Uma jovem de 19 anos relatou ter sido agredida e ameaçada por dois policiais militares durante uma abordagem na Rodovia Leste-Oeste, em Cariacica, na madrugada desta sexta-feira (17). Ela estava com o marido, que também teria sofrido com as atitudes violentas deles e até tido uma arma apontada para o próprio rosto. Nesta manhã, o casal esteve em uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência.
Em entrevista ao repórter Diony Silva, da TV Gazeta, a mulher, que não será identificada nesta reportagem, contou que saíram de uma distribuidora na região e depois receberam a ordem de parada dos policiais. Logo no início da abordagem, o casal teria sido obrigado a ficar com as pernas abertas e com as mãos na cabeça, em posição de revista. A jovem afirmou, porém, que ela e o companheiro foram ameaçados e agredidos com tapas e socos.
"Estacionamos e paramos, tudo certinho. Aí, eles já começaram a ficar alterados, dizendo que a gente estava abusando. Ele (policial) disse que bateria em mim da mesma forma que bateria em homem. Ameaçou. Levei um tapa, duas 'porradas' no rosto"
De acordo com a jovem, apesar de terem passado pela distribuidora, não beberam ou consumiram qualquer produto. O casal estava saindo de Cariacica e iria para Viana. Ao dar entrevista à TV Gazeta, ela apresentou os ferimentos que teria sofrido no momento da abordagem: a boca estava ferida e o corpo tinha manchas de arranhão.
"Estou com a boca 'pocada', ouvido machucado. É muito constrangedor. Não tenho nem o que falar. Ser agredido por quem deveria garantir a segurança... Eles estavam agressivos, xingando a todo momento", relatou. A jovem, que trabalha como atendente, disse que não sabe o que pode ter motivado tal atitude por parte dos policiais.
Ela contou ainda que a equipe era formada por oito militares, mas apenas dois teriam participado das agressões e ameaças. Ela contou que eles não estavam identificados na farda e, por isso, não sabe dizer o nome deles. "Sei identificar um que tem tatuagem no pescoço e outro que usa óculos, que foi o que me agrediu", disse.
No final da abordagem, os policiais teriam tirado foto do carro em que o casal estava, ameaçando que poderia"levar um tiro na cara" caso denunciasse o que havia acontecido.
A reportagem de A Gazeta procurou as polícias Militar e Civil para responder aos questionamentos sobre a abordagem relatada pela jovem. As perguntas feitas foram as seguintes:
- As polícias militar e civil ouviram as vítimas para registro da ocorrência?
- Quantos policiais teriam participado das agressões? Quais os nomes dos policiais envolvidos?
- A Polícia Civil começou a investigação do caso?
- Como a Polícia Militar vai investigar o caso? Os dois policiais serão afastados?
- O casal fez exames após as agressões? O que foi apontado?
Em nota, a Polícia Militar informou que o casal foi até a Corregedoria e registrou o fato. Segundo a corporação, o caso será apurado conforme determina a legislação e dentro dos prazos legais – que não foram informados. A PM destacou que a instituição "preza pelo melhor atendimento à população, assim como o respeito ao Estado democrático de direito". Apesar da pergunta, não foi dito se os policiais foram afastados.
A Polícia Civil confirmou que um homem e uma mulher compareceram na Delegacia Regional de Cariacica e registraram um boletim de ocorrência, relatando que teriam sofrido agressões por parte de policiais militares durante uma abordagem na Avenida Leste-Oeste, no bairro Maracanã, em Cariacica. De acordo com a PC, ambos foram encaminhados para o exame de corpo de delito no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. O caso será encaminhado para Corregedoria da Polícia Militar, a qual compete esse tipo de investigação.