A eleição de Lorenzo Pazolini (Republicanos) para o governo do Espírito Santo, neste domingo (25), quebrou um tabu de quase um quarto de século de alternância entre os ex-governadores Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB) à frente do Executivo capixaba.
De 2003 até os primeiros meses de 2026, os dois ex-governadores foram os únicos a assumir o comando do Palácio Anchieta, após alternarem vitórias e derrotas ao longo desse período.
Em abril deste ano, houve mudança na gestão estadual, mas não a partir de votação nas urnas. Impossibilitado de disputar reeleição, por ter acumulado dois mandatos consecutivos,
Conforme mostrou reportagem de A Gazeta em 2022, a reeleição de Casagrande para o governo do Estado naquela ocasião marcava um empate em número de mandatos entre ele e Paulo Hartung. Dessa forma, os dois ex-governadores estiveram à frente do Poder Executivo capixaba por 24 anos, sendo três mandatos cada um.
Ao longo do período em que se alternaram no poder, Hartung esteve à frente do governo estadual de 2003 a 2010 e novamente de 2015 a 2018. Já Casagrande comandou o Espírito Santo pela primeira vez de 2011 a 2014, voltou a governar o Estado em 2019 e em janeiro de 2023 assumiu seu terceiro mandato de governador.
Quando Hartung assumiu o governo, em 2003, o Espírito Santo passava por um período conturbado, com salários dos servidores atrasados e com denúncias de corrupção, irregularidades e pessoas com cargos importantes nos três poderes envolvidos no crime organizado.
Desde então, as finanças do Estado foram recuperadas, assim como houve também uma reconstrução da imagem dos poderes capixabas, embora tenha havido algumas situações isoladas de denúncias de irregularidades.
Hartung e Casagrande estavam no mesmo grupo político até o início do mandato do socialista como governador, em 2010, mas romperam completamente a partir de 2014, quando disputaram a eleição para governador e o então peemedebista foi eleito.
O fim da alternância entre gestões capitaneadas por Hartung e Casagrande ocorreu justamente com a derrota, no segundo turno do pleito deste ano, do governador Ricardo Ferraço, indicado pelo socialista à sucessão, para Pazolini.
O ex-prefeito foi eleito com 52,17% dos votos (1.151.818) no segundo turno. Ricardo contabilizou 47,83% dos votos (1.056.119 votos) e não conseguiu ser reeleito.
No primeiro turno, Pazolini ficou à frente com 49,65% dos votos válidos, enquanto Ricardo obteve 34,06%.