A primeira audiência chegou a ser marcada para o dia 27 de setembro de 2023, mas segundo o
Ministério Público do Espírito Santo, não ocorreu. Uma nova audiência foi marcada para o dia 7 de agosto deste ano, segundo informações do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. O PM segue no quadro ativo da corporação.
Imagens feitas na época mostram o policial dando joelhadas e socos na vítima, que também foi contida por outro militar. Mesmo com a mulher imobilizada no chão, Lucas ainda deu um tapa no rosto dela. À época, a Polícia Militar informou que os dois foram ao local para dar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A mulher estaria em surto, agressiva e seria internada compulsoriamente. Em 2021, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a paciente foi levada para o Hospital Estadual de Atenção Clínica (Heac) - unidade conhecida por prestar atendimento psiquiátrico.
Ainda na época do crime, a PM informou que havia tomado conhecimento das imagens, e um inquérito havia sido aberto pela Corregedoria para apurar a conduta dos militares. Em dezembro daquele ano, o inquérito foi concluído. "Ficou constatado que houve indício da prática de transgressão da disciplina e crime militar na conduta dos investigados", informou a PM.
Procurado pela reportagem de A Gazeta, o Ministério Público do Espírito Santo informou que ofereceu denúncia contra o policial militar por ofender a honra militar com emprego de violência, conduta descrita no Artigo 209, caput, do Código Penal Militar. A denúncia foi recebida pela Vara da Auditoria Militar, que considerou que havia indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. Ou seja, no momento em que a Vara Militar recebeu a denúncia, o processo continuou em tramitação.
O MP lembrou que a audiência chegou a ser marcada inicialmente para setembro de 2023, mas não ocorreu.
Apesar de dois policiais aparecerem no vídeo, apenas um foi denunciado pelo Ministério Público do Estado. Em julho de 2023, o MP informou que "não ficou comprovada conduta dolosa do outro militar que participava da ocorrência".
A reportagem de A Gazeta procurou a Polícia Militar perguntando sobre a situação do processo, se Lucas Silva Toscano segue atuando e se está recebendo salário. Em nota, a Polícia Militar informou que em momento algum desligou o cabo da corporação e que ele segue pertencendo ao "serviço ativo". Apesar de ter sido perguntada, a PM não informou qual o atual cargo de Lucas Silva Toscano.
Um termo de afastamento cautelar foi publicado em outubro de 2021, menos de uma semana após o policial ter sido filmado agredindo a mulher. Houve uma nova publicação, no entanto. De acordo com a Polícia Militar, a "cessação do afastamento" foi publicada em abril de 2022. Ou seja, o cabo chegou a ser afastado, mas foi reintegrado.
Lucas Silva Toscano não foi que teve a conduta analisada internamente. Segundo a corporação, outro militar responde por um processo administrativo disciplinar - mas não teve o nome divulgado.
A reportagem de A Gazeta procurou a defesa de Lucas Silva Toscano, PM envolvido em uma agressão em Guarapari em 2021. A defesa, no entanto, preferiu não se manifestar sobre o caso.