Três homens e uma mulher foram presos suspeitos de envolvimento na morte de um casal que ocorreu no bairro Maringá, na Serra, no último dia 10. As vítimas, Márcio Rony Ventura, conhecido como "Buiu", de 34 anos, e a esposa dele, Bruna Mara Oliveira Ventura, de 26 anos, foram executadas a tiros perto da filha de 6 anos.
Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (23), a Polícia Civil informou que Wesley Magno Uchoa Braz, de 34 anos, Pedro Corttes Falcão, 31, Igor Corrêa Gonçalves da Silva, 26, e Waleska Uchôa Dutra, de 30 anos foram presos durante uma operação deflagrada no último domingo (20), no bairro Chácara Parreiral, no mesmo município.
No momento da prisão, com os suspeitos, os policiais apreenderam armas, entre elas uma submetralhadora, e também de munições, drogas e dinheiro. Segundo a Polícia Civil, além do duplo homicídio, eles também estariam envolvidos em um assassinato ocorrido no dia 16 de novembro, no bairro Jardim Carapina.
De acordo com o titular da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, a aproximação entre os criminosos começou na cadeia, quando Wesley, na época preso, fez uma aliança com Robert Dias Lima, que também estava detido na ocasião e está atualmente foragido. Quando os dois saíram da cadeia, um apoiou o outro na retomada do tráfico em Jardim Carapina, Maringá e Chácara Parreiral.
Ainda segundo Sandi Mori, o duplo homicídio foi motivado por guerra do tráfico de drogas. Na madrugada em que o crime aconteceu, cinco indivíduos se passaram por policiais civis, quebraram o cadeado do portão da residência onde estava o casal, arrombaram a porta, colocaram a filha das vítimas para fora da residência e atiraram 43 vezes contra Márcio e 33 contra Bruna, morta por queima de arquivo.
Conforme o delegado, Wesley e Pedro estavam entre os cinco criminosos que entraram na casa. Os outros suspeitos já foram identificados e são procurados pela polícia, mas nem todos tiveram identidade informada.
Segundo o delegado, a vítima, Márcio Rony, era aliado de Pedro Corttes, sendo seu braço direito. Os dois foram presos e, depois que Márcio saiu da prisão, assumiu o controle de tráfico de Maringá junto ao Pedro. Porém, ele não estaria repassando parte do lucro do tráfico de drogas para Pedro, além de ter expulsado familiares do parceiro. Esses teriam sido os motivos da execução.
Crime em Jardim Carapina
Com relação ao homicídio de Jardim Carapina, o delegado explicou que foi motivado pela tentativa de retomada do tráfico do bairro por Robert Lima Dias, que recebeu o benefício da saída temporária no mês de agosto e não retornou.
O delegado Sandi Mori disse que Robert conta com apoio de traficantes do bairro Chácara Parreiral e dos morros de Vitória para retomar o controle do tráfico do bairro Jardim Carapina e está na lista atualizada dos 10 criminosos mais procurados no Estado.
“É alvo prioritário da nossa delegacia. Não iremos sossegar enquanto não realizarmos a prisão dele”, esclareceu o delegado Rodrigo Sandi Mori.
A Polícia Civil disse que Pedro Corttes Falcão ficou 12 anos preso por um homicídio, e havia recebido alvará de soltura em outubro. No período de um mês na rua, ele é investigado por quatro homicídios, entre eles o duplo homicídio. No momento da prisão, ele pulou do segundo andar de um prédio e apontou uma pistola adaptada com seletor de rajada em direção aos policiais civis.
O delegado explicou que Wesley Magno Uchoa Braz recebeu o benefício da "saidinha" (saída temporária) em maio deste ano e não retornou à prisão. Ele comanda o tráfico do bairro Chácara Parreiral.
“A prisão dos indivíduos é de suma importância, pois interrompe uma sequência de homicídios que estavam ocorrendo na Serra e impedem outros homicídios no município, haja vista que os indivíduos tinham uma lista de traficantes para matar em Maringá, Jardim Carapina e Central Carapina e retoma a paz social nos bairros”, explicou Sandi Mori.
Pedro, Igor e Waleska foram autuados por tráfico de drogas, associação ao tráfico, porte ilegal de arma de fogo e tiveram sua prisão em flagrante convertida para preventiva. Já Wesley foi autuado em flagrante por posse de arma de fogo e também teve a prisão convertida para preventiva, além de ser cumprido o mandado de prisão por recaptura.
“O Robert Lima Dias é o alvo número 1 da nossa delegacia, que vamos retirar de circulação, visando a retomada da paz social, principalmente de Jardim Carapina”, destacou o delegado.
Veja o perfil dos quatro suspeitos presos:
- Wesley Magno Uchoa Braz, vulgo neném da preta, de 34 anos - chefe do tráfico de drogas no Bairro Chácara Parreiral. Wesley era foragido do Sistema Penitenciário desde maio de 2022 e também é investigado no duplo homicídio ocorrido no Bairro Maringá;
- Pedro Corttes Falcão, vulgo Pedrinho, de 31 anos - saiu recentemente do presídio e estava tentando retomar o controle do tráfico de drogas no Bairro Maringá. Pedro, no momento da chegada dos policiais, tentou fugir do local apontando uma arma de fogo para os policiais civis, momento em que foi alvejado e se encontra sob escolta no hospital. Pedro também é investigado pelo duplo homicídio ocorrido em Maringá e pelo homicídio em Jardim Carapina;
- Igor Corrêa Gonçalves da Silva, vulgo playboy, de 26 anos - também é investigado no Duplo Homicídio ocorrido no Bairro Maringá;
- Waleska Uchôa Dutra, de 30 anos - faz parte do tráfico de Chácara Parreiral e saiu recentemente do presídio após ser presa pela DHPP da Serra no ano de 2018 pelo crime de homicídio.