O furto de um celular dentro de um prostíbulo motivou o assassinato de uma travesti identificada como Milena, morta a golpes de facão em setembro de 2022, no bairro Jardim Limoeiro, na Serra. Segundo a Polícia Civil, Luciana Coutinho da Costa, de 35 anos, namorada do dono do estabelecimento, se disfarçou com roupas masculinas para cometer o crime. Ela já é ré pelo homicídio e foi presa em 12 de setembro deste ano, no mesmo bairro. As informações sobre o caso foram divulgadas pela corporação nesta quinta-feira (16).
Imagens de uma câmera de segurança (veja acima) flagraram o assassinato e ajudaram a polícia na elucidação do caso. Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, no início das investigações houve dificuldade em identificar Luciana como autora do crime porque ela estava vestida com roupas masculinas e também por ser temida na região.
Durante a apuração de outros homicídios e tentativas de homicídio no bairro, a DHPP da Serra realizou um mapeamento de mulheres que frequentavam a região e tinham características semelhantes às da pessoa que aparecia nas imagens.
Observamos características como compleição física, pernas grossas, quadril largo, jeito de andar, caminhar. Até chegarmos à Luciana. Intimamos testemunhas que frequentavam o local e, ao serem ouvidas na delegacia e também analisarem as imagens, reconheceram Luciana, sem sombra de dúvidas, como a mulher que aparece nas gravações
Diante dos depoimentos e das imagens, o chefe da DHPP da Serra representou pela prisão temporária da suspeita, que foi cumprida no dia 12 de setembro, na região conhecida como Copo Sujo, em Jardim Limoeiro. Ao ser ouvida pela Polícia Civil, Luciana negou participação no crime.
“Porém, nós temos elementos contundentes no inquérito que levaram ao indiciamento pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Ela já é ré em ação penal”, disse o delegado Rodrigo Sandi Mori.
Motivação e crime
O delegado explicou que Luciana mantinha um relacionamento amoroso com um homem que, na época do crime, era dono de um prostíbulo em Jardim Limoeiro — um local onde eram alugados quartos para mulheres e travestis realizarem programas.
Na noite do crime, Milena teria feito um programa e furtado um celular do cliente. Logo depois, ofereceu o aparelho a pessoas que estavam na rua e, como ninguém quis comprar, saiu dizendo que iria “fazer um corre para vender o celular”.
“Fato que revoltou Luciana, pois a atitude da vítima poderia atrair a polícia até o local, inibir a ida de homens ao prostíbulo e, consequentemente, atrapalhar o comércio do namorado dela”, afirmou o delegado.
As investigações apontaram que Luciana se vestiu com roupas pretas, uma blusa de frio com capuz, prendeu o cabelo, colocou um boné, pegou um facão novo e foi atrás de Milena. Quando as duas se encontraram, a suspeita partiu para cima da vítima e deu, inicialmente, 13 golpes no tórax e nas costas.
Mesmo ferida, Milena conseguiu correr por alguns metros, mas caiu. A suspeita se aproximou e deu mais quatro golpes de facão. O delegado explicou que, após cometer o crime, Luciana ainda arrastou o corpo por alguns metros, tentando tirá-lo da rua, mas desistiu e o abandonou no local.
A Polícia Civil informou que Luciana Coutinho da Costa, de 35 anos, tem passagens pelo sistema prisional por furto e tráfico de drogas. A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa dela e disponibiliza este espaço para manifestação.