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Entenda

Como polícia chegou a mensagens de jogador do Vasco e traficante da Serra

Ruan e Edson foram presos em um apartamento no bairro Itaparica, em Vila Velha, que seria do jogador David Corrêa

Publicado em 03 de Setembro de 2026 às 12:55

Jaciele Simoura

Publicado em 

03 set 2026 às 12:55
Edson Vander da Silva Júnior, Ruan de Freitas Camargo Cruza e David Corrêa
Edson Vander da Silva Júnior, Ruan de Freitas Camargo Cruza e David Corrêa Montagem: PCES e Instagram

Uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024, em Novo Porto Canoa, na Serra, levou a Polícia Civil a mensagens trocadas entre o atacante do Vasco da Gama, David Corrêa, e Edson Vander da Silva Júnior, de 32 anos. O conteúdo das conversas ajudou a polícia a chegar aos envolvidos e a aprofundar a investigação que resultou na operação “A Tropa”, realizada na segunda-feira (31).


Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, a vítima foi sequestrada no bairro Serra Dourada III e levada até Novo Porto Canoa. Quando os executores desembarcaram do veículo, o homem aproveitou uma oportunidade para fugir.


Ainda de acordo com o delegado, a investigação apontou a participação de Ruan de Freitas Camargo Cruz, outro alvo da operação. Ele seria o proprietário do carro usado no crime e estava no banco do carona. Ruan é conterrâneo e amigo de infância de David. Edson, por sua vez, é apontado pela polícia como o responsável por organizar a ação e determinar a morte da vítima.


Em 20 de agosto de 2024, Ruan e Edson foram presos em um apartamento no bairro Itaparica, em Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, o imóvel pertencia a uma pessoa para quem Edson trabalhava como agente na época. O nome não foi divulgado em razão do sigilo das investigações, mas a reportagem de A Gazeta apurou que essa pessoa é David Corrêa, jogador do Vasco.

Mensagens trocadas com jogador

A análise dos dados extraídos do celular de Edson, segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, revelou conversas que indicariam que ele e Ruan teriam assumido o controle do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada III, na Serra.


Ainda de acordo com o delegado, foram encontradas mensagens sobre armas de fogo, munições, compra de drogas, prestação de contas e divisão de tarefas dentro do grupo.


A investigação também identificou três diálogos entre Edson e o jogador David Corrêa. Em uma das conversas, Edson teria enviado informações sobre a vítima da tentativa de homicídio e relatado o motivo pelo qual ela teria sido atacada, além de informar sobre seu estado de saúde. Segundo o delegado, David respondeu: “Mereceu tomar uns tiros mesmo”.


Em outra conversa, Edson teria enviado uma fotografia de uma pistola a David, que respondeu: “Tem que matar um para ver de qual é”.


Um terceiro diálogo chamou a atenção dos investigadores. Segundo o chefe da DHPP da Serra, Ruan pediu a Edson que intermediasse com o jogador David a negociação de um veículo.


Em um áudio enviado por Ruan a Edson e posteriormente encaminhado a David, Ruan teria pedido dinheiro emprestado para trocar o veículo. Segundo o delegado, os envolvidos consideravam que o carro estava “queimado” por ter sido utilizado na tentativa de homicídio. A conversa ocorreu três dias após o crime.


“Esses fatos chamaram a nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III pelo investigado”, afirmou o delegado. 


Diante dos indícios, a Polícia Civil compartilhou a extração dos dados do celular de Edson com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) para aprofundar a investigação. Segundo o delegado, há outros diálogos que estão sob segredo de Justiça e não podem ser divulgados neste momento.


Os três diálogos apresentados pela polícia constam no relatório de análise do celular de Edson. Durante a operação “A Tropa”, realizada na segunda-feira (31), o celular de David foi apreendido.


De acordo com o delegado, Edson era considerado agente de David e seria responsável por administrar aspectos da vida financeira e da carreira do jogador. A investigação também aponta que Edson e Ruan teriam assumido o controle do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada III.


“Controla a vida financeira, a carreira do investigado. E era um traficante também, posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos”, declarou o delegado ao ser questionado sobre o papel de Edson.


Sobre outros detalhes da investigação, inclusive a possível participação do lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, do Vila Nova, de Goiás, a Polícia Civil informou que o caso está sob sigilo e que não poderia fornecer mais informações.


O delegado Augusto Giorno, do Ciat, esclareceu que os clubes de futebol não têm relação com as investigações e foram colaborativos.


Os jogadores David e Hayner são citados no contexto da investigação, mas o inquérito ainda não foi concluído. Eles foram alvos de mandados de busca e apreensão. 


A reportagem tenta localizar a defesa de Ruan de Freitas Camargo Cruza e David Corrêa. O espaço segue aberto para manifestações.

O que diz a defesa de Edson

A defesa de Edson Vander da Silva Júnior afirmou, em nota, que não há provas técnicas, periciais ou documentais de que ele tenha determinado ou ordenado a tentativa de homicídio investigada. Segundo os advogados, a própria vítima, ouvida durante a investigação e em juízo, não apontou Edson como mandante ou executor e afirmou que ele não estava no local do crime. A defesa também sustenta que os demais relatos seriam de testemunhas indiretas.


Os advogados também questionam a validade das provas digitais obtidas a partir de celulares apreendidos, alegando problemas na cadeia de custódia dos aparelhos, e informam que já pediram à Justiça a nulidade desse material. Sobre a Operação Tropa, a defesa afirmou que não comentará detalhes por o procedimento tramitar sob segredo de Justiça e criticou a divulgação de informações da investigação pela Polícia Civil.

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