Irritação e vontade de dormir foram os motivos que levaram Hackson Felipe Borges da Silva, de 26 anos, a matar o colega de trabalho Jones Conceição dos Santos, 33, a facadas. Os golpes atingiram regiões vitais como pescoço, braço, costas e deixaram a cena do crime com sangue até no teto. O homicídio aconteceu no começo deste mês, no dia 8 de agosto, no bairro Morada de Bethânia, em Viana, dentro do frigorífico onde vítima e o autor eram funcionários há quatro meses. O suspeito foi preso no mesmo dia.
"Ele se irritou porque o colega ficou chamando por muito tempo para comprarem mais bebidas depois de já terem consumido alguma quantidade de líquido alcóolico. Eu perguntei por que ele desferiu tantos golpes e ele falou que não sabe dizer. Disse que ele ficou com raiva no momento, porque ele queria dormir. Os golpes só pararam quando a faca quebrou", explicou a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegada Suzana Garcia, durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (19).
Garcia, explicou que o homicídio aconteceu no período da noite, quando ainda estavam na firma Jones, Hackson e o gerente deles. Com alojamentos fixos no local, a vítima e o gestor dos subordinados já iriam pernoitar no espaço. Porém, o suspeito pediu para dormir dentro do caminhão já que estava tarde para voltar para casa dele, que ficava longe do local. A solicitação foi aceita.
Funcionário de frigorífico de Viana esfaqueou e matou colega porque queria dormir
De acordo com a delegada, o assassinato brutal aconteceu após o fim do expediente, quando a vítima e o suspeito haviam bebido e utilizado alguns pinos de cocaína. Os ataques foram tão cruéis que manchas de sangue foram encontradas no teto do quarto onde Jones foi assassinado.
“Quando acaba o consumo da bebida alcoólica, o autor se dirige para caminhão, que era onde ele estava ficando. A vítima permanece no alojamento chamando pelo autor para comprar mais bebidas, possivelmente já sob efeito de bebida alcoólica. Isso irrita o autor”, explicou a chefe da DHPP de Viana.
Videomonitoramento ajudou
As filmagens adquiridas pelas corporação mostram Hackson andando pelo pátio por meia hora. Para a polícia, a atitude já mostra um incômodo. Momentos depois, a câmera pega o suspeito entrando no cômodo onde estava a vítima.
“Em dado momento ele entra até o alojamento que a vítima estava, e de posse de uma faca desfere aproximadamente oito golpes em regiões vitais da vítima, inclusive com um esgorjamento, que é o corte do pescoço da vítima” detalhou Garcia.
A delegada explicou a linha do tempo do assassinato. Veja abaixo:
- 19h: Hackson pede ao gerente para dormir dentro do caminhão. A solicitação se deve à distância entre a empresa e a casa do autor do crime, que fica em Terra Vermelha, em Vila Velha.;
- 19h30: Todos vão dormir. O gerente e Jones estão no alojamento, Hackson no veículo;
- 22h30: Segundo a delegada, o suspeito compra bebidas alcoólicas e dois pinos de cocaína para consumir com Jones;
- 0h: Por volta desse horário os dois terminam o consumo das bebidas e entorpecentes;
- 2h30: Perto do meio da madrugada, Hackson pego a faca no veículo e vai em direção ao alojamento de Jones;
- 3h: Hackson foge derrubando o portão do frigorífico com o caminhão.
Sangue no teto
Os gritos de socorro acordaram o gerente. Ao chegar no dormitório do funcionário encontrou uma cena de terror: sangue espalhado do chão ao teto.
“Ele deve ter se debatido já que os golpes só pararam quando a faca quebrou. Ao constatar a presença do gerente no local, ele sai correndo, toma posse de um dos caminhões de propriedade do frigorífico, arromba o portão com o veículo e empreende fuga”, explicou a delegada.
Quase 18 horas depois do crime, o caminhão foi encontrado em um local conhecido como rua do valão, no bairro Itapuã, em Vila Velha. O veículo estava na via lateral a uma boate onde Hackson foi encontrado. A delegada disse que ele estava trabalhando como segurança.
“Imaginando que estaria seguro e que não seria capturado, ele foi trabalhar normalmente, achando que estaria ocultando o veículo, mas nós o localizamos e foi feito o cerco tático. Batemos na porta do boate, que ainda não estava funcionando. Hackson abriu a porta e foi dado o comando de prisão em flagrante. Foi indiciado por homicídio qualificado motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima”, contou.