Publicado em 30 de junho de 2025 às 13:22
A Polícia Civil concluiu as investigações do caso do professor de química de 35 anos que, durante uma aula prática, utilizou uma mesma agulha para coletar sangue de 43 estudantes para testes de tipagem sanguínea. A situação aconteceu em uma escola estadual de Laranja da Terra, na região Centro-Serrana do Espírito Santo. Conforme a corporação, o profissional foi indiciado por "expor a vida ou a saúde a perigo direto e iminente". O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e à Justiça. >
O caso chegou ao conhecimento da Polícia no dia 14 de março deste ano, por meio do relato do pai de uma das alunas do colégio. Ele informou que a filha, aluna da escola, disse que o professor realizou uma aula prática de verificação de tipo sanguíneo utilizando a mesma agulha em vários alunos, com a higienização apenas das mãos dos estudantes com álcool 70%. O homem também afirmou que dezenas de alunos, colegas da menina, estavam procurando a Unidade Básica de Saúde do município para realizar testes rápidos, suspeitando de um procedimento que contraria as normas de saúde.>
Segundo o delegado Guilherme Eberhard Soares, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Laranja da Terra, a diretora da escola informou à equipe policial que o professor vinha realizando o procedimento desde o dia 7 de março e que acionou a equipe de saúde do município, que encaminhou os estudantes para a realização de exames. Após o ocorrido, o docente da disciplina de química foi demitido da instituição de ensino. >
"Durante o inquérito policial, o professor admitiu ter realizado a aula prática nos dias 13 e 14 de março de 2025, com visualização de células sanguíneas em microscópio. Ele alegou ter higienizado a lanceta de metal com água corrente, água destilada e álcool 70% entre cada uso”, informou o delegado.>
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Delegado Guilherme Eberhard Soares
Titular da Delegacia de Polícia (DP) de Laranja da TerraDurante as oitivas, alunas que participaram da aula confirmaram que a mesma agulha foi utilizada em todos, com higienização entre os usos, e que não houve pedido de autorização aos pais. Ao fim do inquérito, a autoridade policial concluiu que a materialidade e a autoria do crime estão demonstradas, ressaltando que a conduta do professor criou uma situação de perigo concreto e iminente à saúde dos estudantes.>
“A Coordenadora da Vigilância Epidemiológica informou que todos os alunos e o professor realizaram testes rápidos (sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV) e sorologias complementares, com resultados negativos até o momento. No entanto, o inquérito ressalta que o crime de perigo concreto, tipificado no Artigo 132 do Código Penal, não exige a ocorrência de dano efetivo, mas sim a criação de uma situação de perigo”, afirmou o delegado.>
Guilherme Eberhard Soares
Titular da Delegacia de Polícia (DP) de Laranja da TerraA reportagem de A Gazeta tentou contato com a defesa do professor e deixa este espaço em aberto para um posicionamento.>
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