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Estudo diz que frutas vermelhas e roxas protegem o coração, mas consumo ainda está abaixo da necessidade

Pesquisa sugere que o segredo para um coração mais saudável pode estar em escolher as frutas e os vegetais certos, e não apenas em comer mais deles

Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 21:15

Portal Edicase

Publicado em 

23 set 2026 às 21:15
As frutas vermelhas são fonte de flavonois, composto bioativo associado a um menor risco de doenças cardíacas (Imagem: Igor Normann | Shutterstock)
As frutas vermelhas são fonte de flavonois, composto bioativo associado a um menor risco de doenças cardíacas Crédito: Imagem: Igor Normann | Shutterstock

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todas as pessoas com mais de 10 anos de idade consumam pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, mas as recomendações não focam em um tipo específico de alimento. Por outro lado, o estudo “Adhering to dietary guidelines does not yield flavanol intake levels associated with beneficial cardiovascular effects” , publicado na revista científica Food & Function , revela que é fundamental incluir frutas vermelhas e roxas na dieta, já que elas são ricas em flavonóis, compostos associados a um menor risco de doenças cardíacas, e menos de uma em cada cinco pessoas consome.

“Adicionar alimentos como mirtilos, ameixas, amoras, morangos, maçãs, favas e cerejas à dieta diária, especialmente quando combinados com chá verde, pode ser uma maneira simples de promover a saúde do coração. Os flavonóis são compostos bioativos que exercem efeitos antioxidantes e vasculares importantes. Eles podem reduzir significativamente o risco de morte por doenças cardiovasculares, mas apenas se consumidos em quantidade suficiente”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.

Apesar disso, o especialista ressalta que a escolha dos alimentos também merece atenção. “A maioria das pessoas presume que comer muitas frutas e verduras já resolve isso, mas o que esta pesquisa demonstra é que as escolhas específicas que você faz importam muito mais do que a quantidade total. Incluir um punhado de amoras, uma maçã inteira ou tomar uma xícara de chá verde junto com a refeição pode fazer uma grande diferença na quantidade desses compostos benéficos que você realmente consome e absorve da dieta. E, em alguns casos, a suplementação pode suprir essa carência”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.

A escolha dos alimentos faz diferença no consumo de flavonóis

Os pesquisadores descobriram que menos de 20% das pessoas atingiram o nível de ingestão de flavonóis associado a benefícios para a saúde do coração. “Mesmo muitos indivíduos que consumiam regularmente as cinco porções diárias recomendadas de frutas e vegetais não alcançaram essa meta”, diz o pesquisador Dr. Maurizio Pupo. Os resultados sugerem que simplesmente aumentar o consumo de frutas e vegetais pode não ser suficiente. “Os alimentos específicos que as pessoas escolhem parecem desempenhar um papel importante na determinação da quantidade de flavonóis que elas realmente consomem”, acrescenta o farmacêutico.

Ainda assim, a suplementação pode, em alguns casos, complementar a ingestão. “A alimentação deve ser sempre a principal fonte desses compostos bioativos, porque as frutas, vegetais e chás oferecem uma matriz nutricional complexa, com fibras, vitaminas e outros fitoquímicos que atuam de maneira integrada. No entanto, observamos que muitas pessoas não conseguem atingir regularmente as quantidades de flavonóis associadas aos benefícios cardiovasculares descritos nos estudos. Nesses casos, a suplementação de extratos padronizados pode ser uma alternativa complementar interessante, desde que seja orientada por um profissional e utilizada como parte de um estilo de vida saudável, e não como substituta de uma alimentação equilibrada”.

Ameixas, cranberries e mirtilos estão entre os alimentos ricos em flavonóis (Imagem: Mouse family | Shutterstock)
Ameixas, cranberries e mirtilos estão entre os alimentos ricos em flavonóis Crédito: Imagem: Mouse family | Shutterstock

Quais alimentos incluir na dieta?

Pesquisas anteriores, incluindo o estudo COSMOS (COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study ), descobriram que o consumo de 500 miligramas de flavonóis por dia reduzia significativamente o risco de morte por doenças cardíacas. O novo estudo indica que a maioria das pessoas permanece bem abaixo desse nível, mesmo seguindo as recomendações padrão de alimentação saudável.O professor Dr. Maurizio Pupo comenta quais alimentos são fontes alimentares ricas em flavonóis por porção:

  • Ameixas (500 g, aproximadamente uma embalagem): ~450 mg de flavonóis;
  • Cranberries (250 g, aproximadamente uma embalagem): ~300 mg de flavonóis;
  • Amoras (200 g, aproximadamente uma embalagem): ~250 mg de flavonóis;
  • Chá-verde (uma xícara de 250 ml): aproximadamente 200 mg de flavonóis;
  • Favas (80 g, um punhado pequeno): ~140 mg de flavonóis;
  • Cerejas (400 g, aproximadamente uma embalagem): ~130 mg de flavonóis;
  • Maçãs com casca (200 g, uma maçã média): aproximadamente 110 mg de flavonóis;
  • Morangos (200 g, aproximadamente uma embalagem): ~90 mg de flavonóis;
  • Mirtilos (150 g, aproximadamente uma embalagem): ~80 mg de flavonóis;
  • Feijão carioca (40 g, duas colheres de sopa da leguminosa seca): ~70 mg de flavonóis.

Pesquisa aponta espaço para aprimorar orientações alimentares

O farmacêutico enfatiza que os resultados também levantam questões sobre se as recomendações nutricionais atuais poderiam ser mais eficazes em ajudar as pessoas a obter compostos benéficos, como os flavonóis. “Consumir cinco porções por dia é a mensagem correta, mas talvez precisemos pensar com mais cuidado sobre quais cinco. Diferentes frutas e vegetais oferecem benefícios nutricionais muito distintos, além de vitaminas e minerais, e à medida que nossa compreensão desses compostos aumenta, surge uma oportunidade real de tornar as orientações dietéticas mais específicas e eficazes. Esta pesquisa é um passo em direção à compreensão de como isso poderia se traduzir na prática”, conclui o Dr. Maurizio Pupo.

Por Maria Claudia Amoroso

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