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Eleições 2026

Como se escolhe um vice?

Na composição eleitoral, que pode ou não reunir outros partidos, a figura do vice tem peso, a ponto até de consolidar apoios

Publicado em 04 de Agosto de 2026 às 16:34

Aline Nunes

Publicado em 

04 ago 2026 às 16:34

Quando se lança na disputa para comandar o Executivo — presidente, governador ou prefeito —, o candidato não faz essa caminhada até o dia da votação sozinho. Na composição, que pode ou não reunir outros partidos, a figura do vice tem peso, a ponto até de consolidar apoios e a construção de uma candidatura mais robusta e nada decorativa. Mas você sabe quais são os critérios utilizados para a escolha do vice em uma chapa eleitoral?


Três critérios dominam essa escolha, segundo observa o cientista social e mestre em Ciência Política Deivison Souza Cruzcomplementaridade, aliança e confiança. Ele diz que o vice deve trazer o que falta ao titular (região, eleitorado, imagem) e o pacote do partido dele, como tempo de TV, estrutura, palanques e apoio futuro.


"Como o eleitor vota na chapa inteira e o vice é o sucessor imediato, a vaga só vai a quem soma votos e merece herdar o cargo." 


Vale observar que o vice pode substituir o titular no cargo em caso de viagens, renúncia, morte, cassação ou impeachment. Portanto, quem ocupar essa função deve ter a confiança de quem estiver na cabeça de chapa. 

Eleições 2026: mulheres, candidata, negra
Na escolha do vice, gênero, idade e religião são aspectos que ampliam o espelho social da chapa  Magnific

É por isso que, até as vésperas do fim do prazo legal para a realização das convenções partidárias, nesta quarta-feira (5), são realizadas muitas tratativas. Pré-candidato ao governo do Estado, o ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), por exemplo, ainda não definiu o vice. 


Aliados tentam emplacar nomes. As articulações seguem movimentando o cenário político e podem se estender até a data-limite para o registro das candidaturas, em 15 de agosto. 


O governador Ricardo Ferraço (MDB), que vai tentar a reeleição, também só tornou pública a sua decisão nesta terça (4), após muitas negociações, opiniões divergentes entre apoiadores e até ameaça de rompimento. 

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Deivison Souza Cruz diz que a decisão opera em dois tempos: na campanha, soma recursos; no governo, define sócios (coalizão de governo). Um vice de partido aliado amplia tempo de TV e verbas, porque esses recursos seguem o tamanho das bancadas. Após a posse, o mesmo acordo vira base no Legislativo, sendo o vice fiador da coalizão.


"Quando a aliança é apenas eleitoral, a conta chega. O sócio cobra espaço e governar encarece", analisa.


Questionado sobre como características geográficas e demográficas influenciam a opção por outro nome para compor a chapa como vice, o cientista social explica que esses atributos funcionam como mapa de compensação. Significa dizer que o vice cobre o território, o perfil do público ou a faixa ideológica em que o titular é fraco. 


Dessa maneira, um candidato da Região Metropolitana pode buscar um vice no interior. Ou um nome considerado radical procura um moderado. Assim como gênero, idade e religião, afirma Deivison, ampliam o espelho social da chapa. Helder Salomão, candidato ao governo pelo PT, é de Cariacica e optou por uma mulher de São Mateus, no Norte capixaba, numa composição para reforçar essa complementaridade. 


Para o cientista social, o vice é um sinal sobre como o titular trata as próprias fraquezas. Um cabeça de chapa inexperiente ganha lastro com alguém de longa trajetória, bem como um candidato com rejeição em um segmento modera a imagem ao escolher alguém bem-quisto nessa área. 


Ainda assim, Deivison sustenta que esse efeito tem limites porque o voto é definido pelo titular. O vice atenua rejeições mais do que gera adesões. 


Quando a chapa é eleita, uma nova etapa se apresenta: com funções combinadas, o cientista social pontua que a diferença que ajudou a compor a candidatura pode virar ponte e o vice pode fazer a intermediação com a bancada no Legislativo. Mas, se não houver esse pacto, tudo pode virar disputa por espaço. 


"Como o vice sucede o titular em caso de vaga, qualquer crise o transforma em alternativa de poder e essa condição alimenta desconfiança, trava nomeações e abastece a oposição", diz o cientista social.


Então, a decisão pelo nome do vice não é uma escolha simples. Muitos fatores são ponderados para que, na campanha e, em eventual eleição, a composição funcione bem.

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