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Justiça prorroga prisão temporária do assassino de Dante Michelini

Justiça prorroga prisão temporária do assassino de Dante Michelini

O crime pelo qual William Santos Monzoli é investigado aconteceu em janeiro deste ano, no sítio do empresário em Guarapari. Autor confessou que agrediu e decapitou Dantinho por vingança

Publicado em 13 de março de 2026 às 18:16

A cabeça de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, foi encontrada nesta quarta-feira (11) em Guarapari
A cabeça de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, foi encontrada nesta quarta-feira (11) em Guarapari Crédito: Ricardo Medeiros | Acervo pessoal

A Justiça decidiu prorrogar por mais 30 dias a prisão temporária de William Santos Monzoli, de 28 anos, assassino confesso do empresário Dante Brito Michelini. O crime pelo qual ele é investigado aconteceu em janeiro deste ano, no sítio da vítima, em Guarapari.

 O autor do homicídio cruel ainda revelou à polícia que voltou ao sítio no dia seguinte ao assassinato e conversou com o corpo, que foi encontrado no dia 3 de fevereiro, decapitado, parcialmente queimado e em avançado estado de decomposição. A cabeça, que Willian admitiu ter cortado e atirado ao mar, acabou recuperada no dia 11 daquele mês.

Segundo o delegado Franco Malini, da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o autor do crime contou que invadiu o sítio de Dante Michelini para dormir, mas foi descoberto e expulso sob golpes de madeira. Com raiva, após ser alvo de chacota, ele retornou pela mata e, mais tarde, ficou à espera de o empresário sair do imóvel, momento em que o atacou.

Cerca de oito dias após o assassinato, acabou preso por outro crime. Com o avanço da investigação, ele foi identificado e ouvido por policiais no presídio.

Casa principal do Sítio Pequeira, Meaípe, Guarapari, onde Dante Brito Michelini foi assassinado, decapitado. Corpo foi encontrado em 3 de fevereiro de 2026
Casa principal do Sítio Pequeira, Meaípe, Guarapari, onde Dante Brito Michelini foi assassinado, decapitado. Corpo foi encontrado em 3 de fevereiro de 2026 Crédito: Fernando Madeira

Uma vez que o inquérito ainda não foi concluído, a Polícia Civil requereu a prorrogação da prisão, justificando que "a liberdade do indiciado poderá obstar a investigação em andamento e impedir a realização de outras diligências".

Procurada, a defesa de William informou, em nota, que tomou ciência da decisão judicial que prorrogou a prisão temporária do investigado e ressaltou que a medida possui caráter estritamente cautelar e provisório, destinada apenas à continuidade das investigações, não representando qualquer juízo definitivo de culpa.

"A defesa respeita a decisão judicial, mas continuará atuando de forma firme na garantia dos direitos constitucionais do investigado, especialmente o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência".

A equipe reforçou ainda que segue acompanhando o andamento das investigações e adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para assegurar que os fatos sejam devidamente esclarecidos dentro da legalidade.

Quem foi Dante Brito Michelini

Dante Brito Michelini, mais conhecido como Dantinho, era de uma influente família do Espírito Santo no início dos anos 1970, quando foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça pelo desaparecimento, estupro e morte de Araceli Cabrera Crespo, de apenas oito anos. A menina sumiu no dia 18 de maio de 1973, após sair da escola na Praia do Suá, em Vitória, e seu corpo foi encontrado seis dias depois, com marcas de violência sexual, no matagal de um morro nas imediações do Hospital Infantil, também na Capital.

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Anos mais tarde, Dantinho, seu pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Constanteen Helal, também implicados no crime, foram absolvidos. Acusado de rapto seguido de morte da menina, Dantinho se declarava inocente, assim como os outros acusados.

No primeiro julgamento, em 1980, os três haviam sido condenados. Em 1991, porém, uma sentença definitiva os absolveria por falta de provas decorrente de problemas ainda na fase de investigação policial. Nenhum outro suspeito respondeu pelas acusações e, em 1993, o crime prescreveu, deixando os autores sem punição.

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