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Vitor Vogas

Como ter um vice pouco expressivo pode ser conveniente para Ricardo?

Por mais paradoxal que soe, a baixa expressividade de Camillo Neves pode vir a lhe convir após as eleições (em caso de vitória), tendo em vista a própria sucessão em 2030

Publicado em 10 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

10 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Ricardo Ferraço anuncia Camillo Neves como vice na chapa para o governo do ES
Ricardo Ferraço anuncia Camillo Neves como vice na chapa para o governo do ES Cid Costa

Um dos pontos que mais chamam a atenção no escolhido por Ricardo Ferraço (MDB) como vice é sua baixa expressividade política. O vereador Camillo Neves (PP), de Vitória, é pouquíssimo conhecido. E está longe de ser um homem poderoso da política capixaba.


Mas, por mais paradoxal que isto possa soar, justamente a baixa expressividade pode ter contribuído para Ricardo optar por ele e pode vir a lhe convir após as eleições, tendo em vista a própria sucessão em 2030 (em caso de vitória nas urnas em outubro).


Se renovar sua estadia no cargo, Ricardo irá para o segundo mandato sucessivo como governador e não poderá disputar a reeleição em 2030. A roda do Palácio Anchieta girará mais rápido. Isso faz com que muitos aliados graúdos de Ricardo estejam, desde já, de olho no posto de candidato a governador da situação, apoiado por ele, daqui a quatro anos.


Se Ricardo tivesse escolhido um vice muito popular e poderoso – por exemplo, Sérgio Vidigal (PDT), como queriam muitos aliados –, isso poderia ter gerado grandes arestas para ele mesmo na relação com aliados também muito poderosos.


Automaticamente, Vidigal assumiria um lugar privilegiado: o de primeiro da fila.


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Ricardo poderia apoiar seu vice em 2030 – como Casagrande o apoia agora. Aliás, Ricardo poderia até renunciar em abril de 2030 – para buscar voltar ao Senado, por exemplo, assim como fez Casagrande. Nesse caso, Vidigal assumiria e se tornaria governador, exatamente como ele mesmo se tornou neste ano.


Enfim, Ricardo poderia reeditar com Vidigal, em quatro anos, a dança que Casagrande protagonizou com ele agora.


Mas, se tivesse posto Vidigal na cara do gol, Ricardo poderia ter contrariado muita gente de cujo apoio ele precisa muito agora (Arnaldinho, Marcelo Santos, Da Vitória, entre outros).


Nesse sentido, a escolha de um vice politicamente mais pálido favorece Ricardo, na medida em que facilita a sua relação com aliados cascudos.


Em caso de vitória em outubro, durante seus próximos quatro anos de governo, a ausência de um “sucessor natural” manterá viva a expectativa de poder de todos eles, em iguais condições de disputa. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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