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Publicado em 30 de setembro de 2025 às 19:22
O psicanalista preso preventivamente na última quarta-feira (24), em Vila Velha, por abusar sexualmente de uma paciente de 12 anos, fazia vítimas no consultório dele e até em sessões gratuitas oferecidas em uma igreja, concluiu a Polícia Civil. As investigações da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) indicam que ele usava a própria posição profissional para se aproximar das adolescentes e praticar os crimes. O nome do suspeito e das vítimas não são divulgados, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).>
A investigação mais recente começou em março deste ano, quando a vítima, de 12 anos, relatou os abusos a uma psicóloga da escola onde estudava. A profissional conversou com o pai da adolescente e, juntos, procuraram a delegacia. “Foi relatado que quando ela foi mostrar um machucado na coxa, ele tocou na parte íntima dela e ela ficou assustada. Diante da reação da menina, ele disse: ‘eu vou te explicar o que é um abuso sexual’. Então ele tocava no seio, tocava na parte íntima dela, dizendo que aquilo era crime, e praticava o ato”, explicou a delegada Thais Cruz. >
Os atendimentos aconteciam no escritório dentro da casa do suspeito que, segundo a delegada, era bem-casado, pai de família, evangélico e formado em teologia. >
Segundo a polícia, a adolescente não revelou de imediato o que tinha acontecido, mas guardou o segredo até conseguir relatar o episódio na escola. A investigação mostrou ainda que o psicanalista oferecia presentes e tentava conquistar a confiança das vítimas. “Chamou a atenção nossa que ele também pediu para essa vítima segurar bichinhos de pelúcia durante sessões para ele fotografar”, disse a delegada.>
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Após o registro do crime ocorrido em 2025, a polícia descobriu que havia outro inquérito policial que apontava que o psicanalista também abusou, em 2019, de uma adolescente de 16 anos que sofria de esquizofrenia. O atendimento ocorreu dentro de uma igreja, onde ele oferecia sessões gratuitas. De acordo com a polícia, o abuso foi ainda mais grave porque houve violência. “Ele a forçou a tirar a roupa e ficou esfregando o órgão genital dele na vítima durante a sessão”, relatou Thais.>
Ele também tentava seduzir a vítima prometendo recompensas. “Como era uma vítima muito carente, ele perguntou o que ela queria de presente. Ela respondeu que queria ganhar um videogame. Então ele falou: ‘se você falar para sua mãe que quer voltar na próxima semana, eu te dou o videogame’”, afirmou a delegada.>
Na época, a adolescente contou o caso à mãe, que buscou apoio junto ao pastor da igreja. O religioso afastou imediatamente o psicanalista da instituição, mas ele continuou a atender em casa. À época, as investigações foram interrompidas por falta de provas. "Violência sexual é um crime que, geralmente, ocorre sem testemunha. Por isso, fica o alerta para os pais sempre confiarem nos seus filhos. Sempre procure investigar e denunciar", finalizou Thais. >
Durante o depoimento, o psicanalista negou os crimes e tentou desqualificar as vítimas, alegando que uma delas sofria de esquizofrenia e teria inventado os abusos. >
No caso mais recente, afirmou que a adolescente mentia e precisava de ajuda psicológica. “Chamou a atenção que ele falou que lembrou da vítima e afirmou que ela era muito magrinha e tinha o corpo de criança de 8 anos”, destacou a delegada. Thais acrescentou que, ao ser preso, o suspeito perguntou “qual vítima?”, reforçando a suspeita de que outras adolescentes possam ter sido abusadas.>
O delegado adjunto da DPCA, Glalber Cypreste, explicou que a prisão preventiva foi decretada em setembro e cumprida no último dia 24. O psicanalista foi abordado quando retornava da academia. “Ele continuava atendendo normalmente, tanto presencial quanto remotamente. Assim que recebemos o decreto de prisão, fizemos um trabalho de inteligência, localizamos ele e abordamos no momento em que retornava da academia para casa”, disse. >
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, classificou a atuação do suspeito como perversa. “Abusa da fé da pessoa, abusa do bem-estar da pessoa, da paz do espírito da pessoa, da credibilidade que ela tem que ter no profissional. Isso é inadmissível”, afirmou. A polícia destacou que o homem já havia sido condenado por roubo em 2016 e cumpria pena em regime semiaberto. Os dois inquéritos mais recentes, de 2019 e 2025, já foram concluídos e encaminhados à Justiça. Ele deverá responder por estupro de vulnerável e estupro qualificado. >
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