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Deputados do ES se dividem sobre megaoperação no Rio

Deputados do ES se dividem sobre megaoperação no Rio

Parlamentares da Assembleia Legislativa levaram para o plenário, na sessão desta quarta (29), o debate acerca da ação policial que resultou em mais de 120 mortes no Rio de Janeiro

Publicado em 29 de outubro de 2025 às 15:39

Sessão na Assembleia Legislativa no dia 4 de junho de 2024
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Mara Lima/Ales

Os deputados da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) levaram para o plenário, na sessão desta quarta-feira (29), o debate acerca da megaoperação policial contra o Comando Vermelho realizada no Rio de Janeiro na terça-feira (28). A ação policial, conforme números atualizados até a tarde desta quarta (29), deixou  121 mortos, sendo quatro policiais.

Em discurso, o presidente do Legislativo capixaba, Marcelo Santos (União), lamentou as mortes. Entretanto, sinalizou apoiou à ação do Estado carioca. 

“Bom seria que os policiais pudessem cumprir as decisões judiciais sem mortes, mas foram recebidos pelos bandidos até com maior poder de fogo do que a polícia. Usaram até drones para atirar bombas nos agentes públicos, coisa que a gente só viu na guerra da Ucrânia. (....) Isso somente aconteceu porque os bandidos atiraram contra policiais. E, se atiram contra policiais, atiram contra o Estado, que está ali para defender a sociedade”, disse o presidente.

Em outro trecho de sua fala, o deputado equiparou a atuação das organizações criminosas ao terrorismo e defendeu a reação do Estado, além de citar suposto perigo ao Espírito Santo. “Se a Polícia se render, o crime fica com mais poder de fogo. Se a Polícia se acovardar, as facções vão agir. E, podemos esperar, eles vão vir para cá, como muitos já estão por aí, entre nós. Temos que nos preparar para fechar as divisas. Dentre os mortos no Rio de Janeiro, havia bandido do Espírito Santo. O nosso Estado tem que defender a população”, afirmou Marcelo.

Em contraponto ao posicionamento do presidente da Ales, as deputadas Iriny Lopes (PT) e Camila Valadão (Psol) chamaram a atenção para a letalidade da ação das forças de segurança no caso. Camila classificou o ato como “a operação mais letal da história”, lançando críticas ao que chamou de “política de extermínio”. A parlamentar defendeu que o combate ao crime seja baseado em inteligência, não em violência. 

“É a operação mais letal da história (...) Política de extermínio não é política de segurança. Combate à criminalidade se faz com inteligência e não com violência. É lamentável que cristãos não lamentem a morte de todas as pessoas”, ponderou Camila.

Pedido de minuto de silêncio gera divisão entre deputados

Logo no início da sessão desta quarta-feira (29), o deputado Capitão Assumção (PL) pediu minuto de silêncio “pelos quatro policiais mortos”, posição acompanhada pelos deputados Delegado Danilo Bahiense (PL), Lucas Polese (PL), Alcântaro Filho (Republicanos), Coronel Weliton (PRD) e Zé Preto. Polese, por sua vez, ressaltou que o “crime organizado controla 28% do território nacional e mantém refém um quarto da população”. Já Zé Preto disse que homenagearia “apenas os policiais", porque "vagabundo não merece homenagem”.

Em contraponto, Iriny Lopes e Camila Valadão registraram o minuto de silêncio para todas as vítimas, voltando a destacar  a letalidade da ação policial.

Diante disso, o plenário da Casa de Leis ficou dividido entre os deputados que defendem a necessidade de endurecimento das ações e barreiras nas divisas entre Espírito Santo e Rio de Janeiro, atribuindo as mortes à reação armada de criminosos, enquanto do outro lado do debate ficaram as parlamentares que questionaram a letalidade e o modelo da ação, defendendo investigação e planejamento como estratégia principal. 

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