A Justiça manteve a prisão do motorista Arquimedes Felipe Coelho, de 62 anos, que conduzia a carreta envolvida no acidente que causou um engavetamento que resultou em mortes na Rodovia do Contorno (BR 101), na altura do bairro Mucuri, em Cariacica, na tarde do último domingo (24). Ele passou por audiência de custódia na terça-feira (26), quando a juíza Eliana Ferrari Siviero converteu a prisão em flagrante para preventiva.
A colisão, que envolveu sete veículos, matou um casal — Michel dos Santos Bragança, de 44 anos, e Wagna Mateus, de 48 — e deixou os dois filhos das vítimas, gêmeos de 10 anos, gravemente feridos.
Na decisão, a juíza citou a gravidade do acidente. Já a defesa argumentou que Arquimedes permaneceu no local, prestando socorro às vítimas e pedindo ajuda a outros motoristas, que realizou o teste do bafômetro, com resultado negativo e que foi até a delegacia sem oferecer resistência.
Além disso, segundo a defesa, o homem é motorista profissional há 14 anos e nunca havia se envolvido em acidentes antes de domingo.
Segundo apuração do repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, a defesa entrou com um pedido de habeas corpus após a soltura ter sido negada na audiência de custódia. Ainda não há decisão sobre o pedido.
Ainda conforme apuração da reportagem da TV Gazeta, os filhos do casal seguem internados, estão estáveis e em recuperação.
Entenda o caso
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente foi provocado pelo motorista de uma carreta que não percebeu o congestionamento formado na pista e atingiu os veículos que estavam parados.
O caminhão bateu primeiro em um Chevrolet Cobalt e, em seguida, atingiu o Volkswagen Gol onde estavam Michel dos Santos Bragança, Wagna Mateus e os filhos. Com o impacto, outros veículos também foram atingidos.
A mulher que estava no Chevrolet Cobalt teve ferimentos leves e foi levada para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória. Já um passageiro de uma Renault Master sofreu ferimentos graves e foi socorrido pela concessionária Ecovias Capixaba, responsável pela rodovia.
Ainda de acordo com a PRF, o engavetamento envolveu duas carretas, uma van e quatro carros.
A van atingida pertence à banda “Os Capixabas Forrozeiros”, que seguia para uma apresentação em Campo Grande, Cariacica. O produtor da banda contou à TV Gazeta que os ocupantes estavam parados no congestionamento quando sentiram o impacto da batida.
"Só lembro da gente sair rolando e desespero total. Chegamos a ouvir o grito das crianças que estavam no outro carro", contou o homem.
No dia do acidente, Arquimedes Felipe Coelho foi preso e autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) na direção de veículo automotor por duas vezes.
A Polícia Civil explicou que a autuação em flagrante foi fundamentada nos elementos colhidos no local do acidente, incluindo a dinâmica da colisão, os vestígios materiais, os depoimentos dos policiais rodoviários federais e os indícios de condução incompatível com as condições da via no momento dos fatos.
Os testes do bafômetro realizados nos condutores envolvidos deram negativo para consumo de álcool.
Homem morto ficou paraplégico em outro acidente na BR 101
Michel dos Santos Bragança ficou paraplégico após outro acidente ocorrido na mesma rodovia federal há 28 anos, mas em um trecho diferente. Desde então, ele utilizava cadeira de rodas para se locomover.
O irmão da vítima, Rodrigo Bragança, contou ao repórter Lucas Gaviorno, de A Gazeta, que eles voltavam de uma casa em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, quando houve o acidente. Na época, toda a família estava no veículo e a irmã deles, de 14 anos, morreu.
"Ele era cadeirante devido a um acidente em 1998, na BR 101, em Sooretama, onde estávamos em família: eu, Michel e minha irmã Daniele que veio a óbito no dia", Rodrigo Bragança, irmão de Michel.
Após o acidente que o deixou paraplégico, Michel constituiu família com Wagna Mateus, de 48 anos — que também morreu no engavetamento — e teve os filhos gêmeos, de 10 anos, que estavam no carro no momento da colisão e ficaram gravemente feridos.
Rodrigo ainda contou que Michel trabalhava como atendente de call center em um hospital particular da Grande Vitória. Já a esposa atuava como vigilante. Ele destacou que o irmão era um bom pai.
"Ele era um 'cara família'. Sempre saía com a esposa e os filhos nos finais de semana".
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