A defesa da corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, acusada pela morte de uma ciclista em Camburi, Vitória, terá o apoio de um advogado especialista em trânsito no júri popular, marcado para começar às 9 horas desta quarta-feira (5).
Adriana responde por homicídio com as qualificadoras de perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de embriaguez ao volante, conforme decisão da 1ª Vara Criminal de Vitória. A vítima é a modelo e ciclista Luísa da Silva Lopes, de 25 anos.
Segundo o advogado Jamilson Monteiro dos Santos, que representa a corretora, o reforço tem como objetivo enfrentar a principal tese do Ministério Público do Espírito Santo (MPES): a de dolo eventual, na qual se sustenta que Adriana assumiu o risco de matar.
Atuará ao lado de Jamilson o criminalista Fábio Marçal. “Nós o convidamos pela experiência dele em casos semelhantes. Entendemos que o MP promove uma banalização do instituto do dolo eventual”, afirmou Santos.
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Marçal acrescenta que a defesa pretende provar aos jurados a ausência de dolo eventual, sustentando que essa tipificação não pode ser configurada apenas pelo uso de álcool.
“Não podemos banalizar o dolo eventual, que exige o desprezo pelo resultado, o que não ocorreu com a Adriana. Trata-se de homicídio culposo sob efeito de álcool, e é por ele que ela tem que responder. Não se pode instituir a vingança”, destacou Marçal.
Júri
A sessão do júri popular será realizada no Fórum Criminal de Vitória, quatro anos após a morte de Luísa. Nove testemunhas vão prestar depoimento e haverá ainda o interrogatório da ré. A expectativa é de que a sessão seja concluída na quinta-feira (6).
De acordo com a denúncia do MP, Adriana seguia em direção a Serra e trafegava em velocidade média de 72 km/hora na Avenida Dante Michelini, onde o limite máximo permitido é de 60 km/h.
O documento aponta que a corretora apresentava sinais de estar sob efeito de álcool e medicamentos controlados quando atingiu a jovem, no bairro Jardim da Penha, no momento em que a vítima iniciava a travessia na faixa de pedestres.
Com o impacto, Luísa foi projetada a uma distância de 40 metros. Vídeo abaixo mostra o momento em que o acidente ocorreu.
O Ministério Público reforçou na acusação que a motorista assumiu o risco do resultado morte e demonstrou desprezo pela vida humana.
Pouco após o acidente, Adriana foi filmada conversando com um policial militar durante os procedimentos de registro da ocorrência, momento em que, ao ser questionada, ela informou que não faria o teste do bafômetro. Ela foi presa, na ocasião, e liberada, posteriormente, com o pagamento de R$ 3 mil de fiança.