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Repercussão

Associação critica afastamento de colegas de PM que matou casal em Cariacica

Aspra-ES afirma que decisão do governo é “indiscriminada” e diz que agentes não tiveram participação nem condições de evitar o crime.
Jaciele Simoura

Publicado em 

15 abr 2026 às 11:39

Publicado em 15 de Abril de 2026 às 11:39

A Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (Aspra-ES) criticou o afastamento de policiais militares após o caso envolvendo um cabo da PM que matou duas mulheres no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, Cariacica. Em nota, a entidade classificou a decisão do governo como “indiscriminada” e afirmou que os agentes não tiveram participação na ocorrência.
Segundo a associação, o episódio deve ser apurado com rigor, mas sem generalizações. A Aspra-ES destacou que não defende a conduta do autor dos disparos, Luiz Gustavo Xavier do Vale, considerada um caso isolado, e que a investigação deve garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório.
"É imprescindível deixar claro que nosso posicionamento não se refere à conduta do autor dos disparos. Trata-se de um episódio lamentável, que exige apuração séria, transparente e responsável, assegurando, como prevê a lei, o direito à ampla defesa e ao contraditório", disse por meio de nota. 
No entanto, a entidade afirmou que causa “indignação e espanto” a punição de outros policiais que, segundo a nota, não contribuíram para o crime nem tinham conhecimento prévio da situação. Ainda de acordo com a associação, a ação do militar teria sido repentina, o que impossibilitou qualquer intervenção preventiva por parte da equipe.
A Aspra-ES também ressaltou que, após o ocorrido, o policial foi contido, desarmado e preso pelos próprios colegas, que o apresentaram à autoridade competente, com adoção das medidas legais cabíveis.
"Diante disso, é inadmissível que profissionais que agiram corretamente sejam agora alvos de “medidas cautelares” com nítido caráter punitivo, aparentando servir apenas como resposta à imprensa e à sociedade."
A entidade criticou ainda o que chamou de caráter punitivo das medidas adotadas pelo governo, afirmando que a decisão pode ter sido tomada como resposta à pressão da sociedade e da imprensa. Para a associação, a medida também impacta a saúde psicológica dos profissionais e prejudica a segurança pública ao retirar policiais das ruas.
Por fim, a Aspra-ES reforçou que o caso não representa a conduta da corporação e defendeu que a apuração ocorra com legalidade, sem punições coletivas, sob risco de enfraquecimento institucional.

Afastamento de militares

Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale foi encaminhado à delegacia após crime
Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale foi encaminhado à delegacia após crime Crédito: Leitor | A Gazeta / Reprodução/Instagram
Na terça-feira (14), o governador do Estado Ricardo Ferraço anunciou a suspensão desses seis PMs que não agiram para impedir o duplo assassinato. Inicialmente, a informação era de que sete policiais haviam sido afastados, além do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, que está preso. No entanto, o comandante da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, informou que um subtenente chegou ao local da ocorrência após os disparos, não constando nessa lista.
A TV Gazeta teve acesso aos nomes dos agentes que estavam junto com o cabo do Vale. São eles:
  1. Edson Luiz da Silva Verona - soldado;
  2. Eduardo Ferro Coradini - soldado;
  3. Filipe Gonçalves Vieira - soldado;
  4. Hilario Antonio Nunes Loureiro Junior - cabo;
  5. Lucas Nogueira Oliveira - aluno soldado;
  6. Valfrir do Carmo Carreiro - 3º Sargento.
Rubim explicou que já foi solicitado para a Justiça a suspensão total dos militares envolvidos, que é quem deve determinar se vai ocorrer ou não.

