A Justiça determinou que o policial militar Igor Moreira da Silva, acusado de matar o estudante Jean Pierre Otero Lazzarini, 27 anos, em dezembro de 2017, será levado a júri popular. A data do julgamento ainda não foi divulgada.
A decisão foi anunciada pelo juiz Eneas José Ferreira Miranda, da 4ª Vara Criminal de Vila Velha. De acordo com a polícia, o estudante foi morto no dia 25 de dezembro de 2017 com três tiros nas costas.
No dia do crime, Igor se apresentou à delegacia e disse ter feito os disparos contra Jean, pois este estaria portando arma e feito menção de sacar o objeto da cintura. O PM entregou uma pistola calibre 380 com numeração adulterada que teria sido apreendida com o Jean.
Sete meses depois, Igor foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima e fraude processual. As investigações do caso foram concluídas em julho do ano passado pela Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vila Velha e enviadas à Justiça, que aceitou a denúncia proposta pelo Ministério Público Estadual.
A mãe de Jean, a empresária Simone Otero Lazzarini, 52 anos, disse que vive uma mistura de sentimentos desde que soube da decisão pelo julgamento. Ela espera que o soldado Igor seja condenado pelo crime e expulso da corporação.
“A gente clama por justiça para que não aconteça novamente. Uma pessoa que tem essa coragem, esse sangue frio de matar um jovem com três disparos pelas costas, pode fazer novamente. É uma laranja podre dentro de uma corporação que deve proteger e não matar o cidadão”, analisa a mãe.
POLICIAL ESTÁ PRESO
A Polícia Militar informou que Igor Moreira da Silva está afastado, responde a Processo Administrativo Disciplinar por Rito Ordinário (PAD-RO), ainda em andamento. O militar continua detido no Quartel do Comando Geral, em Maruípe, Vitória. Ele recebe o salário normalmente.
A mãe do militar, a professora aposentada Tania Maria Moreira, 65 anos, disse que o filho está preso desde o dia 3 de agosto de 2018. Ela disse reconhecer a dor da família do estudante, mas afirma que o filho está preso injustamente.
"Meu filho é um policial 24 horas por dia. Ele só fez o trabalho dele. Uma pessoa armada em uma festa, visivelmente alterada, poderia ter machucado muitos inocentes. Os policiais foram com o objetivo de proteger a população. Infelizmente, o Jean reagiu. Somos duas famílias sofrendo", disse a mãe do policial.
O CASO
Jean Pierre foi morto na manhã de segunda-feira, em uma confraternização no bairro Araçás, em Vila Velha. De acordo com um morador, que não quis ser identificado, a festividade é tradição no bairro. Após a ceia, é comum os moradores se reunirem na praça, com bebidas e caixas de som.
Era por volta de 7h quando a vítima, que estava, de acordo com a polícia, com uma arma na cintura, foi abordada por um policial que não estava fardado. De acordo o policial, Jean Pierre teria reagido a uma abordagem e, por isso o PM teria atirado três vezes contra o jovem.