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"Não era a cena que queríamos que fosse transmitida para o ES", diz secretário

Secretário de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, garante que forças policiais irão trabalhar para cima de criminosos. Veja a entrevista completa

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 02/03/2021 às 14h02
Coronel Alexandre Ramalho. Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do ES
Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do ES, Alexandre Ramalho. Crédito: Vitor Jubini

O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, disse, em entrevista à TV Gazeta, que as forças policiais “continuarão trabalhando para cima de criminosos”. A fala vem após a apresentação de números de ações no bairro Planalto Serrano, na Serra, que não foram suficientes para evitar as ocorrências registradas na região nesta terça-feira (2). Após um tiroteio na madrugada, os ônibus do Transcol não entraram no bairro pela manhã. Profissionais da imprensa que estiveram no local para a cobertura jornalística do fato foram ameaçados e expulsos por suspeitos armados. Entre eles, estava a equipe da TV Gazeta, que participava do Bom Dia Espírito Santo.

Ramalho também afirmou que "não era a cena que queríamos que fosse transmitida para o Espírito Santo", ao lamentar às ameaças sofridas pelas equipes de TV no bairro. 

Segundo Ramalho, mais de 1.800 operações foram realizadas no local pela Polícia Civil e pela Polícia Militar em um ano. Nessas ocorrências, mais de 480 pessoas foram detidas, 19 confrontos armados foram registrados e 66 armas apreendidas. A fala foi para justificar os questionamentos da falta de policiamento no local após o tiroteio e ameaças a jornalistas na madrugada e manhã desta terça (02).

O secretário foi questionado sobre o deficit no efetivo da Polícia Militar e afirmou que a gestão atual busca a readequação dos quadros. Ramalho também destacou que a intenção é enfrentar e acabar com a criminalidade e, que para isso, é necessário a união, além de apenas as ações policiais. Confira a entrevista completa.

SOLIDARIEDADE E ATUAÇÃO DA PM NO BAIRRO

"Lamentar o ocorrido com vocês da imprensa. Não era a cena que queríamos que fosse transmitida para o Espírito Santo. Toda a nossa solidariedade. Dizer que a Polícia Civil e a Polícia Militar têm feito seu papel na medida do recurso que dispomos.

Nesse sentido, foram 1.830 operações realizadas somente dentro de Planalto Serrano em um ano, onde 480 pessoas foram detidas, 87 deles mais de uma vez detidas. A PM, nessas incursões, sofreu confrontos armados e teve ameaça à vida dos policiais por 19 vezes, foram 66 armas apreendidas, entre metralhadoras, submetralhadoras e pistolas.

Agora, estamos falando de uma criminalidade juvenil, que vai de 12 a 28 anos, afastados de conceitos familiares, religiosos e educacionais, ligados diretamente ao tráfico de entorpecentes com muita violência", afirmou. 

TIROTEIO DA MADRUGADA

"Os registros no Ciodes, durante a madrugada, não ocorreram. O primeiro registro recebemos às 5h da manhã, de que um veículo preto havia adentrado ao bairro e efetuado disparos, por conta disso, outros disparos foram efetuados no bairro. A PM se fez presente, localizou o veículo.

Naquele momento, não havia efetivo suficiente para permitir a entrada dos ônibus, até pelo receio dos motoristas. No mesmo momento, atendemos uma ocorrência em Serra Sede, onde um indivíduo deu entrada no PA com um tiro no pé, proveniente desses disparos.

Observe que o município de Serra é muito grande. O patrulhamento é feito com base no planejamento que temos e trabalhamos na medida do possível tentando atender. Quando somos demandados, imediatamente enviamos os recursos disponíveis. Não temos o registro da madrugada", reforçou. 

EFETIVO

"A gestão atual está pagando o preço por uma decisão tomada no passado, de outro governo, que não realizou concursos na mesma proporção que os efetivos vão embora. Estamos falando de duas instituições, Polícia Militar e Polícia Civil, que todos os anos aposentam policiais. Então, era preciso ter tido um planejamento para que hoje tivéssemos um efetivo considerável, como aquele efetivo que o governador Casagrande entregou no primeiro mandato, com 10.400 policiais militares.

A nova equipe de governo assumiu e estamos tramitando concursos, em finalização da Polícia Civil, em andamento soldados e oficiais na Polícia Militar, e é com esse planejamento de recompor o efetivo das instituições que nós pretendemos dar continuidade às ações contra esses jovens inconsequentes e irresponsáveis. E aí eu digo, é importante as ações da polícia, mas das outras ações também imediatamente. Não dá para esperar ações a longo prazo, todos tem que trabalhar agora", disse.

SOLUÇÃO CONJUNTA

"Espero o que a constituição determina, que segurança é dever do Estado entendido às três esferas de governo, responsabilidade de todos. Precisamos continuar trabalhando em conjunto. É importante ressaltar que a Prefeitura de Serra é uma grande parceira, mas precisamos tratar essa criminalidade juvenil de uma outra forma, muito além das ações das policiais”.

POLICIAMENTO NO BAIRRO

"Foram mais de 1.830 operações realizadas. Município de Serra é grande. Na madrugada o efetivo diminui consideravelmente e temos que remodelar o planejamento o tempo todo. Tão logo tivemos efetivo pela manhã, nós atendemos demandas que são encaminhadas para a Polícia Civil, atendemos pessoa com tiro no pé. Nós precisamos o tempo todo remodelar planejamento para atender os anseios das comunidades.

Se não deu para ligar na hora, busque um local adequado para acionar o 190. Mas, o mais importante, se tiver denúncia, o olhar da comunidade é o mais importante para todos nós da segurança pública via 181. Informem a situação real do bairro, com características e possibilidade de prisões que vamos realizar mais operações contra esses indivíduos", pediu.

SUSPEITOS SEM TEMOR

“Nós trabalhamos incessantemente para que essa situação não ocorra. Nós buscamos alocar efetivos nesses locais, fazer planejamento de operações. Nossa intenção, de fato, é prender esses indivíduos. E nós continuaremos trabalhando para cima de criminosos. Nós não toleraremos esse tipo de situação. Venceremos. Precisamos do apoio da comunidade, do apoio e da compreensão de todos os fatores, principalmente da deficiência do nosso efetivo. Mas não falta vontade e determinação dos policiais que fazem inúmeras apreensões e prisões diariamente. Estamos trabalhando o tempo todo contra a criminalidade e continuaremos”, finalizou. 

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