“Desejo permanecer em silêncio”. A afirmação foi feita pela corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, acusada pela morte da ciclista e modelo Luísa Lopes, em atropelamento ocorrido em 2022.
No momento do interrogatório, ao ser questionada pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, que preside o Tribunal do Júri de Vitória, ela informou que acompanharia a orientação de sua defesa e permaneceria em silêncio.
O interrogatório dela pôs fim à fase de instrução no segundo dia do julgamento da corretora nesta quinta-feira (6). Na sequência, o Ministério Público iniciou a sua apresentação, que terá tempo de 1h30, na etapa chamada de debates. Será seguido, pelo mesmo tempo, pela apresentação dos advogados da defesa.
O primeiro depoimento do dia, logo após a abertura da sessão, foi de Adriani Luiza da Silva, mãe de Luísa da Silva Lopes. Em um desabafo emocionado, ela disse: “Ela matou minha única filha”.
Aos jurados, Adriani contou que Luísa cursava Oceanografia na Ufes, fazia iniciação científica, e sonhava em ser uma pesquisadora, uma cientista. “Ela sempre prezou muito pelo conhecimento porque sabia o quanto foi difícil chegar à universidade. Mas ela era uma mulher perseverante, persistente. Eu a criei para enfrentar os desafios”.
A jovem, que também era modelo, passista, ciclista, tinha o sonho de estudar fora do país e estava se preparando. “O sonho dela foi interrompido de forma brutal. Sua morte acabou com a minha vida. É como se tivesse perdido parte do meu corpo e até hoje não consegui me recompor”.
A mãe relatou que ela e a filha eram unidas e tinham um relacionamento muito presente. “Pouco antes de sair para pedalar ela me ligou e ainda pedi que tivesse cuidado, por ser um feriado. Nós íamos sair quando ela voltasse. Minha preocupação aumentou quando o tempo foi passando e ela não atendia as minhas ligações”.
A notícia da morte veio por intermédio de uma amiga. “Eu não queria acreditar. Foi como se tivessem cavado um buraco sem fim, onde eu caí. Hoje tenho uma família ainda menor”.
Ela informou ter ficado revoltada quando soube que a corretora deixou a prisão após o pagamento de fiança. “Uma mulher branca paga R$ 3 mil e sai pela porta da frente, indo embora”.
Disse ainda, em seu depoimento, que discorda das informações de que o que aconteceu com a sua filha foi uma fatalidade. “Não foi uma fatalidade, foi um crime. Ela escolheu beber e pegar o carro e dirigir bêbada. E sua preocupação era com o carro, em como iria trabalhar na segunda-feira”.