Publicado em 24 de setembro de 2025 às 14:14
O governador Renato Casagrande (PSB) foi às redes sociais para manifestar seu apoio à derrubada da PEC das Prerrogativas, mais conhecida como PEC da Blindagem, que protegeria parlamentares da abertura de ações criminais. Após avançar na Câmara dos Deputados, a proposta de emenda não passou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal em votação nesta quarta-feira (24). Para o chefe do Executivo capixaba, a rejeição à medida é um "não à impunidade".>
A CCJ do Senado rejeitou a PEC em votação unânime. O texto contou com a rejeição do próprio presidente do colegiado, Otto Alencar (PSD-BA), e do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que trabalharam para "enterrar" a proposição.>
O placar terminou com 27 votos favoráveis e nenhum contra. A matéria foi para a Secretaria-Geral da Mesa, que poderá já "enterrar" de vez a proposta — essa, ao menos, é a expectativa de todos os integrantes da CCJ.>
Em seu voto, Vieira disse que a PEC é inconstitucional. Ele considerou que o texto contém desvio de finalidade por não atender ao interesse público e estabelecer normas que culminariam na impunidade de políticos eleitos por eventuais crimes.>
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"A PEC que formalmente aponta ser um instrumento de defesa do parlamento é, na verdade, um golpe fatal na sua legitimidade, posto que configura portas abertas para a transformação do Legislativo em abrigo seguro para criminosos de todos os tipos", justificou.>
Na terça-feira da semana passada, dia 16, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC em dois turnos, com mais de 300 votos. >
Mesmo após um revés, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda trabalhou para garantir que qualquer uma das Casas do Congresso Nacional pudesse rejeitar abertura de processo criminal e até uma prisão contra um parlamentar em voto secreto.>
O texto da PEC queria resgatar o recurso da licença prévia, mecanismo disposto na Constituição de 1988, posteriormente retirada após a aprovação de uma PEC em 2001 por pressão popular.>
A Câmara e Senado barraram pelo menos 224 pedidos de licença prévia feitos pelo STF para processar criminalmente congressistas até 2001, ano em que mudou a regra para dispensar a consulta ao Legislativo. Nenhum pedido da Corte avançou.>
"Não à toa, aquele estado de coisas absolutamente inconstitucional exigiu a promulgação de referida emenda à Carta Maior, como medida urgente de moralização. Antes dela, repita-se, a necessidade de licença prévia das Casas funcionava, de fato, como ardil para perpetuar a impunidade de parlamentares, mediante recusas ou meros 'engavetamentos' dos pedidos feitos pela Justiça", disse Vieira.>
A aprovação da PEC na Câmara teve ampla rejeição popular. No último domingo (21), manifestantes foram às ruas protestar contra a proposição. Segundo o Monitor do Debate Público da Universidade de São Paulo (USP), 42,4 mil pessoas compareceram à Avenida Paulista. No ato bolsonarista pró-anistia foram 42,2 mil.>
Com informações do Estadão>
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