Em uma das cidades mais bolsonaristas do Espírito Santo, onde
Jair Bolsonaro (sem partido)
obteve 75% dos votos no segundo turno em 2018, quase metade dos eleitores avalia o governo do presidente de forma positiva. De acordo com pesquisa Ibope contratada pela Rede Gazeta, 47% dos entrevistados em
Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, classificam a gestão atual como boa ou ótima. Os eleitores que consideram a administração regular são 26%. Os que a definem como ruim ou péssima, 25%.
No levantamento, os entrevistados tinham que optar pela avaliação do governo como "ótimo" ou "bom", que são somadas, "regular", ou ainda "ruim" ou "péssimo". A margem de erro é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
No município do Sul do Estado, ao menos dois candidatos se apresentam como aliados do governo federal: Jonas Nogueira (PL) e Diego Libardi (DEM). A aprovação do presidente, contudo, não parece refletir no pleito municipal. Os dois bolsonaristas possuem 8% e 6%, respectivamente, das intenções de voto na cidade. Eles ocupam o segundo e o terceiro lugares na corrida eleitoral, mas estão bem distantes de Victor Coelho (PSB), atual prefeito, que lidera com 51%.
Nogueira é o vice-prefeito da cidade, mas depois de ter rompido com o chefe do Executivo, mudou de lado e se tornou um opositor ferrenho da gestão municipal. Após o rompimento, ele saiu do PP e se filiou ao PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu.
Para disputar as eleições deste ano, ele teve a legenda garantida pelo PL, do ex-senador Magno Malta. Além do ex-parlamentar, Jonas Nogueira conta com o apoio do ex-deputado Carlos Manato, que já presidiu o PSL no Estado.
Durante a pandemia de Covid-19, o vice-prefeito foi um dos defensores do uso da hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada cientificamente, mas se transformou em uma bandeira política para Bolsonaro e seus seguidores.
Nogueira chegou, inclusive, a se envolver em uma polêmica com um médico da cidade ao dizer que os pacientes deveriam recorrer à Justiça caso os profissionais de saúde se recusassem a prescrever a droga.
É entre os eleitores mais abastados que Bolsonaro possui o melhor desempenho na avaliação em Cachoeiro. Dos entrevistados que ganham mais de dois salários mínimos, 55% classificam a gestão do presidente como boa ou ótima. A mesma opinião é compartilhada por 45% daqueles que declaram receber menos de um salário mínimo.
A avaliação positiva também se destaca entre eleitores que cursaram o ensino médio, com 49%. Já no grupo dos que possuem ensino superior, o presidente registra seu pior desempenho, com 44% de entrevistados que realizaram uma avaliação positiva.
Quando o quesito é a faixa etária, Bolsonaro sai melhor entre os eleitores entre 25 a 34 anos e entre 45 a 54 anos. Em cada uma dessas faixas etárias, 51% dos entrevistados responderam, durante a pesquisa, que consideram a administração do presidente boa ou ótima. O presidente se saiu pior entre os jovens: 38% entre 16 e 24 anos avaliaram a gestão da mesma forma.
No recorte de gênero, mais homens do que mulheres classificam a administração como boa ou ótima: 53% deles veem o governo dessa forma. Já entre elas, esse número cai para 43%.
A gestão do prefeito aparece bem avaliada entre os eleitores de Cachoeiro:
48% dizem que ela é boa ou ótima. No caso de Bolsonaro, ele é visto de forma positiva tanto entre os satisfeitos quanto entre os insatisfeitos com a administração de Victor Coelho. Dos que avaliam o prefeito como um bom ou ótimo gestor, 49% classificam Bolsonaro da mesma forma.
Já entre aqueles que consideram o chefe do Executivo municipal como ruim ou péssimo, 54% acham o contrário sobre Bolsonaro e classifica a gestão do presidente como boa ou ótima.