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Publicado em 26 de janeiro de 2023 às 08:14
Os crimes digitais cresceram pelo quinto ano consecutivo no Espírito Santo e quase dobraram em 2022, em relação ao ano anterior. A forte digitalização durante a pandemia de Covid-19 e o crescimento do Pix ajudam a explicar o aumento das ocorrências, que incluem uma ampla gama de atos ilícitos, como pornografia de vingança e golpes financeiros. >
Dados do Painel de Crimes Contra o Patrimônio mostram que, desde 2018, quando a estatística passou a ser contabilizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), o índice cresceu anualmente. Foram 974 registros em 2021, contra 1.898 em 2022, uma alta de 94,68%. Quando se compara as ocorrências registradas no ano passado com 2018, quando a série histórica passou a ser divulgada, e o aumento foi de 439% no período — há cinco anos, o Estado contabilizou 352 crimes do tipo. >
Com a evolução dos dispositivos e serviços eletrônicos, crescem também as formas como os crimes são cometidos. Titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o delegado Brenno Andrade explica que o termo "crime cibernético" é abrangente e pode ser utilizado para definir diversos crimes, como estelionato digital, furto mediante fraude na internet – quando alguém clona o cartão de crédito e utiliza os dados da pessoa sem que ela saiba – e até vazamento de foto íntima, a chamada pornografia de vingança. >
“É qualquer fato que ocorre e decorre na internet”, evidencia. “Às vezes, quando a vítima vai fazer uma ocorrência, o tipo de crime ainda não é bem delimitado, somente após a investigação é que se tem certeza de qual é o crime praticado pelo autor do fato”, completa. >
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Na avaliação do advogado criminalista Rodrigo Horta, os crimes na internet vão aumentar no mesmo ritmo em que as pessoas utilizarem as ferramentas modernas no cotidiano. >
“Quanto mais acesso tivermos à internet, mais crime haverá. O golpe do Pix, por exemplo, vem sendo cada vez mais usado, como forma de substituição daquele sequestro de caixa eletrônico”, evidencia. >
Neste mês de janeiro, a polícia desarticulou uma organização criminosa especializada em fazer sequestros relâmpago com a exigência de pagamento via Pix para liberação dos reféns no bairro Jardim da Penha, em Vitória. Quatro homens foram presos e um adolescente foi apreendido no dia 6, e outros dois integrantes já foram identificados, segundo a Polícia Civil (PC). >
Uma segunda quadrilha responsável pelo crime que ficou conhecido como Sequestro do Pix, que também atuava em Jardim da Penha, está na mira da PC. Segundo o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento de Investigações Criminais (Deic), em entrevista à reportagem no dia 11 deste mês, seis membros já foram identificados e estão sendo procurados. >
Com uma adesão maior de usuários ao Pix, modalidade de transferência monetária instantânea lançada em 2020 pelo Banco Central, o bairro da Capital tornou-se alvo desse tipo de crime. Somente nos últimos dois meses foram contabilizados sete casos, mas a Polícia Militar fala em, pelo menos, dez ocorrências desde agosto de 2022. >
A legislação também acompanha as mudanças digitais. Até 2018, por exemplo, a conduta de divulgar fotos ou vídeos com imagens íntimas era tipificada apenas como crime contra honra, delito em que as consequências eram brandas para o autor. Porém, com a tipificação específica, a pena tornou-se mais gravosa, de 1 a 5 anos.>
A Lei Geral de Proteção de Dados, sancionada em 2018, também ajudou a combater os cibercrimes e evitar uma explosáo de casos. Como as multas são vultosas e podem chegar a milhões de reais, as empresas investem em segurança da informação, para evitar que criminosos digitais roubem dados pessoais sensíveis, como números de documentos.>
Rodrigo Horta orienta que as vítimas busquem a polícia, tanto a Militar, para tentar o flagrante, como a Civil, para pedir a investigação. Alguns crimes digitais são mais rastreáveis que outros, o que facilita a identificação dos bandidos, como é o caso do Sequestro do Pix. “Tem o número da conta que recebeu o Pix, então algum vínculo dessa conta vai existir”, alega Horta sobre o processo investigativo e a importância de registrar o boletim de ocorrência.>
O delegado Brenno Andrade, por sua vez, destaca que essa conscientização sobre ir até à polícia, contribuiu para o número de registros de crimes digitais. “Antes havia uma subnotificação. Se tinha a impressão que não daria em nada, mas a partir do momento em que essa percepção muda, as pessoas começam a registrar ocorrência”, reflete. >
Ele alerta que, ao registrar a ocorrência, o cidadão ajuda na investigação de outros casos e contribui para que os criminosos não façam mais vítimas. "Não seja egoísta. As pessoas têm que registrar a ocorrência. Todas terão um despacho nosso, todas serão analisadas", completa. >
Dicas para não cair em golpes:
- Desconfiar sempre ao realizar transações bancárias;
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Conferir se o destinatário, recebedor da quantia, é realmente a pessoa para quem você quer transferir;
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Se for uma loja, verifique se o Pix é de uma pessoa jurídica;
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Procure na internet, no Reclame Aqui, a reputação do estabelecimento;
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Não deixar de registrar a ocorrência policial.
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