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'A gente não aceitava a ideia de que a Vale não fizesse a reparação', diz Lula no ES

'A gente não aceitava a ideia de que a Vale não fizesse a reparação', diz Lula no ES

Presidente criticou gestão da mineradora logo após rompimento da barragem de Mariana (MG) e disse ter buscado diálogo com atual administração para pagamento de danos causados às vítimas do desastre

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 11 de julho de 2025 às 15:34

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a gestão da mineradora Vale no período logo após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, mas disse que, por meio de diálogo com a atual administração, foi possível garantir que a empresa fizesse reparação à vítimas dos danos causados pela tragédia ambiental, considerada o de maior impacto na história do Brasil. O acidente atingiu cidades de Minas Gerais e também deixou marcas no Espírito Santo, com a lama dos rejeitos de minério que chegou à bacia do Rio Doce

Logo no início do discurso em Linhares, no norte capixaba — onde anunciou nesta sexta-feira (11) investimentos e pagamento de transferência de renda a atingidos pela tragédia —, Lula criticou a dificuldade inicial de diálogo com a mineradora, que, junto à BHP Billiton, era controladora da Samarco, gestora da barragem que se rompeu em Minas Gerais, deixando pelo menos 19 mortos. Veja as declarações de Lula no vídeo abaixo:

“Uma empresa que tinha um presidente que não queria conversar com ninguém, que criou uma fundação que gastou R$ 30 bilhões e até hoje não se sabe o que foi feito”, disparou Lula.

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'A gente não aceitava a ideia de que a Vale não fizesse a reparação', diz Lula no ES

“Porque, quando uma empresa vira essa tal de corporation, ela não tem dono. Cada um tem um pedacinho. Vocês aprenderam desde pequeno que, quando tem muita gente na família para cuidar de um cachorro, ele morre de fome, porque todo mundo deixa para o outro colocar comida e o cachorro fica sem comer. A Vale era assim. A Vale, quando era estatal, era a primeira mineradora do mundo. Depois que virou a tal corporation, hoje é a 14ª do mundo”, completou.

Para Lula, foi por meio de esforços de Jorge Messias, advogado-geral da União, e de Rui Costa, ministro da Casa Civil, que as tratativas do acordo de Mariana para o pagamento das vítimas do desastre ambiental avançaram.

"Conseguiram fazer com que a Vale sentasse na mesa e pagasse aquilo que ela tinha que pagar. Não tem conversa porque a gente não aceitava a ideia de que a Vale não fizesse a reparação", disse o presidente. 

Apesar das críticas à gestão da mineradora no período pós-desastre, Lula reconheceu que a administração atual da empresa “tem uma direção comprometida a conversar com o governo e a tratar o povo com respeito”.

“É por isso que estou feliz de estar aqui. Não foi fácil a quantidade de reuniões que fizeram com uma empresa que se achava toda poderosa, que tinha um presidente que não procurava o governo para conversar”, complementou Lula.

A Vale foi procurada para comentar as declarações de Lula, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

Motivo da visita ao ES

Lula veio ao Espírito Santo nesta sexta-feira (11) para uma agenda de anúncio do início dos pagamentos do Programa de Transferência de Renda (PTR) para agricultores familiares e pescadores, no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, voltado à reparação socioeconômica das populações atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão.

No Estado, mais de 21 mil pescadores artesanais vão receber os valores, além de 4.793 agricultores. No total, serão beneficiados 22 mil pescadores e 13,5 mil agricultores, em municípios do Estado capixaba e de Minas Gerais. Pelo Novo Acordo do Rio Doce, serão destinados R$ 3,7 bilhões aos programas ao longo de até 48 meses.

O benefício se aplica a atingidos que residam em um dos municípios listados no Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce. No Espírito Santo são: Anchieta; Aracruz; Baixo Guandu; Colatina; Conceição da Barra; Fundão; Linhares; Marilândia; São Mateus; Serra e Sooretama.

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