Novas imagens mostram outro ângulo

À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica Crédito: Redes sociais
Um novo vídeo de câmera de segurança (veja acima) mostra o assassinato do casal Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. O crime foi cometido pelo cabo da Polícia Militar (PM) Luiz Gustavo Xavier do Vale. As imagens, de um ângulo diferente, permitem observar com mais detalhes que o policial já chega atirando contra as vítimas. Outros militares que estavam presentes não esboçam reação nem tentam impedir a ação.
O vídeo mostra duas viaturas chegando ao local no último dia 8 de abril. Os policiais foram ao bairro após a ex-esposa do cabo informar que havia discutido com as vizinhas, Francisca e Daniele. Luiz Gustavo estava de serviço como guarda em uma companhia da PM, em Itacibá, mas não atuava no policiamento ostensivo, pois estava afastado enquanto era investigado pela morte de uma mulher trans ocorrida em 2022. Ainda assim, ele foi até o endereço acompanhado de colegas.
Nas imagens, o cabo desce da viatura e segue em direção às vítimas, que estavam sentadas na calçada. Ele atira primeiro contra uma delas. A outra tenta fugir, mas também é atingida. Em seguida, o policial retira o colete e a arma e os entrega a um colega. Desde então, Luiz Gustavo está preso. 

Nota Aspra-ES | Na Íntegra

"A Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (ASPRA-ES) vem a público manifestar seu veemente repúdio ao ato do Governo do Estado que determinou a suspensão de policiais militares em decorrência de um fato grave envolvendo a conduta isolada de um policial militar, que resultou na morte de duas mulheres após uma discussão onde elas teriam ameaçado seu filho autista de morte. 

É imprescindível deixar claro que nosso posicionamento não se refere à conduta do autor dos disparos. Trata-se de um episódio lamentável, que exige apuração séria, transparente e responsável, assegurando, como prevê a lei, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Entretanto, causa profunda indignação e espanto a decisão de punir, de forma indiscriminada, outros policiais militares que não tiveram qualquer participação no ocorrido. 

É importante esclarecer, de forma categórica, que os demais policiais presentes não contribuíram para a ação, não possuíam conhecimento prévio e tampouco tinham condições de antecipar a atitude do autor, cuja conduta foi repentina e inesperada, impossibilitando qualquer intervenção preventiva por parte da equipe. 

Ressalte-se, ainda, que, imediatamente após o fato, o militar foi contido, desarmado e preso pelos próprios policiais, sendo prontamente apresentado à autoridade competente, ocasião em que foram adotadas todas as medidas legais cabíveis, assegurando-se o devido processo legal. 

Diante disso, é inadmissível que profissionais que agiram corretamente sejam agora alvos de “medidas cautelares” com nítido caráter punitivo, aparentando servir apenas como resposta à imprensa e à sociedade. 

Vivemos em um cenário desafiador onde discutimos a saúde psicológica dos profissionais de segurança pública. Ao invés de afastar os policiais para um tratamento psicológico após um evento traumático, adota-se uma conduta preocupante que pune os policiais, potencializando ainda mais os efeitos psicológicos nesses profissionais, bem como em toda tropa que recebe essa decisão de forma inacreditável. 

A decisão adotada pelo Governo do Estado revela um preocupante viés de resposta política sob pressão, penalizando injustamente policiais comprometidos com o serviço e causando prejuízos diretos à segurança pública, ao retirar das ruas profissionais experientes e capacitados, essenciais no enfrentamento da criminalidade no município de Cariacica.

Reforçamos que não defendemos condutas ilegais, devendo o caso ser tratado com legalidade e transparência. Portanto, é igualmente necessário assegurar que não haja generalizações ou punições coletivas, sob pena de enfraquecimento institucional e desvalorização da tropa. 

Trata-se de um episódio isolado, que não reflete os valores, a ética e o compromisso da corporação com a legalidade, a preservação da vida e a segurança da sociedade capixaba. 

Por fim, dirigimo-nos ao Governador do Estado para lembrar que liderar é agir com equilíbrio, responsabilidade e justiça, sobretudo nos momentos de maior pressão. A tropa militar observa, acompanha e não esquecerá decisões que desconsideram o compromisso e a dedicação de seus profissionais. 

Em um cenário em que Vossa Excelência se apresenta novamente ao crivo da população, fica o registro de que segurança pública se faz com valorização, respeito e responsabilidade, e não com medidas precipitadas que penalizam inocentes."

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