando a língua brasileira de sinais, além de conhecer os sinais, é preciso conhecer as estruturas gramaticais para combinar as frases e estabelecer a comunicação de forma correta.
(Com informações da Folhapress)

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