A cobertura da vacina contra a influenza no Espírito Santo está pouco acima da metade do público prioritário e preocupa as autoridades de saúde. Dados atualizados nesta terça-feira (4) mostram que 51,35% das crianças, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais foram imunizadas, enquanto a meta é alcançar 90%.
Diante da baixa adesão, a vacinação foi ampliada para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também intensificou as estratégias para localizar quem ainda não recebeu a dose, com envio de mensagens por SMS, busca realizada por agentes comunitários de saúde e o uso do sistema Vacina e Confia, que permite identificar bairros e regiões com menor cobertura.
Ao todo, 528.223 pessoas receberam ao menos uma dose entre os grupos prioritários, formados por cerca de 1,028 milhão de capixabas. O cenário mais preocupante é o dos idosos, cuja cobertura está em 48,10%. O índice chega a 56,14% entre as crianças de seis meses a menores de seis anos e a 75,96% entre as gestantes.
O resultado foi classificado como abaixo do esperado pelo subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Orlei Amaral Cardoso. Em entrevista à reportagem, ele avaliou que, mantido o ritmo atual, é pouco provável que o Estado alcance a meta neste ano.
"Na lentidão que está caminhando, é pouco provável que a gente alcance, porque a gente está evoluindo, está vacinando muito pouco”, afirmou.
A campanha começou oficialmente em 28 de março, após o início da distribuição das doses, em 23 de março. Segundo Orlei, a ampliação da vacinação para toda a população ocorreu devido à baixa procura dos grupos prioritários e à importância da proteção coletiva.
Paralelamente, a Sesa reforçou as ações para localizar quem ainda não recebeu a vacina. Entre as estratégias estão o envio de mensagens por SMS, visitas de agentes comunitários de saúde e o uso do sistema Vacina e Confia, que permite aos municípios identificar bairros e regiões onde vivem pessoas que ainda não foram imunizadas.
No caso dos idosos, a estratégia inclui uma busca mais individualizada. Os agentes comunitários identificam moradores que ainda não tomaram a vacina e orientam a procura por uma unidade de saúde. Para idosos acamados, a imunização pode ser realizada em casa pelas equipes de Saúde da Família.
"São estratégias que precisam ser mais corpo a corpo. As redes sociais também são usadas, mas não alcançam todos", avaliou o subsecretário.
Segundo Orlei, a baixa adesão dos idosos surpreende porque esse grupo tem acesso às salas de vacinação e já participou de campanhas anteriores. Entre as barreiras identificadas estão a falta de informação, o descuido e a crença de que a vacina provoca gripe ou não oferece proteção. “Tem pessoas que acham também que tomar a vacina este ano significa que não precisa tomar no ano seguinte. A gente tenta explicar sempre que, todo ano, essa vacina é modificada por uma cepa atualizada”, explicou.
A vacina contra a influenza precisa ser tomada anualmente porque a composição é atualizada de acordo com as variantes dos vírus em circulação. A imunização não impede todos os quadros gripais, mas reduz o risco de agravamento, internação e morte. “A vacina não é uma barreira, um escudo para você não gripar. Ela é para você não ficar grave, não evoluir com a gravidade da doença e te proteger de uma internação, de precisar ir para a UTI ou de morrer por uma doença que você consegue prevenir”, ressaltou o subsecretário.
A baixa cobertura preocupa ainda mais devido ao período de inverno, quando há aumento das doenças respiratórias. Orlei também chamou a atenção para a previsão de estiagem, calor e queimadas associada aos efeitos do El Niño no Espírito Santo.
Segundo o subsecretário, esse cenário pode agravar problemas respiratórios e aumentar os riscos principalmente para pessoas com comorbidades, como asma, bronquite, diabetes e hipertensão, caso não estejam protegidas contra a influenza.
Outro obstáculo é a dificuldade da população em diferenciar gripe, resfriado e infecções provocadas por outros vírus respiratórios. O fato de uma pessoa apresentar sintomas depois de receber a vacina não significa, necessariamente, que ela contraiu influenza.
“Às vezes, nem é influenza. A pessoa está com rinovírus, que não tem vacina e é o que a gente conhece por resfriado. As pessoas colocam tudo na mesma balança e acabam não se vacinando”, explicou.
A Campanha de Multivacinação, iniciada nesta segunda-feira (3), também é vista como uma oportunidade para aumentar a cobertura contra a influenza. Ao procurar uma unidade para atualizar outras doses, o cidadão poderá verificar pelo CPF se ainda não recebeu a vacina contra a gripe.
Um Dia D está previsto para 22 de agosto nos 78 municípios capixabas. A mobilização deverá contar com mais pontos de vacinação e ampliação dos horários de atendimento, facilitando o acesso de quem não consegue procurar as unidades durante a semana.
O Espírito Santo cerca de 1,532 milhão de doses contra a influenza em 2026. Orlei informou que aproximadamente 317 mil ainda permaneciam em estoque, considerando as unidades armazenadas pelo Estado e as já distribuídas aos municípios.
Segundo o painel atualizado nesta segunda-feira mostra que 971.913 doses foram aplicadas em toda a população. Como ainda há imunizantes disponíveis, não há previsão de uma nova remessa do Ministério da Saúde. Caso a procura aumente, a Sesa poderá solicitar novo envio.
Orlei alertou que deixar a vacinação para o fim do ano reduz o período de proteção proporcionado pela composição atual. "Quanto mais cedo você se vacina, melhor. Não faz sentido chegar a janeiro ou fevereiro e se vacinar com a composição de 2026, porque uma nova vacina já estará disponível", orientou.
Após a aplicação, o organismo leva cerca de 15 dias para desenvolver a proteção. Por isso, a recomendação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes.
A vacina está disponível para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade enquanto houver doses em estoque. Para receber o imunizante, basta procurar uma unidade de saúde com um documento, CPF ou Cartão do SUS.
Mesmo quem perdeu o cartão de vacinação pode ser atendido, pois a equipe consegue consultar o histórico pelo sistema. “É só chegar à unidade. Hoje em dia, só com o CPF ou com o Cartão do SUS, a equipe do município digita e já sabe que você precisa tomar. Não vai ter burocracia”, concluiu Orlei.